O Jornal Comunidades Lusófonas falou com a Conselheira Cultural da Embaixada de Portugal em Berlim, Patrícia Barreto e contou-nos um pouco sobre o Festival Internacional de Cinema de Berlim, e a participação de Portugal neste importante certame da sétima arte. Não é Paris, mas é uma cidade, onde fervilha muita cultura, arte à mistura e não esquecer o celebre Urso de Ouro – principal prémio de Berlinale. A inspiração em Berlim também se revela nos recantos desta cidade que acolhe artistas de todos os lugares do mundo, incluindo Portugal. Findo o reconhecido e afamado Festival Internacional de Cinema de Berlim, o balanço também foi muito positivo para Portugal que se fez representar por um grupo heterogéneo de 75 pessoas, destacando-se a atribuição de um prémio de “Best Location Award”. Muito se viveu e experimentou durante o festival 2026.
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Mas Berlim vai ainda mais além deste festival, respira-se muita cultura, seja ela nos muitos museus que a cidade tem para mostrar, das artes a acontecer todos os dias, provenientes de todos os lugares deste imenso mundo e Portugal não é exceção”, como afirma a Conselheira Cultural, Patrícia Barreto.
Cada festival tem as suas temáticas e características. No Berlinale, como é mais designado, Portugal participou por um lado com cinco obras cinematográficas em coprodução com diferentes países e por outro lado com dois atores que se apresentaram em secções diferentes, uma delas é a secção do “Shooting Stars”.
Portugal em coprodução com o Brasil apresentou a obra: “O Nosso Segredo”, que estava numa nova secção chamada Perspetivas, cujo objetivo é o de valorizar jovens realizadores ou que estão a mostrar as suas primeiras obras.
O festival divide-se por diversas secções e a nova diretora, que chegou em 2024, acrescentou mais uma ou duas secções. A “Shooting Stars”, é direcionada aos artistas, os atores, intérpretes, que nos últimos tempos revelaram especiais talentos e que são homenageados.
Outra secção é a mencionada “Location Awards”, que é o prémio dado à localização que foi mais adequada para contar aquela história, que pode ser uma série de televisão, obra audiovisual ou simplesmente obras cinematográficas. No presente caso Portugal recebeu o “Best Location Award”, que foi para a Figueira da Foz, lugar escolhido para uma série que foi considerada como o cenário ideal para a história que lá era contada.
Acresce que a Berlinale, para além de ser um festival de cinema onde se distinguem atores, realizadores, interpretes, também promove um singular mercado: um encontro entre todos estes agentes muito ativos na área da indústria cinematográfica, para que se conheçam ou para que se reencontrem, falarem de projetos em comum, trocar contactos” etc. Nós também temos muitos portugueses que vieram à secção mercado, para dar a conhecer o que é que têm feito, e falarem dos seus projetos futuros, encontrarem parceiros, e são mesmo muitas dezenas que se fazem representar.”
A Embaixada de que forma está presente no Festival
Segundo nos avançou a Conselheira Cultural, Patrícia Barreto, a Embaixada acompanha os portugueses que estão lá, apoiou a participação de portugueses num festival em paralelo, um pouco mais à margem, que é um festival promovido pelos críticos de cinema alemães.
Esses críticos fazem a sua seleção das obras e as obras portuguesas também estão presentes. Chama-se: O Festival da Crítica. A Semana da Crítica, que decorre em paralelo com o Festival, em vez de ser o público, é para o público em geral, que lá está. Só que a seleção é feita pelos críticos de cinema, pelos jornalistas que escrevem sobre cinema, diferentes meios, sejam autores de obras, etc.
Portugal contou com 75 pessoas, entre atores, realizadores, organizadores, produtores, curadores de cinema. Pessoas que vêm para a compra dos direitos, como por exemplo advogados, que compram direitos e vendem direitos, quer sejam de transmissão, de exibição, televisões privadas e públicas. Outras personalidades têm interesse em mostrar o que têm feito, diretores de fotografia. Em resumo todo o genérico, que vem no fim de cada filme, com muitos cargos e muitas responsabilidades diferentes. Esses profissionais, perfizeram um total de 75. “Não fomos a delegação mais numerosa, que esteve presente em Berlim.” Salienta a Conselheira.
