A Arquiteta Marta Rodrigues
Nasceu e cresceu em Monção, no Norte do país. Estudou na Universidade do Minho, onde tirou o mestrado em Arquitetura. Nova Iorque sempre foi um sonho, antes de ir para lá viver foi experienciar a cidade por duas vezes, ficou apaixonada pela vida Nova Iorquina. Um corrupio constante, pessoas sempre em movimento, na vida frenética da cidade dos milhões que lá vivem. A arquitetura está presente em todo o lado, dos prédios mais altos na parte alta da cidade a Downtown com o icónico Soho onde coabitam Little Italy, ChinaTown, Tribeca, e outros bairros, onde as fábricas se transformaram em open spaces de habitação, e as lojas de luxo se espalham pelas ruas.

Marta Rodrigues também não ficou indiferente, a cidade não a apanhou pelo estômago, apesar de haver culinária e restaurantes de toda a parte do mundo. “Era uma cidade que eu gostava muito”, acentua com firmeza a arquiteta, que não esquece de onde veio. Quando terminou o curso em 2012, a crise estava instalada em Portugal e um pouco por todo o lado. Mas esse fator foi determinante e decisivo para que Marta desse o salto, e quando deu por ela já se encontrava na selva urbana dos edifícios que nos fazem virar a cabeça para cima, e nos reduz a pequenos seres a corrupiar de um lado para o outro.
Também nutria o interesse de ter uma experiência de trabalhar fora. Fez Erasmus em Roma um ano, e tinha tinha gostado da experiência, e achava que vir para Nova Iorque, com tantos gabinetes internacionais, lhe podia dar uma vantagem a nível de curricular e ao nível de experiência, que Portugal não oferecia na altura.
Terminou o curso em 2012 e arranjou emprego em 2013. Inicialmente trabalhou num pequeno escritório em Manhattan. “Tudo aqui é diferente”. Revela Marta, “no meu caso, enquanto arquiteta, as coisas mais básicas, como por exemplo, o uso do sistema métrico ser substituído pelo sistema imperial, foi uma verdadeira aprendizagem também. “Saber imprimir os tamanhos das folhas que são diferentes”, a parte técnica, e profissional, “havia muita coisa que eu trazia de Portugal, que não se aplicava cá, e tive que aprender do zero”. Essa é a questão técnica, depois, a nível pessoal, a maneira como as pessoas se tratam aqui, onde impera a informalidade, em Portugal somos mais formais, “a hierarquia é diferente aqui, e achei essa parte interessante”. Os colegas tratam-se pelo nome, independentemente da idade e do posto que ocupam.” Revela.

Em Portugal há o hábito de tratar a pessoa por: Senhor arquiteto, senhor engenheiro, “aqui não, isso não acontece, toda a gente se trata por tu, não há formalidade que existe em Portugal.” Explica.
Depois, a maneira de pensar também é um bocado diferente. Mas também não se pode generalizar. Depende de pessoa para a pessoa. Nova Iorque, é um caso muito específico porque há gente de todo o lado. Não é a métrica dos Estados Unidos, nem bom representante dos Estados Unidos, no sentido em que há tanta gente oriunda um pouco de todo o mundo.
Por exemplo, “no meu estúdio neste momento eu diria que 70% das pessoas são estrangeiros ou de origem estrangeira.” Há muita variedade e a cultura laboral também acaba por advir dessa variedade. Em Portugal, nós não temos, – agora já começamos a quebrar mais essa regra, – mas quando eu vim para cá não havia tanta variedade cultural.” Enfatiza a Arquiteta.
O que é que sente?
Em relação ao conhecimento de Portugal por parte dos Americanos não há muito esse conhecimento, pensam que é o Brasil, há um desconhecimento um pouco generalizado, mas as coisas tendem a mudar. Tem amigos americanos que vão a Portugal de férias e que adoram o clima, alguns a culinária, e as paisagens.
Para a arquiteta não fica muito surpreendida com esse desconhecimento, pois também ela não conhece alguns países de colegas com quem trabalha. “Nunca levei a mal, e há muitos países que eu não conheço e não estou familiarizada e também me pode acontecer.” Refere.
Quando foi para Nova Iorque não tinha a noção, de quão pequeno Portugal é. Em Itália toda a gente conhecia Portugal. Aqui estão mais familiarizados com outros países. “Portugal, para eles somos pequeninos, estamos ali meio perdidos.” Esclarece.
E por esse motivo, segundo a arquiteta, é natural que esse erro aconteça, mas nos nos últimos três anos tem colegas e amigos americanos que vão a Portugal viajar. E já conhecem um pouco o país.
Há quanto tempo trabalha nesse escritório e porquê esse escritório?
“Estou cá há 4 anos.” responde prontamente a arquiteta, e um pouco, por culpa do Francisco, (outro Arquiteto Português que trabalha com Marta), que me sugeriu. Entretanto, saiu e voltou. “Em 2021, estavam à procura de gente, eu quereria mudar de escritório e Francisco sugeriu vir para cá.” Explica Marta.
É um escritório muito grande. E que gostava de experimentar, trabalhou maioritariamente em escritórios mais pequenos. Este é um escritório com projetos maiores, mais internacionais, os outros escritórios onde trabalhou, os projetos eram sempre nos Estados Unidos.
Este novo escritório abriu-lhe outras portas. Dá para fazer outro tipo de design, trabalha com outro tipo de clientes. No escritório anterior trabalhava muito com Organizações que recebem fundos governamentais para ajudar a fazer, hospitais ou “shelters” habitação para carenciados. Mas Marta estava um bocado cansada desse trabalho, e queria experimentar uma coisa diferente. E neste escritório, o tipo de trabalho é o oposto, é um trabalho mais focado em design de luxo, High end, hotéis de luxo. Focada sobretudo em interiores.
Mas Marta não se coíbe em fazer qualquer tipo de movimento arquitetónico, varia muito do cliente e do projeto. O seu movimento arquitetónico preferido é contemporâneo. Nutre o trabalho de Álvaro Siza Vieira, e estrangeiro, tem predileção pelo eterno Le Corbusier, um “mestre da arquitetura” com acento tónico francês.




