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Terça-feira - 13 Janeiro 2026

Exclusivo: Embaixador em Washington – “Os Portugueses neste momento tendem emigrar mais para a Florida e Texas”

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Créditos: Michele Marques

Os tempos são de mudança, os fluxos migratórios dentro dos Estados Unidos são muito antigos, mesmo antes da migração europeia naquele continente. Estivemos à fala com o Embaixador de Portugal em Washington, que nos revelou como se “comporta” a comunidade portuguesa nos últimos quarenta anos naquele país. Segundo o Embaixador, tal como os americanos, “também os portugueses migram dentro do país e esta tendência tem sido cada vez em maior número para a Florida e Texas.”

Evento “European Union Open House 2024”, créditos: Embaixada de Portugal

Segundo dados da embaixada os portugueses que vivem em Washington DC e arredores, a comunidade portuguesa concentra-se mais no Norte da Virgínia e no Sul de Maryland, que rondam os 10 mil.

A área consular, que é acompanhada pela secção consular em Washington, tem 6 postos consulares nos Estados Unidos. E a Embaixada tem uma secção consular que acompanha quase 30 Estados, ou seja, mais de metade dos Estados americanos.

Hoje em dia, há bastante mais do que a zona de Washington DC, a capital, e estão também no Texas, e na Florida. São talvez os Estados onde está a aumentar mais a concentração de portugueses e de luso-americanos, muito por causa da migração interna, como outros americanos, os luso-americanos também o fazem, migram internamente num país desta extensa dimensão geográfica e populacional.

Quando há falta de emprego denota-se uma movimentação de pessoas de uns estados para outros, é histórico. Ainda funciona assim ou nem por isso?

“É isso mesmo”, menciona o Embaixador, por causa desses fenómenos, especialmente a Florida e o Texas, estão a ter maiores concentrações de portugueses. E muitas vezes, até por razões laborais, mas também por razões fiscais, até porque as pessoas quando se reformam vão viver para a Florida e com elas levam parte da família.” Refere o Embaixador.

Em termos de profissões os portugueses trabalham em todas as áreas. Mas nos últimos 40 anos não há grandes fluxos migratórios de Portugal para os Estados Unidos. Grosso modo as comunidades “que temos hoje em dia são essencialmente compostas por pessoas que são de segunda, terceira, até quarta geração ou mais, e muitas delas se identificam como portugueses.” Adianta o Embaixador.

Algumas têm nacionalidade portuguesa mas já em menor número. A maior parte dessas pessoas são, como qualquer outro americano, fazem um pouco de tudo na sociedade e no mercado laboral. Aliás, “os estudos que temos sobre as comunidades portuguesas, indicam não só que os portugueses se tendem a integrar muito facilmente nos Estados Unidos. Como também os da segunda geração, têm já características que os identificam muito como qualquer outra comunidade norte-americana e isso leva a que hoje em dia, sendo a Comunidade essencialmente constituída por segundas, terceiras, quartas, gerações, façam um bocadinho de tudo.” Explica o Embaixador.

Segundo o responsável da Embaixada, refere que mais especificamente na zona de Washington, há várias empresas médias e grandes que são de portugueses, na área da construção, na reparação de estradas, de autoestradas e tratar de zonas urbanas. O traço português de várias empresas Portuguesas ou fundadas por portugueses são muito fortes na área em Washington e arredores.

Como tem sido a vida dos emigrantes portugueses com esta nova administração?

Sobre esta temática o Embaixador, disse: “o que temos sentido até agora é que os números de expulsões, de regresso a Portugal e, estamos a falar naturalmente de pessoas que têm só a nacionalidade portuguesa. Os números são relativamente equivalentes a outros anos. É preciso sempre dizer que há aqui dois casos em termos jurídicos diferentes. Há soluções que resultam da condenação por crimes e depois é associada a uma pena acessória de expulsão, coisa que qualquer país no mundo faz em relação a estratégias condenados por crimes.

Depois há um segundo grupo que são as pessoas que vêm em turismo e vão ficando. Essas pessoas são simplesmente detetadas. E é-lhes aplicada uma sanção de regresso ao seu país, portanto, há estes dois casos diferentes. A embaixada está atenta aos dois tipos, naturalmente, e acompanha as situações destas pessoas. Mas como digo, os números em geral não têm sido muito diferentes de anos anteriores. São algumas dezenas, estamos perto da centena de casos. O que, comparando com outros com outros anos, não, é muito diferente”. Assegura o Embaixador.

A embaixada tem dado apoio às pessoas que precisam da secção consular e da Embaixada. Normalmente em casos como a emissão dos documentos, porque há pessoas que às vezes, e uma vez que já estão há muito tempo nos Estados Unidos precisam da renovação dos seus documentos para regressarem a Portugal.

Como é que os Americanos veem a Comunidade portuguesa? Os portugueses sentem-se discriminados ou não?

“Não temos tido indicações de discriminações em relação à comunidade portuguesa,” assegura o Embaixador. Os estudos sobre as comunidades portuguesas e luso-americanas nos Estados Unidos têm indicado sempre de forma contínua e sustentável, que os portugueses se integram com bastante facilidade e logo na segunda geração têm, por exemplo, níveis de escolaridade média, como a Norte-americana ou às vezes, até dependendo dos Estados, um bocadinho acima da média.

Há associações portuguesas na zona de Washington, de cultura, música, folclore?

Na zona próximo de Washington há poucas associações, há uma mais ativa no Norte da Virgínia, numa área chamada Manassas. Com quem têm contacto muito próximo e que vão regularmente à Embaixada participar em eventos e “nós vamos também participar em eventos associativos, culturais, religiosos, organizados por essas associações.” Revela o Embaixador.

Da grande área de Washington não há muitas associações, mas no Estado onde se verificam um maior número de associações portuguesas neste momento é o Estado da Florida.

“Já visitei algumas, não todas, e neste momento, julgo estão na constituição de uma associação de portugueses no Texas. E temos noutros sítios onde se concentram portugueses”, observa.

Uma Mensagem aos portugueses que pretendem emigrar para os Estados Unidos ou aqueles que já estão emigrados?

Aqueles que já estão nos Estados Unidos, “a minha mensagem é que contem connosco, com a embaixada, com os consulados, para lhes dar todo o apoio que precisarem, para nos fazerem chegar as indicações que acham úteis para nós irmos sempre melhorando o nosso trabalho e apoio aos portugueses e aos luso-americanos que aqui se encontram.

Para os portugueses que pensam de alguma forma vir estabelecer-se nos Estados Unidos. A nossa mensagem tem sido sempre a mesma. Façam sempre com uma base legal muito sólida, ou seja, quando tiverem um contrato, visto de trabalho, e nunca tentem ficar naquela situação de virem só em turismo e depois irem ficando. Porque essas situações têm dado ao longo dos anos muitos dissabores.

Algumas situações difíceis, pessoas que vão ficando acabam por constituir família, estabelecem-se e quando são alvo de sanções de repatriamento, de expulsão para o país de origem, muitas vezes ou nalguns casos já estão aqui há muitos anos e criam-se situações humanas difíceis, e para evitar isso, o nosso Conselho é sempre que venham para os Estados Unidos, ou outro país, que o façam com um visto e com um contrato de trabalho. Que é essa a forma mais segura” aconselha o Embaixador.

Lígia Mourão
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