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Sexta-feira - 1 Março 2024

EXCLUSIVO: Das “profundezas” Alentejanas, ao Japão, o negócio floresce

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Numa pequena aldeia perto de Arraiolos, Sabugueiro, já consta no mapa de Portugal e do Mundo, Paulo Ramos, é o responsável por isso. Estudou em Lisboa, foi à China pela primeira vez e seria no Oriente mais concretamente o Japão, em Tóquio, que a sua vida iria girar 180 graus. Empresário de sucesso, é nos vinhos portugueses que aposta, e leva o líquido português tão apreciado, pela mão da sua empresa “1756 The Portuguese Wine Company” a terras do Sol Nascente.

Paulo Ramos, nasceu no Alentejo, numa pequena aldeia entre Montemor-O-Novo e Arraiolos chamada Sabugueiro. Viveu e estudou desde a infância até à adolescência em Setúbal, terminando lá o ensino secundário. Foi para a capital quando entrou na faculdade, no Instituto Superior Técnico (IST) para fazer Química Aplicada. Era uma licenciatura de cinco anos, mas acabaram com o curso porque surgiram outros ramos, tendo concluído esse mesmo curso de Química Aplicada, no ramo da biotecnologia, na Universidade Nova de Lisboa na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT).

Prosseguiu os estudos e fez mestrado em Microbiologia Enológica, com tese de mestrado feita no pólo de investigação de Dois Portos que faz parte do Ministério da Agricultura, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária. Foi aí que começou a sua tese de mestrado e ligação ao mundo dos vinhos, “que me levou ao mercado internacional e onde estou hoje.”

Apesar das suas funções na Câmara de Comércio e Indústria Luso Japonesa também está ligado ao comércio internacional de vinhos portugueses. Tem formação global de vinhos, o WSET – Wine & Spirit Education Trust (Nível 4), que fez em Londres.

Entre 2009 e 2013, já estava muito cansado do mercado Chinês, e de passar quatro, cinco meses por ano na China. Falou com os seus sócios, porque é um dos co-fundadores da empresa, e “disse-lhes que não queria continuar a fazer operações na China, ou arranjaríamos um novo mercado Asiático ou fecharíamos a empresa.”

Fez a tese de mestrado, na antigamente designada Estação Vitivinícola Nacional em Dois Portos (INIAV), onde conheceu o Dr. Sun Baoshan (cidadão Chinês na altura), o qual hoje em dia dá aulas no ISA relacionadas com os polifenóis e saúde, é Doutorado e investigador e faz parte dos quadros do INIAV. Em 1998 tentou levar vinho português para a China, mas no setor não “acreditavam” nele.

Quando “o conheci, em 2004 ou 2005, não posso precisar, disse que ia voltar a falar com ele depois de acabar a tese de mestrado”. O Dr. Sun Baoshan é também Professor Catedrático na Universidade Farmacêutica de Shenyang (SYPHU), na China. A empresa inicialmente foi desenvolvida para o mercado Chinês, mas como referiu anteriormente, “fiquei um pouco cansado de fazer operação na China.”

Surgiu a oportunidade de fazer um MBA para executivos, na Waseda University, e em 2014 estive a viver pela primeira vez em Tóquio, onde completei o MBA. Foi feito em duas partes: seis meses em Londres, na SOAS (Universidade de Londres) e um ano no Japão, em Tóquio. Depois de fazer esse MBA e analisar com “os meus sócios, decidimos fazer um investimento e abrir uma sucursal da empresa portuguesa no Japão, e fazer a operação no Japão”. Assim nasceu o importador no Japão: A Portugal Trade.

A partir daí em, 2015 16, “não sei precisar, nós éramos a única empresa portuguesa que tinha feito investimento no Japão”. Quando voltei a Portugal fui convidado para uns seminários da CCIP, onde conheci na altura o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Japonesa, na altura o Dr. Fernando Bessa, que, hoje, é o Presidente Honorário.

Depois de ter assistido a uma apresentação minha acerca do país e do mercado, convidou-me para a Direção da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Japonesa. Entre 2017-18, o Dr. Fernando Bessa aposentou-se, e a Direção determinou que uma das pessoas “que mais tinha experiência e habilitações para o cargo seria eu, tendo em conta o conhecimento do comércio internacional e do mercado Japonês. Fui então, eleito presidente da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Japonesa. A partir desse ponto a CCILJ tem desenvolvido mais atividade no mercado Japonês, sobretudo a apoiar as empresas portuguesas.” Refere Paulo Ramos.

“Nós assumimos a operação no Japão, porque fazemos a distribuição e fazemos o acompanhamento dos vinhos, a operação na China é consideravelmente diferente, porque temos apenas parceiros de negócios importadores.”

A operação no Japão é diferente, e o crescimento e o desenvolvimento de marcas só para o mercado Japonês, também é diferente. O negócio está a correr bastante bem, a empresa em Portugal faturou no ano de 2023 cerca de um milhão e trezentos mil euros. “Temos o maior volume no Japão, 70%; 25% é para a China e o resto serão outros mercados com menor expressão. Também vendemos vinhos para Inglaterra” e alguma coisa “a granel” em Portugal.

Há uma empresa Japonesa que é Sucursal da Empresa Portuguesa. A Empresa em Portugal tem sede em Carrazeda de Ansiães, Douro Vinhateiro, e a empresa no Japão tem a sede em Osaka, chama-se “Portugal Trade”.

“O negócio está a correr bem, há uma maior diversificação, não estamos tão “presos”, como no mercado Chinês.”

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Japonesa torna tudo muito mais fácil do que quando fazíamos a operação na China, onde trabalhávamos individualmente e com os parceiros chineses. Agora é diferente, porque no Japão, tanto pela Câmara do Comércio como pelo Embaixador Vitor Sereno, o que se está a tentar fazer é uma promoção conjunta de vários setores portugueses. O setor dos vinhos e o agroalimentar português no Japão, apesar de serem umas gotas no oceano, são dos setores mais dinâmicos e presentes e isso “traz-nos uma capacidade de promoção conjunta, muito maior do que a que teríamos individualmente”.

Planos para o Futuro

Paulo Ramos disse-nos que os planos são crescer, e abordar novos mercados, talvez. “Nós somos “traders”, o nosso ganho de valor, a nossa mais valia face a um produtor que tenha vinhas e uvas próprias está na adaptação do produto ao mercado”.

O que faz sentido, o nosso maior valor, está no conhecimento que temos nos mercados, sobretudo aqueles que são culturalmente mais distantes de Portugal e dos Europeus.

Um mercado que está aqui ao lado, e que nós não abordámos ainda é o mercado da Coreia do Sul, o qual teve um aumento exponencial no consumo de vinho do Porto.

Outro mercado, interessante pelo facto dos nossos parceiros do Japão já estarem instalados é Singapura. A maioria de investimento que existe em Singapura, na hotelaria e restauração, é Japonês, e é relativamente fácil “aos nossos parceiros japoneses implantarem os nossos produtos, ou apresentarem-nos diretamente aos importadores de Singapura”. Essa é a nossa maior valia, porque não temos propriamente um produto/vinho em stock. Isso traz-nos algumas vantagens e desvantagens. Uma das principais vantagens é tentar delinear o produto para o mercado e não o contrário.”

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