Pedro Simões é português, tem 39 anos e estudou na Universidade Nova de Lisboa, em Engenharia do Ambiente e fez mestrado em Saneamento e Hidráulica. Depois da faculdade começou a trabalhar numa empresa no Estoril, que apesar de todos os trabalhadores serem portugueses, a empresa era alemã. Trabalhou lá cerca de quatro anos. E durante esse tempo também esteve envolvido em alguns projetos em África, a representar essa empresa alemã, que também tinha uma sucursal em terras lusas, a Gauff Engineering.
Artigo Exclusivo para subscritores
O salto do mundo académico para o profissional foi muito rápido. A empresa alemã em que estava a trabalhar tinha outras sucursais espalhadas pelo mundo. E uma delas era também no Gabão, Angola, Moçambique, entre outros países. Enquanto Pedro estava a trabalhar no Estoril, teve uma oportunidade de realizar um projeto no Gabão.
Em Portugal a empresa estava a atravessar algumas dificuldades e manter-se em pé e o encerramento foi inevitável. Uma das pessoas responsáveis pela fundação dessa empresa em Portugal foi falar com todos os trabalhadores, incluindo com Pedro, e perguntou-lhe se queria seguir com a empresa, Gauff, pois havia uma vaga em Angola e ele aceitou, tendo ficado lá a trabalhar até 2014.
Em 2015, o diretor de águas da empresa principal da Gauff estava a gostar do trabalho de Pedro em Angola e convidando-o para fazer um projeto com eles na Alemanha. Pedro Simões aceitou. Inicialmente o projeto era de pequena duração, (duas ou três semanas), mas depois desse projeto apareceu outro e aos poucos foi ficando na Alemanha. Agora trabalha para a empresa principal e fizeram-lhe um contrato de trabalho.
Inicialmente esteve em Nuremberga e agora está noutra empresa a Fränkische. Está a trabalhar numa indústria que oferece um segmento para carros, e outro segmento ligado à “Building Technology”. No fundo tem a ver com todas as infraestruturas dentro de uma casa. Construção de tecnologia, e que está relacionado com a infraestrutura dentro de uma casa: condutas, cabos elétricos, cabos de internet, etc.
Mas o departamento onde está é o departamento de drenagem. “Nós somos especialistas em soluções de sistemas de drenagem de águas pluviais, somos uma indústria, produzimos os produtos”. Revela.
A empresa onde trabalha já existe há mais de um século, está no mercado há 120 anos. Com uma experiência nesta área há mais de 50 anos.
O governo alemão tem investido muito nos sistemas de drenagens de águas pluviais. E existem muitas leis, normas que vão sendo cada vez mais estritas. E a empresa onde o Engenheiro português está, tem pessoas que estão nestes setores de gestão de água.
“Vão ser as leis que vão aparecer no futuro”, revela Pedro. E preparam a captação das águas pluviais, numa cidade. A cidade, é uma selva de betão. E está tudo impermeabilizado. Ou seja, quando chove, na estrada de Alcatrão, ou em cima de um edifício de betão, a água não tem por onde ir, não drena.
E o que acontece é que se chover muito, pode haver problemas de inundações. Que é o que acontece com frequência, quando chove muito, as águas numa estrada vão para as sarjetas, só que não existe, em muitos países, mesmo da Europa, nenhuma lei que diga que esta água, que depois vai para a sarjeta, e de seguida vai para condutas e no final vai para um rio, ou oceano, ou para uma estação de tratamento de águas. Não existe nenhuma lei específica, em Portugal, que a água tem de ser tratada a um certo nível.
Mas na Alemanha existem estas leis todas, eu tenho uma casa e sou responsável pela água que cai no meu terreno, tenho que pagar à Câmara uma certa taxa para transferir a responsabilidade das águas que caem no meu terreno, como também de uma grande zona industrial ou de uma zona comercial, toda esta água das chuvas tem de ser gerida, tem de ser transportada e ser tratada.
