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Terça-feira - 13 Janeiro 2026

EXCLUSIVO: De São Miguel a Toronto a jornada continua

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Carlos Botelho, é natural de São Miguel, Açores, e foi para o Canadá para ir em busca de uma vida melhor nos anos 60/70 do século passado. Esteve na tropa, na Guiné-Bissau, mas tentou a todo o custo não ir, pois queria ir para o Canadá, onde já se encontrava o seu pai em Toronto. Fez a Escola Básica, a quarta classe na ilha, e saiu da escola aos 10 anos.

Quando terminou a quarta classe fez uns exames onde atribuíam uma bolsa de estudos, tendo ficado num dos três primeiros lugares. Chegou a casa e contou a boa nova ao pai, que lhe disse que não podia ser, que tinha de ir trabalhar. Pois a sua família era grande.

Era uma casa cheia, o seu meu pai era o único que sustentava a casa, pois nessa altura as mulheres ficavam confinadas ao trabalho caseiro, tratar dos filhos e tomar conta da casa.

O pai tinha vacas, umas 20, no total, mas o “negócio começou a correr mal e abriu falência”. Não sabia o que fazer, com tanta gente à sua responsabilidade, poucos estudos, não sabia ler e escrever, mas lá se conseguiam ir desembaraçando na vida.

Tinha um amigo que veio de férias no verão e “pôs-lhe” na cabeça para ir para o Canadá, lá ganhava-se muito mais dinheiro.

Embalado pela proposta do amigo, não sabia escrever mas foi a cruz que lhe valeu um “passaporte” para uma vida de muito trabalho, mas com muitos mais rendimentos ao fim do mês.

E lá foi para o Canadá, mais concretamente para Toronto. A sua vida nos primeiros cinco anos eram compostos por contratos temporários de 3 meses, até ficar permanente.

“Na ilha não se ganhava nada, e só via uma coisa escura, sem futuro”, desabafou Carlos Botelho. Chegou a pedir ao pai se havia possibilidades de ir para o Canadá como turista, ao que lhe respondeu que não.

A guerra colonial, decorria em África, e Carlos era elegível para ir, pois já tinha 16 anos em 1970.

Naquela altura o seu pai, insistia com as cartas de chamada. “A minha mãe e as minhas cinco irmãs foram para o Canadá, tendo ficado para trás em África, o seu irmão mais velho, em Moçambique, e eu na Guiné-Bissau.

E Carlos esteve dois anos na Guiné-Bissau, depois regressou aos Açores, a revolução aconteceu em Abril de 1974, e em setembro desse ano Carlos chegou aos Açores, em novembro, mais propriamente no dia 29 de novembro de 1974, e depois foi como turista para o Canadá. Ficou uma semana, e depois começou logo a trabalhar.

Os papéis como turista no Canadá

Finalmente a família estava toda reunida. Carlos tinha 20 anos, e a maioridade no Canadá era aos 21. Fez exames médicos em dezembro e de seguida começou a trabalhar nas limpezas, era inverno no Canadá. A neve demorava muito tempo a derreter, ia até à Primavera, o pai trabalhava nas obras e Carlos, foi trabalhar como carpinteiro, mas o seu objetivo era trabalhar para si, porque quando trabalhava na Ponta Delgada esteve como ajudante de carpinteiro, tendo prosseguido a sua arte como carpinteiro, numa empresa italiana.

Trabalhou nessa empresa entre 1975 e 1979, depois em Abril de 1979, começou a trabalhar por conta própria. Mas antes disso, conheceu lá a sua esposa em 1975, casaram, em 1976 tiveram o primeiro filho, Richard, que nasceu em 1977. E começou a empresa em 1979, e depois veio a sua filha em 1984.

Neste momento a sua empresa tem em média 300 a 400 carpinteiros. Teve propostas para regressar a Portugal, inclusive tem um amigo de Lisboa que lhe confidenciou que no Alentejo estão a construir umas casas caríssimas, e que até a Madonna e o Cristiano Ronaldo iam comprar uma casa lá. Mas Carlos não está muito inclinado para isso. Por enquanto encontra-se por terras canadianas, tem o seu negócio e família lá, e a vida prossegue…

Lígia Mourão
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