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EXCLUSIVO: Da Warner Bros a empreendedor – “A portuguese man in New YorK”

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Tony Gonçalves nasceu em Portugal em 1973 e quando tinha quatro anos emigrou para os Estados Unidos, New Rochelle, que pertencente ao Estado de Nova Iorque, a 20/30 quilómetros da cidade onde tudo acontece. Com idade muito tenra integrou-se muito bem na comunidade portuguesa juntamente com a família, mas o destino e o país era mais abrangente e a aculturação foi evidente e natural, pois encontrava-se a viver num país onde a cultura se vai moldando. Apesar da forte ligação à cultura portuguesa, ajustou o seu destino em terras do “Tio Sam”,  fez todos os seu estudos em escolas americanas e licenciou-se em Marketing na Universidade de Iona, em New Rochelle, Nova Iorque.

O seu percurso profissional centrou-se na área de media e tecnologia, empresas de Eletrodomésticos, como a Sharp e Samsung onde começou a sua carreira. Depois surgiu a oportunidade de trabalhar numa operadora, a DirectTV, a maior operadora de PayTV no mundo, à época. Também trabalhou na AT&T, foi a empresa que adquiriu a DirectTV, a maior empresa de telecomunicações no mundo.

Mais tarde chegou à Warner Bros, o lançamento da HBO Max, ocupando o lugar de Chief. Tendo sido o seu último desempenho como: Chief Revenue Officer da Warner, onde geria 20 mil milhões de dólares e uma equipa de quase três mil pessoas.

O seu percurso profissional e pessoal desde que chegou aos Estados Unidos, nos anos setenta, teve sempre como base a cultura da comunidade portuguesa, mas  ao longo do tempo foi-se americanizando, encontrava-se dividido entre duas culturas, uma com quase 900 anos (portuguesa) e outra mais recente, mas não menos importante e mais internacionalizada. Tendo estas duas culturas desempenhado o papel de, como se diz em inglês: fit in em ambas as culturas.

Durante um longo período esteve muito empenhado em viver o sonho americano, mas passados alguns anos e com uma família já constituída, filhos e esposa, começaram a voltar a vir a Portugal e “darmos a nossa “portugalidade” aos nossos filhos” que sempre se mostraram muito receptivos. “Estavam ligados à nossa cultura e raízes e Tony começou a pensar num futuro onde pudesse passar mais tempo na Europa para poder estar mais ligado à cultura portuguesa.

Quando em 2022 a Warner foi vendida, decidiu começar um novo capítulo da sua carreira. Deixou de ser executivo e começou a ser empreendedor, procurar oportunidades de ligar “a minha profissão, uma paixão pelo trabalho e pela cultura portuguesa”, ajustando a cultura portuguesa no desenvolvimento da atividade no seu próprio negócio o “The Evrose Group”, uma empresa de sua autoria e que tem três vertentes, três papéis ou três focos: Mentoria, Consultaria e Investimento, em projetos na sua área, nomeadamente nos media e entretenimento, dando assim lugar ao seu principal papel no mundo dos negócios.

A sua ligação ao Tribeca Festival?

O Tribeca Festrival é um festival de cinema fundado em 2002 por Jane Rosenthal, Robert De Niro e Craig Hatkoff em homenagem às vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center. E desde lá até ao presente já se encontra em Lisboa há dois anos. Tony foi um dos mentores em trazer este icónico Festival para Lisboa, fez a ponte e é o produtor Executivo do Festival. Identificou a oportunidade e “fiz o enquadramento do festival com as entidades portuguesas para trabalhar com o evento”, salienta Tony.

Como é que se encontra neste momento o Tribeca Festival?

Segundo Tony, a marca Tribeca, não precisa de muito apoio, porque é muito conhecida. Tem um acionista e fundador reconhecido a nível internacional, Roberto De Niro, mas têm necessidade e interesse em escalar numa forma mais global e Lisboa foi identificada como a primeira cidade e Portugal o primeiro país para essa expansão. “Acho que o grupo está muito contente com as duas edições e à espera de fazer mais, talvez não só em Portugal, mas também noutros locais,” afirma  o produtor executivo.

Não vive em Manhattan, onde a magia do Tribeca Festival acontece, mas não perde pitada do que lá se passa. Vive a 20/30 quilómetros dos arredores de Nova Iorque, uma zona mais pacata, para “fugir” ao reboliço e frenética vida da cidade, New Rochelle é o seu refúgio, mas sempre focado no seu trabalho, em Manhattan.  O Tribeca Festival foi o seu primeiro grande evento, mas há mais na manga. Este ano em Abril, vão fazer um projeto bastante interessante e um bocado diferente que chama-se StreamTV Europe, uma conferência B2B de tecnologia de streaming ligado à tecnologia de publicidade e de conteúdo.

É uma conferência muito conhecida nos Estados Unidos e têm interesse em expandir para a Europa. “Convencemos para fazer a primeira edição Europeia em Lisboa e vamos trazer mais ou menos 1500 pessoas, para esta conferência. Esse é um dos projetos.”

O segundo projeto, “vamos fazer um espetáculo de teatro realizado pelo Roberto De Niro chamado “A Bronx Tale: One Man Show ”, que tem origem num teatro com o desempenho de Chazz Palminteri, é a sua história da vida, vai ter lugar no dia 10 de junho de 2026, no Cinema S. Jorge em Lisboa. “São dois projetos que estamos a trabalhar e com muito interesse”. Continua a apoiar startups, em particular uma empresa do Porto, a Media Probe e outra em Braga: a Auto Maze.

Tony continua a fazer um podcast chamado “The heart & hustle of Portugal”, que é o primeiro projeto em inglês do jornal Expresso onde desempenha as funções de produtor, criador, autor e moderador do projeto.

Uma mensagem aos portugueses espalhados pela Diáspora e aos que pretendem emigrar? Sente-se emigrante português, ou americano?

Para Tony considera que é sempre bom ver como os portugueses se entregam e integram nas comunidades que os recebem e como contribuem com trabalho, compromisso e resiliência. Muitos acabam por ser conhecidos e valorizados. Era bom que fossem todos. Mas são muitos e isso é um motivo de orgulho para todos nós. Isso não acontece só no desporto ou no comércio em geral. Vemos portugueses em vários setores, de elevada responsabilidade e exigentes a desenvolver trabalhos complexos e desempenhar papéis importantes e contribuir diretamente para o sucesso das organizações onde estão.

Costumo dizer a quem pensa desenvolver um projeto fora do país ou emigrar, que é preciso confiança, capacidade, competência, preparação e também bastante paciência. Acho que essas são as características muito nossas, mostrar o melhor que temos, desafiar-nos e procurar oportunidades além de fronteiras.

Uma vez que é português mas já está há muitos anos nos Estrados Unidos, sente-se mais americano em Portugal e mais português nos Estados Unidos, é um sentimento interior. É como aquela música do Sting: “a portuguese man in New York”. E em Portugal: “an American man in Portugal”. Finaliza o empresário.

Lígia Mourão
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