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Sexta-feira - 19 Abril 2024

EXCLUSIVO: “Em Xangai verifica-se a maior concentração de tecido empresarial português”

Destaques

Cônsul Sílvia Inácio no Gabinete do Consulado, em Xangai.

Num país tão grande como a China, tudo é medido à proporção, e é em Xangai, com cerca de 26 milhões de habitantes que Portugal abriu um Consulado e que abrange outras províncias que também são estratégicas na dinamização da cultura e economia. O confinamento logo no início de 2020, alastrou-se por todo o mundo, mas quem mais levou as medidas a “sério”, foi a China. Pois o Confinamento durou até 2023. Estava já o mundo na sua vida “normal”. A Cônsul portuguesa foi destacada e ainda decorriam muitas restrições e são se livrou de uma quarentena no hotel antes de entrar na cidade. Abriu-nos o “livro do Consulado” e falou-nos o que é Xangai, a comunidade portuguesa e os laços entre Portugal e China.

A Cônsul de Portugal está em Xangai, China desde julho de 2022, Silvia Inácio, ainda apanhou a fase final do Covid na China, quando a maioria dos países começavam a libertar-se das regras do Virus ,“aqui nessa altura tinha acabado o grande confinamento da cidade que ocorreu na primeira metade de 2022”. “Cheguei a Xangai após o confinamento, mas em julho desse ano ainda teve de fazer quarentena no hotel, antes de poder entrar na cidade e – na altura ainda subsistiam as regras, com testagens todos os dias, foi durante num período de seis meses. A partir de janeiro de 2023, a cidade ficou completamente diferente, e a vida voltava ao normal.




Time To Taste Portugal in Shanghai – Junior Edition, altura em que entregámos mais de 70 livros em língua portuguesa, oferecidos pelo Camões, Instituto de Cooperação e da Língua, aos alunos de português da Shanghai Foreign Language School (Escola secundária afiliada à Universidade de Estudos Internacionais de Xangai). Foto tirada no restaurante português Viva!, em Xangai, onde decorreu a atividade, organizada em conjunto com o Turismo de Portugal na R.P. China, e que incluiu um workshop de pastéis de bacalhau, que foi muito popular!

Desde o desconfinamento, a qualidade de vida de todos, inclusivamente a dos cidadãos portugueses melhorou bastante. Os pedidos mais solicitados no Consulado na altura do Covid era manifestamente assuntos mais recorrentes: a dificuldade de circulação, e mobilidade estavam no topo das preocupações dos portugueses que se falavam com o Consulado.
“Hoje em dia voltámos aos temas habituais”, refere a Cônsul de Xangai, Sílvia Inácio. Os assuntos mais abordados voltaram a ser os de sempre, registo civil, renovação de documentos, e outros que fazem parte do dia a dia de um Consulado.

Como referi anteriormente cheguei em julho de 2022 e muitas pessoas já tinham deixado a China durante esse o período. Foram quase três anos de confinamento, alguns portugueses nesse período acabaram por sair da China, para evitar essas regras e confinamento.

Xangai é uma cidade que tem características diferentes, a comunidade portuguesa acaba por se caraterizar mais por altos e médios quadros de empresas, empresários em nome individual, professores, etc. A comunidade portuguesa em Xangai não é muito grande, porque estamos numa cidade com quase 26 milhões de pessoas, “temos cerca de 750 portugueses, na comunidade, neste momento”.

Em 2006, “o Consulado abriu, desde logo, em conjunto com a AICEP, na mesma localização – o que evidencia aqui a importância do eixo da diplomacia económica, pois foi o primeiro consulado a abrir nesses moldes. E depois juntou-se a nós, em 2014, o Turismo de Portugal na R.P. China, que tem aqui sede e partilha também a mesma localização, e cobre a partir daqui a China toda, isto porque é desta área que saem a maioria dos turistas Chineses para Portugal, fazendo assim todo o sentido que estejam aqui sediados.

O perfil da comunidade acompanha assim as próprias caraterísticas do posto: Xangai é um sítio muito dinâmico economicamente, uma cidade “power house”, aqui na Ásia, atraindo por isso importantes quadros empresariais”.

A China é um grande mercado e Xangai , é exemplo disso, e verifica-se a maior concentração de tecido empresarial português, nesta zona, “porque nós, em Xangai acabamos por cobrir uma grande área, que não se restringe somente a Xangai, abrangendo também as províncias de Zhejiang, Jiangsu, Jiangxi e Anhui.” Aponta a Cônsul

Estas províncias acabam por ser também praticamente economias equivalentes às economias de países, falando da província de Jiangsu, que “se fosse um país seria a décima segunda economia mundial”. A escala de tudo isto vê-se “e daí que se justifica que a maior concentração de tecido empresarial português seja aqui nesta zona.”

