Ana Catarina Silva nasceu em Lisboa há 46 anos, e residiu em Almada durante 23 anos. Fez a licenciatura em Química na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e após terminar o curso, ingressou num estágio em Itália, na cidade de Milão. A realidade de hoje é um pouco diferente à época, onde os estágios internacionais não estavam muito desenvolvidos, e o empreendedorismo não fazia parte do léxico da altura. Ana Catarina Silva aventurou-se em Milão e adorou a experiência, apesar de atualmente estar a viver na Suécia, costuma dizer que tem alma Italiana. Mas o seu coração mora em Estocolmo.

Viveu sempre em Almada, mas tinha uma enorme curiosidade de sair do país. E foi o que fez, esteve seis meses a estagiar em Milão na Universidade de Bicocca, em Química Orgânica, e após esse estagio decidiu concorreu de imediato a um doutoramento. Juntamente com um professor da faculdade de Milão, e uma professora da Faculdade de Ciências, fizeram uma candidatura à FCT, e ganhou a bolsa, tendo iniciado um doutoramento europeu em Quimica Orgânica-Carbohidratos, na Faculdade de Ciências e Universidade de Bicocca, em Milão.
Perguntamos-lhe porque motivo foi viver para Estocolmo, ao que nos respondeu que o fez por dois motivos: amor e trabalho.
Quando esteve em Milão apaixonou-se pela língua, demorou um ano a aprendê-la, mas quando a dominou, foi um idioma com o qual se identificou bastante, bem como a cultura, de uma forma geral.
Estudava em Milão, mas convivia com muitas pessoas da zona da Sicília, da ilha, “e essa Comunidade, lembrava-me a região de onde vêm os meu pais, de Braga, no Norte, e eu acho que tenho uma veia nortenha.” Afirma Ana Catarina Silva.
Fez o doutoramento entre Portugal e Milão e após terminar os estudos teve uma proposta para um Pós-doc em Estocolmo. Foi durante esse período de 8 meses em Estocolmo que conheceu o que é hoje o seu atual marido. Encontrou uma cultura oposta a tudo o que eu já tinha vivido, fez os seus 30 anos poucos dias antes de chegar à capital Sueca.

Há 16 anos deparou-se com uma cultura que desconhecia, hábitos diferentes, tendo em conta que vinha de Itália e convivia com Sicilianos. “Nem estamos a falar da cultura portuguesa . Estamos a falar de uma cultura de improvisos.” Explica a empreendedora.
Um Choque cultural tremendo!
“Sou uma pessoa extremamente espontânea, adoro organização, trabalho em dispositivos médicos e trabalho com controlo de qualidade, desenvolvimento, inovação, , sou uma pessoa de ciências, muito organizada, com um pensamento muito analítico, mas a personalidade é de festa, convívio, paródia, e alegria.” Refere a investigadora.
Mas na Suécia também encontrou uma oportunidade de trazer alegria e convívio. E às vezes costuma dizer a expressão de quando um elefante entra numa sala e causa aquele efeito, “ e eu gosto desse efeito, gosto de motivar/cativar as pessoas, principalmente agora, na função que exerço como conselheira estratégica em Startups, participando de Advisory Boards.” Exemplifica Ana Catarina Silva.
A Suécia tem uma sociedade que não lida muito bem com confrontos. É uma sociedade em que todos têm que fazer parte da decisão. Não há hierarquias, mas às vezes é preciso uma ajuda para que
as decisões sejam tomadas e “eu com alguma facilidade, não tenho receio de correr riscos, se correr mal resolve-se, tudo tem solução!” Explica Ana Catarina Silva.
A vida académica continuou…
Fez outro Pós-doc, durante dois, três anos, entretanto vem o primeiro filho e tomou a decisão profissional de ingressar no mundo empresarial, saiu do mundo académico e começou a trabalhar numa Startup, na criação e desenvolvimento de dispositivos médicos para recém nascidos. E deparou-se num mundo, com o qual na altura Portugal não tinha esse tipo de possibilidades nem oportunidades.
Mudou-se para a Suécia definitivamente, há mais de quinze anos. Trabalhou muito durante estes anos todos, no desenvolvimento de dispositivos médicos.
Até que há cerca de dois anos, infelizmente o mercado teve alguns desafios, a guerra, a inflação.
E a Suécia sofreu um bocadinho esse abalo, e Ana Catarina Silva como trabalhava com Startups, que normalmente eram subsidiadas por Angels Private Owners as empresas fecharam, dando-lhe a oportunidade de mudar o seu rumo profissional e usar a sua experiência profissional a fazer aconselhamento estratégico.
Atualamente é Diretora de Operações “Chief Operating Officer (COO)” da Cell2Bio, uma empresa de biotecnologia na Suécia, onde lidera a estratégia operacional e regulatória. Paralelamente, desempenha funções como conselheira estratégica (strategic advisor) em vários programas de aceleração de startups nos países nórdicos, onde apoia equipas fundadoras no desenvolvimento de produtos na área da FemTech, estratégia de entrada no mercado e preparação para investimento. Desempenhas ainda o cargo de vice-presidente da SPOT Nordic, uma associação sem fins lucrativos que apoia e conecta profissionais portugueses a viver na região nórdica, promovendo talento, colaboração e diplomacia científica.
Enquanto emigrante, mantém uma forte ligação às suas raízes e sente um orgulho imenso em representar o talento português em contextos internacionais. É essa ligação que a motiva diariamente a criar pontes, a apoiar outros portugueses e a contribuir para uma comunidade global mais conectada, inovadora e humana. É uma mulher de garra, muita vitalidade, e grande sentido de responsabilidade…Mas, onde fica a saudade?!




