Da esquerda para a direita, Marisa Borsboom, Maria Luís Albuquerque, Secretária de Estado da Economia, e Eduarda Queirós.
O seminário Diplomático ocorreu de 6 a 8 de janeiro de 2025, em Lisboa e no Porto. Foram três dias de intensa reflexão de Portugal e o seu papel no mundo da diplomacia. Desafios das novas realidades políticas.
O Seminário Diplomático trouxe consigo não só as reflexões urgentes da política externa portuguesa, mas também um símbolo de descentralização: pela primeira vez, Lisboa e Porto partilharam o protagonismo deste encontro anual. Entre o Museu do Oriente e o Palácio da Bolsa, as discussões oscilaram entre o passado, o presente e o futuro da diplomacia, num equilíbrio que é tão português quanto universal.

No primeiro dia, em Lisboa, as palavras do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, ecoaram como um chamamento à responsabilidade. Citando Agustina Bessa-Luís, descreveu o mundo como uma “tempestade funesta”, um cenário que exige uma diplomacia à altura, capaz de enfrentar crises globais sem perder o foco na humanidade. O centenário de Mário Soares serviu de inspiração: um homem que, em tempos igualmente incertos, nunca hesitou em defender a liberdade e a solidariedade.
Mas foi na intervenção de José Manuel Durão Barroso que os olhares verdadeiramente se fixaram. Substituindo Ursula von der Leyen, Barroso lembrou que a Europa, tal como o mundo, não pode ser refém da inércia. A sua mensagem foi clara: ou aprendemos a cooperar de forma adaptativa e proativa, ou enfrentaremos um futuro fragmentado.
O último dia, no Porto, trouxe um toque de frescura ao evento. No majestoso Palácio da Bolsa, o foco deslocou-se para o Atlântico, com o Brasil no centro das atenções. O discurso do Ministro Mauro Vieira, ao apresentar a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, foi um lembrete de que a diplomacia não se faz apenas de tratados e negociações, mas também de gestos concretos em prol da justiça social. O apoio de Portugal à iniciativa reforça uma aliança histórica que vai muito além dos laços linguísticos.
Este seminário foi mais do que um evento; foi um retrato do que a diplomacia portuguesa pode e deve ser. Ao escolher o Porto como palco final, Portugal reafirmou que a condução dos assuntos externos não deve ser exclusividade da capital, mas sim um reflexo de todas as suas regiões. Essa descentralização, ainda tímida, aponta para um futuro onde a política externa pode estar mais próxima dos cidadãos, tornando-se mais representativa e inclusiva.
Entre Lisboa e o Porto, entre reflexões sobre o passado e ações concretas para o futuro, o Seminário Diplomático 2025 mostrou que a diplomacia portuguesa continua a ser, acima de tudo, um exercício de equilíbrio. Um fio invisível que liga os interesses nacionais a um mundo em transformação, mas que nunca perde a sua essência: humanidade e empatia.
Que esse fio nunca se parta.
Correspondente no BENELUX Marisa Borsboom




