Sofia Taveira tem formação académica na área de Gestão, cuja licenciatura e mestrado foram obtidas na Universidade Católica de Lisboa. Apesar de ainda ser jovem já tem um background Internacional interessante. Desde a infância que sonha ter novas experiências e conhecimentos de outras culturas por esse mundo fora. Sonhar também é viver…
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Frequentou a escola alemã quando era criança até aos 15 anos, daí o seu à vontade em ambiente internacional e sempre teve o desejo de ir para fora. Quando acabou o curso, trabalhou 3 anos em Portugal e surgiu uma oportunidade de ir para Londres. “Não era o meu sonho, tinha preferência em ir para a Alemanha, por caso do alemão” revela, mas foi a primeira oportunidade e agarrou-a. O salário era muito baixo, mas era a oportunidade de viver fora de Portugal e Londres mudou a sua vida.
A grande mudança foi ao nível pessoal. Na altura não foi sozinha, e o seu parceiro, ajudou-a, mas a nível profissional teve uma progressão muito rápida porque foi trabalhar para uma consultora pequena, um lugar que gostou bastante, cresceu muito e teve uma progressão quer ao nível salarial como de responsabilidade profissional.
Trabalhou nessa consultora três anos, depois mudou-se para uma empresa maior, no qual teve um salto muito quantificativo. Ajudou a melhorar as suas condições de vida e ao fim de mais três anos teve outro salto, tendo ido trabalhar para a Unilever.

Desempenha funções na parte tecnológica, nomeadamente na área de analytics, “a minha função é estar entre as equipas técnicas e o negócio, a garantir que as nossas plataformas que têm dados são entregues e funcionam bem.” Revela.
Quando foi para Londres, especializou-se na área mais tecnológica digital, mais concretamente em analytics, na parte de gestão. Apesar de não ter um background técnico, nem lhe agradar muito essa parte técnica, tem que perceber o que as equipas técnicas fazem para garantir e dar-lhes orientação e que estão a laborar.
Quando chegou a Londres, nos primeiros meses não se sentia realizada por várias razões: As mudanças do tempo e a atmosfera de Londres são um pouco mais cinzentas, mas criar relações humanas é um desafio ainda maior, pois as pessoas são mais individualistas.
Nos primeiros seis meses sentiu-se bastante sozinha. E não tinha programas muito interessantes para fazer depois do trabalho.
Mas não ficou de braços cruzados e decidiu dar o passo numa transformação na sua vida. Começou o seu propósito na altura, pretendia um hobby e preencher uma parte que estava vazia e indo ao encontro de várias oportunidades.
Virou-se para a política local. Já mantinha dentro de si um interesse pela política, apesar de nunca o ter feito em Portugal. O seu interesse era mais ligado ao Partido Conservador, da qual era membro, militante, e tinha um fascínio por Margaret Thatcher.
Começou a ir a eventos em que pudesse participar e encontrou e conheceu muitas pessoas e a partir daí começou a envolver-se e participar em projetos específicos. O que a levou a candidatar-se às eleições autárquicas, às Local Elections.
A maior parte dos portugueses são do Labour Party, dos trabalhistas, não é?
“Sim, e também Liberais Democratas”, refere Sofia, que nutria interesse pelo Partido Conservador e foi candidata pela primeira vez em 2018, um bocadinho empurrada, porque quando começou a participar no partido, o seu objetivo não era fazer política, era simplesmente ajudar, preencher o seu tempo e conhecer pessoas, ir a eventos e ajudar em projetos.
O primeiro grupo de que fez parte era um grupo de Mulheres que queriam fazer eventos e Sofia deu o seu contributo com as redes sociais.
Não gostava de ser candidata. Sofia manifestou esse desinteresse, mas acabaram por convence-la. Foi candidata pela primeira vez em 2018, sem perceber muito bem quais eram os problemas e qual era a sua função, mas como na sua zona não havia possibilidade, em Tower Hamlets, a parte Este de Londres, na altura dominada pelo Partido Trabalhista.
Uma zona muito interessante ao nível de política local, porque, apesar de na altura ser dominada pelo Partido Trabalhista, muitas mudanças aconteceram e neste momento é um partido local que está no poder. Na altura em que se candidatou era uma zona muito interessante de fazer campanha.
Todos os fins de semana estava a bater à porta da casa das pessoas, a entregar panfletos, ir a reuniões locais de planeamento “e o que eu percebi foi, se fizer este trabalho com mais tempo, eu consigo!, exclamou Sofia, toda emocionada.
Esteve envolvida pela primeira vez em 2018 nas eleições e a segunda em 2022, quatro anos depois. Depois de ser candidata, percebeu que gostava de fazer uma campanha com mais tempo, ou seja, na altura decidiu, candidatar-se, pela segunda vez e fez uma campanha “como deve ser”. A primeira tinha sido um “pouco amadora”.