Nesta zona há muitos Professores, Engenheiros, Arquitetos, Empresários em nome individual, e altos cargos de empresas.


Manter viva a Cultura Portuguesa em Xangai

“Temos a felicidade aqui em Xangai, e nas províncias que cobrimos de haver um grande interesse na língua portuguesa.” Na China em geral cerca de 60 Universidades têm cursos de português, e aqui em Xangai, temos um departamento de estudos portugueses, na Universidade de Estudos Internacionais de Xangai”. Que coloca vários licenciados por ano a falar Português, no mundo do trabalho.

O interesse da língua portuguesa advém muito porque é sempre mais abrangente do que o interesse por Portugal, porque para além de Portugal é língua oficial de outros países, isso é fator de atratividade por parte dos jovens chineses que pretendem dominar a língua por razões profissionais. Porque lhes abre portas e “temos aqui em Xangai um projeto piloto, que nos diferencia na China continental, e que é muito interessante, que é o ensino do português aos mais jovens.”

Para além do ensino universitário, temos também um projeto piloto ao nível do ensino secundário, direcionado aos mais jovens. “Esse projeto em que temos interagido é muito gratificante pois temos feito também atividades com eles.

As atividades centram-se em torno “dos eixos” do conhecimento da língua e da literatura portuguesa. Fizeram salões literários, a propósito do centenário da escritora Agustina Bessa Luís, e do centenário de José Saramago. “Realizámos no ano em que cheguei, em 2022, em parceria com o Consulado-Geral do Brasil, uma exposição sobre a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, em novembro de 2022.

E ao longo de 2023 fizeram mais serões literários, incluindo Eduardo Lourenço no Portfólio. Fizeram já uma Mostra de cinema em língua portuguesa, e um espetáculo de fado com a fadista Cuca Roseta, que fez muito sucesso, esgotou em menos de 20 minutos, era um concerto com mil lugares, note-se aqui a vontade e interesse pela cultura portuguesa.

Foi um sucesso, conhecem muito bem, a arte portuguesa, e é interessante ver porque é um país muito distante no nosso imaginário, mas chegamos aqui e em qualquer livraria nos “escaparates principais temos sempre Saramago e Fernando Pessoa”. São muito populares aqui, as pessoas conhecem, gostam, são muito conhecedores do fado.

Também conhecem os pasteis de nata, “há em todas as pastelarias”. Nesta perspetiva, já fizemos em conjunto com o turismo de Portugal, uma atividade denominada “Time to Taste Portugal in Shanghai”, que se dedicou à gastronomia portuguesa. O povo de Xangai é muito curioso, gostam muito de experimentar tudo que seja pratos novos, pratos internacionais, e gostam muito de comida. Há muita restauração por aqui.

“E é nestas iniciativas que gostamos de apostar e vamos continuar a apostar, e reforçar se for possível, porque aqui tudo esgota rapidamente”, são ávidos de conhecimento. Gostam muito de saber mais, e o público é muito diverso. Vê-se estudantes até pessoas de mais idade, surgem nos eventos, “abordam-me, gostam saber mais de Portugal, gostam de interagir pessoalmente, vêm ter comigo, no final perguntam sobre Portugal, têm e fazem planos de ir a Portugal. E quem visitou contam-me sempre as melhores experiências.

O espetáculo da Cuca Roseta incluiu por esse mesmo motivo pela promoção da interculturalidade, que é de facto um ponto muito forte na relação bilateral entre Portugal e a China, o “People to People Contact”, e a interculturalidade, desempenham um papel muito importante na nossa relação.

Então surgiu ideia de acrescentar um segmento dedicado à Ópera de Pequim também, no intervalo do espetáculo. “Foi muito apreciado aqui pelo público, porque quando se viu as artistas em palco, e toda a elegância do fado, e toda a elegância da Ópera de Pequim, complementavam-se, e demonstrava mais pontos de aproximação, do que de distância entre culturas.

Conhecem muito bem o vinho português. Dizem que é um país com muito sol, e caracterizam muito os portugueses pela sua simpatia. Têm uma boa impressão dos portugueses. Veem-nos como um país de cultura, e com produtos de grande qualidade na área agroalimentar, hoje em dia já veem o país mais virado para a área digital, para a inovação, e na ciência em Tecnologia, “que é algo que aqui nesta economia, desempenha um papel muito importante.”

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