Água pluviais e o seu tratamento
Para que a água de um rio não fique poluída, é essencial o seu tratamento, por exemplo a água que cai numa estrada cheia de óleo e outros detritos acaba por ir desaguar nos rios, que os vão poluir, essa água tem de ser tratada de maneira a que “eu possa emitir esse afluente para um rio não degrade a qualidade do rio.”
Mas também existe o interesse em reutilizar a água. Pode ser reutilizar a água para casas de banho, em parques, etc. “Eu estive numa feira, que se chama IFAT, em Munique, é uma feira que acontece de dois em dois anos. E esta feira, é interessante porque cada vez mais, apesar da grande parte das pessoas que aparecem nessa feira serem alemães, eu acho que é interessante ver também a parte internacional para a qual eu trabalho, cada vez há mais pessoas a falar sobre este assunto.” Revela Pedro.
Em Londres, o Reino Unido, “é um dos mercados com maior potencial que nós temos. Vendemos muitos produtos e temos representantes lá também e cada vez existe mais o interesse em reutilizar a água da chuva.
Em países como Portugal, o que acontece é que quando chove, ou chove demasiado, ou quando não chove, a seca acarreta vários problemas. É na altura que não chove, (normalmete no verão), é a época do ano em que o país sofre o maior stresse hídrico. O turismo, traz muitas mais pessoas, no qual estão a consumir mais água, e é quando se dá mais esse stresse.
“A ideia é como é que eu consigo ter esta água disponível”? Questiona o Engenheiro. E uma das ideias é utilizar é a água da chuva. “E a minha empresa trabalha nessas soluções para, transporte, tratamento, armazenamento e reutilização das águas.”
Qual é o seu cargo concretamente?
É Consultor técnico e representa o mercado internacional, ou seja, todos os países sem ser a Alemanha, há uma equipa para o mercado alemão, onde também é consultor técnico, e trabalha também no mercado internacional.
“Somos um grupo de consultores técnicos, no qual ajudamos os nossos clientes a perceber qual é a melhor solução a utilizar.” O cliente pode precisar de um certo certificado que verifique que é nosso produto, por exemplo, o Environmental Product Declaration.
Existem diferentes tipos de certificados que os produtos são necessários ter, toda a parte da certificação, e cálculos que sejam necessários, como os cálculos estáticos. Porque uma grande parte, “ou todos os nossos produtos que instalamos, estão debaixo de terra. E, é preciso às vezes fazer cálculos estáticos. Fazer dimensionamento dos sistemas, dimensionamento de um tanque, para receber água, ou de um sistema de tratamento.
Às vezes Pedro dá formação. “Estamos a trabalhar com uma empresa irlandesa há mais ou menos um ano, e as coisas estão a funcionar bastante bem. E querem trazer equipa de vendas deles para a Alemanha. “E eu vou-lhes dar uma formação técnica.” Revela.
Quantos países estão presentes?
Só do segmento, de drenagem, diria que a Europa deve ser praticamente toda. Portugal, não é cliente. Nós temos uma sucursal em Espanha. Mas vendemos, produtos de drenagem para campos agrícolas, nada de muito complexo.
“De Portugal, nunca recebi nenhum e-mail, ou nenhum contacto, infelizmente, de vez em quando falo com os colegas meus, também de engenharia no ambiente, e falo sobre o que faço e sobre o potencial que poderia haver no mercado português, mas, pelo que eu entendo, acho que ainda não existe grande potencial. Infelizmente!.
Uma pequena mensagem aos emigrantes portugueses, que estão fora do país e aos que pretendam emigrar?
“Aos que querem emigrar, eu diria que realmente na Europa, existem várias soluções, ou vários países dos quais uma pessoa quando sai de Portugal, no fundo, está à procura de qualquer coisa, de melhores condições, de trabalho, etc.
E eu acho que quando essa melhoria existe em diferentes países da Europa, é possível encontrar isso. Mas o que eu aprendi da minha parte, é que quanto mais tempo estou fora, mais valor dou ao país que temos. E aos emigrantes em geral, Força!” Finaliza Pedro Simões.




