No Dia 21 de março realizou-se o “Dia Internacional da Poesia” e o Centro Cultural de Belém foi o palco deste evento. Foi um dia pleno onde a poesia foi a rainha. O Jornal Comunidades Lusófonas não podia perder este dia tão importante, que também torna mágico e especial a forma de comunicar notícias. Em entrevista ao Curador convidado do CCB, Nuno Artur Silva, falou-nos sobre o que ali se fez no dia 21. “Foi um dia cheio”, revela-nos o Curador. As salas estavam todas repletas, ao estilo dos grandes eventos que o CCB nos habituou. A poesia sempre foi uma das manifestações mais importantes antes da cultura portuguesa, salienta Nuno Artur Silva e o que “nós decidimos fazer foi celebrar a poesia em língua portuguesa e fazê-lo desta vez, destacando sobretudo a maneira como a poesia tem de ser dita e escutada”.
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Estiveram presentes poetas, livros de poemas e deram destaque especial, sobretudo à maneira como a poesia tem uma existência oral: como é lida, dita, declamada, representada, interpretada, e até misturada com a música, como é cantada, misturada com outras artes, como é o caso do desenho digital em tempo real ou o vídeo, este foi o foco deste ano: a existência da poesia enquanto forma oral.
Foi destaque pelas várias formas de dizer a poesia, usando atores, locutores de rádio que declamaram poemas, bem como envolveram poetas, escritores, intérpretes, estamos a falar à volta de umas 50 pessoas envolvidas.
Começaram com a homenagem a dois poetas portugueses muito importantes, Alberto Pimenta e a Ivete Centeno. Essas homenagens foram feitas por um conjunto de pessoas que leram e falaram sobre a obra destes poetas. Também falaram sobre a importância das letras das canções de Aldina Duarte ou Samuel Úria.
Falou-se sobre os últimos 50 anos da poesia portuguesa com Jorge Reis Sá, Fernando Pinto Amaral e Joana Meirim, António Cabrita, e houve espaço para leituras de Ana Zorrino e de Maria João Luís.
A presença da guitarra e a voz de José Peixoto e Marco Oliveira, marcaram a diferença. E António Jorge Gonçalves a desenhar poemas e a projetá-los em ecrã. O Hip-Hop fez-se representar por Sir Scratch e Muleca XIII. Alex Cortez também este presente mais virado para a palavra cantada.
Algumas pessoas ligadas à rádio ou à televisão também leram poemas, Daniel Belo, Tiago Ribeiro, Maria Flor Pedroso, Paulo Alves Guerra, e Margarida Pinto Correia, vários do universo da RTP. Maria Liz, também esteve presente, e apresentou o seu livro “Enclave”.
Como foi feita a distribuição no CCB no “Dia Internacional da Poesia”?
A entrada foi gratuita. As pessoas entraram no Centro Cultural de Belém, e foi-lhes dado um programa com um mapa das salas, pois houve muitas coisas a acontecer em várias salas ao mesmo tempo.
Teve o seu início às 10:30 da manhã e terminou às 19 horas da tarde, foi um dia inteiro em que, nas várias salas do Centro Cultural de Belém, as pessoas puderam encontrar diferentes propostas e maneiras da poesia lida, interpretada e escutada.
Houve exposições, e projetados poemas, sítios para ouvir, até uma sala silenciosa, onde simplesmente puderam sentar-se a ler um livro. E pelo meio, tiveram uma sala com personalidades da rádio e da televisão a lerem poemas.
Também houve espaço para falar sobre a poesia em língua portuguesa dos últimos 50 anos. Concertos musicais, em sessões de hip-hop, poetas a ler os seus próprios poemas. Homenagens ao Alberto Pimenta e à Ivete Centeno. E um concerto para guitarras com poemas, músicas sobre as cidades. E uma homenagem a Fernando Pessoa, nos 100 anos do seu poema Lisbon Revisited, lida pelo Paulo Pires. O CCB estava cheio e foi um sucesso.
Mudando um pouco a agulha do ponteiro: Hábitos de leitura dos portugueses
Segundo o Curador Nuno Artur Silva, as novas gerações estão a ler mais em ecrãs e, aparentemente, menos em papel. Mas, segundo o Curador, também “se publicam mais livros do que nunca”. E se vendem mais livros do que nunca, mas a literatura é menos lida e dado lugar cada vez mais a outras categorias, como por exemplo, os livros de autoajuda, de uma lógica mais de entretenimento ou de consumo mais imediato.”
As pessoas hoje não leem tanto literatura, tornou-se um género menos lido, mas há novas dinâmicas que temos que observar e estas coisas variam muito, como por exemplo os ecrãs, há sempre mudanças, como diria o Camões, “o mundo está a mudar” e a própria mudança é uma mudança diferente.
É comum ver nos transportes públicos, pessoas a olhar para ecrãs de telemóvel. Antigamente, talvez fosse mais comum olhar e ver pessoas a ler jornais em papel. “Aqui e ali, pessoas a lerem livros em papel”, salienta Nuno Silva.
Hoje em dia, nomeadamente em estações de transporte ou mesmo nos meios de transporte, o que verifica mais são pessoas a olhar para ecrãs. Não sabemos o que é que estão a ler ou se estão a jogar. Mas ainda há quem transporte livros em papel, aquele prazer tátil e a ideia do livro como um objeto que se guarda e que se pode tocar.
“Esse prazer do toque do livro em papel, sobretudo certos géneros literários, por exemplo, a poesia e o livro infantil em que o papel a beleza do formato do tipo de papel, há uma série de “ingredientes” que fazem o livro em papel um objeto que se estima e que gosta de se transportar. Parece-me que a maior parte das pessoas hoje substituem o livro pelo ecrã do telemóvel.” Salienta Nuno Silva.
Uma Mensagem aos português aos nossos emigrantes e CPLP e PALOP?
O Curador começou por dizer que aquilo que nos une a todos é esta pátria maior que o Fernando Pessoa bem definiu, que é a nossa língua, a nossa língua comum, a língua portuguesa, nas suas múltiplas variações consoante os sítios onde ela é falada.
É isto que nos une a este chão comum, que é falarmos a mesma língua na sua riqueza e diversidade. É isto que nos une mais do que tudo, é falarmos a mesma língua e falarmos a mesma língua na beleza da diversidade.
E é na literatura que essa diversidade encontra a sua expressão maior e se há uma coisa que nós nos podemos orgulhar, é que a língua portuguesa, nas suas múltiplas variações, no Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, etc, nas comunidades, tem encontrado sempre manifestações artísticas de grande qualidade, seja na literatura, na poesia, no romance, no teatro, nas letras das canções. Tudo isto é uma forma da nossa língua nos unir e, de celebrar a sua enorme riqueza e diversidade.
Os livros, seja em que formato for, em papel, em ecrã, através da expressão oral: contados, ouvidos. Os áudio livros, as músicas, tudo isso são expressões da nossa língua comum e convido as pessoas a entrarem por esse universo extraordinário que é o universo de língua portuguesa!” Termina Nuno Artur Silva.