Embora o seu objetivo não fosse propriamente ganhar, pois essa probabilidade continuava baixa, mas pretendia ter um melhor resultado e sobretudo, queria aprender. Queria ocupar o seu tempo a fazer algo útil para a Comunidade e durante esses 4 anos, de 2018 a 2022, aprendeu muito sobre o trabalho de Comunidade, a diferença de estar envolvida em projetos interessantes e que ajudassem a marcar essa distinção, mas a realidade em política é um pouco diferente.
Mas esta experiência ajudou-a e habituou-se a falar com as pessoas, mas sempre na mente de que não queria ser eleita, só estava a fazer aquele trabalho como moradora e deu-lhe muito gosto pelo que fez, “quero estar envolvida nesta área mais social, salienta.
Durante esses 4 anos, trabalhou bastante na parte comunitária e também em estratégia de campanha, que em 2022, não queria fazer mais do mesmo e não voltou candidatar-se.
Como voltar a preencher o vazio
Segundo Sofia, a vida tem de ser mais do que trabalho, segundo a mesma, quando uma pessoa faz, ou tem um estilo de vida preenchido ou faz política, depois sente-se falta de alguma coisa e “andei pelo menos dois anos um pouco à “deriva” e pensar o que é que eu vou fazer?”
Começou a ir a eventos na embaixada de Portugal sempre que havia um evento com a comunidade portuguesa, e pensou: se calhar posso-me ligar mais à comunidade portuguesa e reforçar “a minha” ligação.
Tendo em conta que esteve envolvida bastante tempo na vida política local inglesa, “acabei por perder um bocadinho o contacto com as comunidades portuguesa e sentia-me longe do meu país, então pensei para mim: como é que eu me posso reaproximar?” interroga-se.
O Conselho da Diáspora Portuguesa foi a rampa de lançamento para a integração na vida comunitária portuguesa além fronteiras, e em Julho Sofia incorporou a equipa que já conta com quase 400 Conselheiros a nível mundial e junho de 2025, foi a vez de Sofia fazer parte da família de Conselheiros.
No Reino Unido há uma vasta comunidade portuguesa espalhada um pouco por todo o lado. Os portugueses rendem-se ao som do Big Bang, onde há uma comunidade portuguesa bem integrada e alargada. Também não falta o “Little Portugal”, em Stockwell. Sofia vive em Tower Hamlets e não tem uma comunidade portuguesa alargada.
Stockwell “Little Portugal”
Em Stockwell pode encontrar-se muitas coisas portuguesas e os restaurantes, mercearias onde se vendem produtos portugueses, enchem o estômago, mas também as memórias de Portugal. Quem passa lá o Natal, vai a essas mercearias comprar o bacalhau, o Bolo Rei e tudo o que os portugueses apreciam mais. O “Little Portugal”, foi uma zona onde, por volta dos anos 1970 uma grande comunidade portuguesa emigrou, surgindo então o nome.
Não se sabe ao certo quantos portugueses vivem naquela zona, mas no Reino Unido estima-se que vivam 500 mil portugueses e Sofia neste momento sente-se mais próxima e tem mais um motivo para se ocupar e até ajudar outros portugueses.
O Conselho da Diáspora Portuguesa
“Nós temos vários projetos, estou envolvida em projetos específicos que até se destinam mais a portugueses em Portugal que querem emigrar, e o meu projeto reside em mentoria. Trabalhamos com mentores em Portugal que têm ambições internacionais e providenciamos um membro do Conselho da Diáspora, que já está no estrangeiro que e tem mais experiência podendo aconselhar sobre como procurar o trabalho lá fora, como adaptar-se a uma cultura diferente e como gerir ambientes internacionais, etc.” Exemplifica.
No futuro considera expandir a sua responsabilidade e conseguir ajudar portugueses que estão no Reino Unido, adaptarem-se ou até voltar para Portugal, se bem que nesse caso têm que ser as instituições, porque elas é que sabem, ao certo, como é que podem ajudar.” Diz Sofia.
Uma mensagem aos portugueses para 2026 e para todos os que pretendem emigrar?
“Simplesmente que arrisquem e que não tenham medo de o fazer, porque os portugueses são muito bons a adaptar-se a culturas diferentes, portanto, mesmo, “- e isso aconteceu comigo – ” que não saibam ao certo o que vão fazer, os portugueses arranjam sempre uma forma e têm realmente qualidades que se distinguem das outras culturas, tenho a certeza, mesmo que não saibam ao certo o que é que vão fazer, vão conseguir e arranjar uma forma.” Termina Sofia Taveira de Sousa.