A Cultura em Berlim
Berlim é uma cidade de cultura e sem dúvida, só museus tem duzentos. Se somarmos mais algumas centenas de galerias, que não são propriamente museus, mas galerias privadas ou cooperativas, dão um enorme contributo cultural à cidade. Berlim é uma cidade onde está a acontecer constantemente qualquer coisa, seja na área da pintura, escultura, cinema, etc. Estão constantemente a produzir e os portugueses que têm vindo, só em Berlim, nos últimos anos para cá, vários deles são também artistas.
São pessoas que vêm mergulhar nesta cena cultural muito ativa e que trazem aquilo que sabem e que aprenderam em Portugal. Vários deles fizeram os seus cursos em belas-artes, ou nas Caldas Rainha, ou, no caso da música, fizeram o seu curso na ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto). Trazem a sua formação portuguesa e vêm aqui beber as influências locais, não só alemãs, mas de uma comunidade criativa e multicultural, onde se convergem pessoas de vários cantos do mundo e se sente de facto, que respira uma vibração muito especial: muitas galerias, muitos incentivos, há muitos sítios onde expor, muita experimentação, onde se quebram muitas barreiras, etc. Vai-se muito além do convencional e os portugueses estão cá também a navegar na onda criativa.
Como está Portugal ao nível de apoios à cultura?
Ao contrário de Portugal, a Alemanha tem uma economia muito poderosa e destaca muitas verbas para a cultura. Resultado de uma economia de mercado à escala europeia e global. Portugal, tem uma economia mais pequena, e os fundos para a cultura são mais tímidos. “Mas há cultura em Portugal, e boa cultura,” afirma a Conselheira Patrícia Barreto, salientando também para o facto de ver muitos artistas portugueses em Berlim e muito bons. Que trazem de Portugal formação nesta área específica e que não ficam atrás dos seus congéneres internacionais.
Vão para Berlim, para aperfeiçoar e anexar influencias de outros artistas provenientes de outros países e culturas. Influenciam-se mutuamente. Há portugueses que mesmo não vivendo em Berlim, são convidados para apresentar as suas obras.
No dia 21 de março, juntamente com vários europeus que estão presentes em Berlim, apresenta-se um português que está a causar bastantes expectativas: João Onofre, que é muito conhecido e que está representado em vários museus do mundo. Também há outro artista plástico que se está a destacar, Nelson Ferreira, que tem exposição permanente em Borobudur, Indonésia, é a internacionalização no seu auge.
“Em Berlim vive também um autor que fundou a sua própria Galeria. Inaugurou uma exposição onde estiveram presentes vários portugueses.
Em relação a investimentos, “não sei dizer se tem havido muito investimento em arte contemporânea em Portugal. Não tenho esses números. Já não estou em Portugal há uns tempos, mas que os artistas são conhecidos e reconhecidos, é uma realidade”, refere a Conselheira Cultural.
“Na Alemanha a cultura ocupa um papel muitíssimo relevante, a título de exemplo, enquanto houve a pandemia, esteve tudo fechado, como bem sabemos. Fechámo-nos todos, o mundo todo fechou-se e na Alemanha estava tudo fechado também. As farmácias não, como em Portugal, mas houve uma coisa muito curiosa e que nunca fechou nesse período: As livrarias, nunca fecharam porque são consideradas bens, sítios essenciais para se consumirem bens essenciais. A visão da cultura aqui é diferente da visão da cultura em Portugal, isso sim, mas não faz com que os nossos autores não sejam muito prestigiados.” Esclarece.
“Os artista portugueses trazem obras muito interessantes, muito bonitas, que é com muito prazer que as vemos e confrontamos em diálogo com as obras dos respetivos colegas internacionais.” Revela a Conselheira.
Uma Mensagem aos nossos artistas
“Divulgara, Mostrar e Valorizar, exclama a Conselheira.” Nós temos um ADN que nos é dado pelo sítio onde crescemos, onde nos ensinaram, o que aprendemos e por aí fora. Cada um traz a sua própria pegada, a sua própria impressão digital e põe na sua arte. E aqui mostra-a e deixa-se influenciar pelos outros e influencia os outros! Os autores portugueses são reconhecidos, o que é um orgulho! Finaliza Patrícia Barreto a Conselheira Cultural da Embaixada de Portugal em Berlim.





