Daniela Bardo é a Presidente da Associação EMAUS, é casada com um português e considera-se mais portuguesa que muitos portugueses, aprecia tudo o que é de Portugal. Encontra-se nesta associação no coração da cidade Belga há muitos anos. Tem a responsabilidade de dirigir o movimento associativo, mas depois da pandemia, foi particularmente difícil fazer com que as pessoas regressassem à Associação. O seu marido também faz parte da Associação há muitos anos e Daniela Bardo acompanha-o em todas as jornadas.
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Daniela Bardo, conhece a Comunidade portuguesa em Bruxelas há 20 anos. Viveu algum tempo em Portugal com o marido, mas depois regressaram a Bruxelas. É Italiana e fala muito bem português, há uma proximidade no léxico e isso também facilita a aprendizagem da língua, bem como a sua integração na comunidade lusa.
A Emaus é uma associação nascida nos anos 70, que fica no bairro Ixelles. No final dos anos 60/70, havia uma forte imigração portuguesa que chegou à Bélgica, especialmente a Bruxelas. A cidade é dividida em 19 comunas “e nós estamos na freguesia de Ixelles e outra Saint-Gilles. Nos anos 70 fiquei ligada a este bairro porque havia muitos portugueses, Ixelles, onde se encontra a nossa associação que fica numa praça bastante central e onde há uma igreja perto. Nesta igreja ia e vai muitos portugueses, porque a missa era e é feita em português, salienta a Presidente”. É uma comunidade católica e também servia de ponto de encontro dos portugueses, que à época, nos anos 70 havia muitos ilegais, pois Portugal ainda não pertencia à União Europeia.
Qual é o âmbito da Emaus?
A Emaus, é uma Associação sem fins lucrativos que tem o objetivo de reunir a comunidade portuguesa em Bruxelas. E com a sua existência também serve para aproveitarem os tempos “livres”, juntarem-se, socializar, confraternizar uns com os outros. Também podiam frequentar cursos de português, que à época, na década de 70 a Associação providenciava. Também havia cursos de francês, reconhecido pelo Ministério da Educação da Bélgica. Era uma Associação bastante ativa e fervilhante com várias atividades que ali se faziam.
Com o passar dos anos foi-se verificando algumas mudanças e a Associação foi perdendo protagonismo, nomeadamente a partir dos anos 80, 90. Há mais de 20 anos, a mundialização era a nova ordem mundial, o mundo seria uma aldeia à escala global. Os computadores, esses bichos estranhos que eram acompanhados de ratos, vieram mudar o paradigma das sociedades. Estávamos a entrar na era digital e a internet já fazia parte do dia-a-dia. Na Associação, para acompanhar estes novos tempos começou a ensinar aos seus associados a usar esta nova ferramenta. Pois muita gente não tinha computador em casa.
Com a evolução da internet, já era possível falar com os seus mais queridos que estavam em Portugal e o Skype foi a solução. Ensinaram também a escrever e-mails e outras ferramentas que os computadores tinham.
Havia um grupo de 10 pessoas que davam um curso por semana. Com diferentes professores, que ensinavam em regime de voluntário. Os cursos de português, Inglês, e outros cursos eram ministrados gratuitamente, também havia curso de costura, uma forma de agregação em que as pessoas gostam de ficar junto à comunidade.
Com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, em 1986, trouxe mudanças, os cursos de português estão sob os auspícios da Embaixada Portuguesa. Agora é mais difícil encontrar pessoas que não tenham a primeira classe, quem sai de Portugal e vem para a Bélgica, tem uma formação superior, por isso este curso já não é necessário.” Adianta Daniela Bardo.
O recurso ao ensino caiu, mas os cursos de informática são bastantes concorridos, a era tecnológica avança a um ritmo alucinante. Ensinavam línguas, porque nem todos os portugueses sabem falar francês e há cursos deste idioma francófono.
Depois da pandemia, tudo foi fechado, as pessoas ficaram isoladas em casa e mais tarde quando se dá o desconfinamento perdeu-se um pouco o hábito de ir à Associação. “Estamos agora a reaprender e retomar a atividade associativa, para nos mantermos abertos tivemos que tomar algumas medidas para que a Associação não morra”, como referiu a Presidente, começaram com cursos de costura essencialmente para mulheres. Que é também uma espécie de bálsamo para a cabeça, enquanto costuravam não pensavam em mais nada e sentiam-se mais relaxadas, o que as motivava a regressar.
Também há workshop de culinária e que funciona mais agora. “Fazemos um almoço uma vez por mês e é aberto a todas as pessoas, mesmo que não sejam portuguesas que vêm degustar a gastronomia portuguesa, fazemos um prato tipicamente português. Também há o mercado de Natal, que é um mercado feito para nós, organizado para nós, no qual o grupo de costura faz trabalhos para a Associação depois vender, para comprarem coisas para a casa, porque é velha e precisa de obras.” Salienta.
Quantas pessoas fazem parte da Associação neste momento?
Cerca de cinquenta inscritas. “Mas não pedimos obrigatoriedade em inscrever-se, há muita gente que vem de vez em quando e outras que nem aparecem. Quando há uma atividade vêm, mas a comunidade mudou muito. Quando há costura as pessoas vêm à la carte.”
Presentemente há outra atividade que “fazemos que está ligada a uma federação aqui na Bélgica, em Bruxelas e fazem parte outras associações, que é a festa do 10 de Junho, o dia de Portugal. É uma festa que se abre muito mais à comunidade, não conta apenas com portugueses, porque se situa numa zona de Bruxelas aberta, é um parque grande onde se realiza esta festa, com comida típica, – um pouco como as festas dos Santos populares em Portugal – e aqui o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, dá visibilidade à comunidade portuguesa no bom sentido, porque é uma festa alegre, com música comida e dura um dia,” organizada com outras associações, sempre em regime de voluntariado.
A comunidade portuguesa está bem integrada em Bruxelas, há muitas nacionalidades, mas a comunidade portuguesa está bem. O bairro tem uma conotação muito portuguesa. Havia muitas lojas, pequenos restaurantes portugueses, mas infelizmente com o passar do tempo vão desaparecendo, porque as modas vão mudando. Era uma zona bem portuguesa e típica, com lojas e espaços portugueses abertos ao público.
Uma mensagem que queira transmitir?
“A Mensagem que eu quero dar é que a Comunidade portuguesa é uma comunidade aberta, que dá uma boa imagem de Portugal. Não só a culinária mas também fazemos outras atividades tipicamente portuguesas. Temos workshops de azulejo, pintura…, é uma comunidade que tem uma boa imagem do país e que é transmitida ao resto da população da Bélgica e de Bruxelas, neste caso concreto”, termina desta forma a Presidente da Associação Emaús, Daniela Bardo.

Lígia Mourão
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