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Terça-feira - 13 Janeiro 2026

EXCLUSIVO – Da língua portuguesa à economia global: o projeto da Câmara de Comércio da Lusofonia

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A Câmara de Comércio da Lusofonia e Diáspora (CCILD) nasceu em Portugal com a ambição de ligar países e comunidades que falam português, fortalecendo relações económicas, comerciais e culturais. António Lopes, atual vice-presidente da Câmara, explicou em entrevista que o objetivo é criar uma rede que integre empresas, órgãos e instituições, ao mesmo tempo que promove a língua portuguesa e contribui para o desenvolvimento social e económico das comunidades lusófonas.

“Mais ou menos 40 anos a dirigir empresas, com formação em marketing e gestão, responsabilidades em projetos internacionais e uma experiência em França, Alemanha e Inglaterra, permitiram-me conhecer profundamente a Europa, a América, Cabo Verde, Marrocos, até o Havai. E tive relação com muitos povos, incluindo povos de língua portuguesa”, afirmou António Lopes.

O vice-presidente da CCILD explicou que a criação da Câmara partiu da constatação de que existia “a necessidade de arranjar um veículo para ligar todos os falantes de português no mundo, que são quase 400 milhões, entre os que vivem nos seus próprios países e as suas diásporas”. Para ele, a Câmara funciona como uma “ferramenta de ligação entre povos, com o objetivo de promover prosperidade económica e cultural entre todos os países lusófonos”.

A Câmara de Comércio e Indústria da Lusofonia e Diáspora não se limita a Portugal. O projeto inclui a abertura de delegações em todos os distritos portugueses e a criação de representações em outros países europeus, tendo contado com o apoio da CPLP na organização de eventos e na apresentação da Câmara. “A representação oficial aconteceu no auditório da CPLP, com casa cheia e um acolhimento muito positivo das pessoas presentes”, recordou.

A composição da direção da CCILD inclui personalidades ligadas a diferentes áreas: o presidente Paulo Sande, o vice-presidente António Lopes, o coronel Luís Bernardino, a jurista Cristina Gomes, o tesoureiro Paulo Capesano e outros membros que representam áreas como saúde, finanças, tecnologia e ensino. O Conselho Consultivo conta com figuras como o embaixador António Monteiro e o irmão do Presidente da República, António Rebelo de Sousa.

Sobre a sustentabilidade da Câmara, o vice-presidente explicou que “começámos com um grupo de associados, a primeira quota são 60 euros, 30 mais 60 euros anual. Temos cerca de 30 ou 40 associados e o projeto tem crescido de forma gradual”.

A estrutura da Câmara inclui um escritório na AIP, junto ao Centro de Congressos na Junqueira, onde as atividades já começaram.

O vice-presidente explicou que a CCILD pretende atuar como facilitadora de negócios e investimentos entre os países lusófonos. “Queremos que empresas com visão façam negócios entre os países que falam português. A Câmara vai criar grupos de trabalho sobre ensino da língua portuguesa, Erasmus Lusófono, intercâmbio de jovens e projetos de investigação e desenvolvimento”, destacou.

A Câmara também tem uma vertente social e de responsabilidade civil. Teixeira sublinha que o projeto não está contra ninguém, mas “a favor de toda a gente”. A CCILD pretende apoiar jovens em países como Moçambique ou São Tomé para não terem de emigrar, oferecendo-lhes formação tecnológica e oportunidades profissionais no próprio país. Além disso, quer atuar em áreas de proteção civil, ambiente e saúde, dado que “com o aquecimento global, doenças tropicais podem chegar à Europa e, nomeadamente, a Portugal”.

Quanto ao financiamento, António Lopes explicou que “uma pequena parcela das atividades da Câmara, de negócios e projetos, pode ser revertida para sustentar a instituição. Todos os anos, a Câmara apoiará projetos de sociedade civil e humanitários, desde Timor a São Tomé, Brasil ou Cabo Verde, mediante concursos e prémios”.

O vice-presidente detalhou ainda que o projeto da CCILD começou há cerca de dois anos na sua casa, e que, desde então, tem sido necessário estruturar a Câmara, organizar eleições e criar uma Assembleia Geral com participação ativa de embaixadas e comunidades. “Queremos que a Câmara seja de facto uma entidade lusófona com representantes de várias áreas, ligados à educação, juristas, empresários, e que possa mapear as diásporas e as suas atividades para fazer chegar oportunidades mais longe”.

António Lopes afirmou que a CCILD pretende atrair investidores lusófonos e dar continuidade a um projeto ambicioso, criando oportunidades de investimento, parcerias comerciais e cooperação internacional. “Do futuro passa pela lusofonia, pelo máximo de investidores e pelo fortalecimento das relações entre todos os falantes de português”, resumiu.

A Câmara de Comércio da Lusofonia e Diáspora está estruturada com uma direção de sete elementos, uma Assembleia Geral com dois membros, e um Conselho Fiscal que inclui profissionais de saúde e finanças. Existe ainda um Conselho Consultivo alargado, incluindo representantes da proteção civil, empresas de energia, e militares e civis com experiência em diversas áreas.

Quanto à operacionalidade: “Temos um escritório onde trabalhamos diariamente, e eventos estão a ser programados. Algumas empresas já mostraram interesse em participar, bem como bancos e companhias de seguros. A ideia é ter uma direção mais operacional, capaz de implementar projetos e envolver novos associados.

Tudo é feito para que a Câmara seja uma base sólida de ligação e ação para a lusofonia”.

António Teixeira Lopes concluiu que a CCILD é um projeto multifacetado, que combina interesses económicos, sociais e culturais, e que tem como missão consolidar laços entre os países e comunidades lusófonas. “É um projeto exigente, mas necessário. Queremos que seja útil, que gere impacto real e positivo, e que fortaleça a língua portuguesa no mundo”.

Francisco Miranda 5 dezembro de 2025

Jornal Comunidades Lusófonas
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