Nanterre, cidade periférica do Oeste de Paris, voltou a ser a capital dos produtos portugueses no fim de semana de Ramos. Há mais de duas décadas que os municípios de Portugal fazem da Festa/Feira de Nanterre organizada pela Arcop, Associação Recreativa e Cultural dos Originais de Portugal, o palco preferencial para apresentação do que melhor se faz em terras lusas.
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Dos enchidos ao queijo, do mel às compotas, das navalhas aos bordados e dos vinhos à doçaria. Este ano foram 19 as Câmaras Municipais a marcar presença, tendo como estreante Freixo de Espada a Cinta, o que fez Emídio Sousa, Secretário de Estado das Comunidades, afirmar convicto “Aqui em Nanterre sinto-me claramente em Portugal.
Há outra característica notável, para além da excelência dos produtos, é este sentido português, é sentirmo-nos em casa, é a língua, é a simpatia das pessoas, é um orgulho enorme em ser português. Somos um povo de emigrantes que sempre soube integrar-se para onde foi, respeitar e ser respeitado. Fomos para trabalhar e para ajudar esses países a crescer e muitas vezes somos humildes, por vezes excessivamente humildes.

Como filho de emigrantes, digo que é altura de sermos orgulhosos, um orgulho consciente daquilo que somos: gente de trabalho, gente respeitadora e que se sabe integrar. É esta a marca portuguesa.”
Levar a cabo este certame desde 2003, enche de orgulho o líder de uma equipa imensa, o presidente da ARCOP, Manuel Brito, “Como sempre foi um dia de muito stress para a organização, mas estou contente. De ano para ano, esta Feira está cada vez com maior crescimento e mais publico, esta noite temos 600 pessoas a jantar na noite de Fado, um número que atingimos pela primeira vez.

Prova que as pessoas querem vir à Feira, ver os produtos ou ver gente da sua Terra. Já se diz que o fim de semana de Ramos é Portugal em Nanterre, quem quer conhecer Portugal, venha a Nanterre.
Até porque é a única Feira de produtos portugueses com esta dimensão que se faz fora de Portugal, segundo os autarcas presentes. Durante três dias temos muita animação com Fado, música de baile e folclore, acompanhada de serviço de restauração feito pelos nossos voluntários, que são o elo indispensável e mais importante do evento.”
Aproveitando a grande romaria de milhares de cidadãos portugueses durante os três dias, o Consulado Geral de Portugal de Paris colocou uma equipa vinda do Porto para aconselhamento e esclarecimento dos passos a dar para quem quer regressar ao país, seja para cumprir a reforma ou para trabalhar.
A animação iniciou-se com a tradicional noite de fado na sexta-feira, o baile de sábado este ano contou pela primeira vez com o grupo Kalhambek, enquanto que o folclore dominou o domingo. Durante todo o evento a Rádio Alfa realizou diversas emissões em direto e mais de 50 entrevistas aos intervenientes.
Eduardo Lino, março 2026




