É um jovem que completou hoje 18 anos e desde a infância até ao 12º ano frequenta a escola no Canadá. Sempre muito empenhado nos estudos e recebeu sete prémios da escola Internacional que frequenta. Foi Presidente da mesma o ano passado e esteve envolvido em várias competições, nomeadamente: ética, na qual ganharam a competição nacional. O seu percurso no secundário tem sido marcado com muita envolvência. A escola Internacional que frequenta tem uma carga de trabalho ainda maior, mas desde muito novo marcou-o positivamente.
Artigo Exclusivo para subscritores

Neste momento está na CEGEP (pré-faculdade), que é única no Quebeque: a passagem do secundário e a universidade, são dois anos de preparação. Encontra-se na especialização em ciências humanas com perfil de Direito, para depois fazer a licenciatura nessa área.
Enquanto filho de emigrantes, cresceu, desde o berço, dentro da Comunidade portuguesa e acredita que esse desenvolvimento fez com que ele fosse quem é hoje: as festas portuguesas, a escola portuguesa ao sábado, a catequese ao domingo. E desde cedo que a cultura portuguesa, a língua e a identidade portuguesa ficou presente “dentro de mim”. Exemplifica.
Como é ser filho de pais de emigrantes num país onde há tanta cultura diferente? E como é frequentar a escola internacional?

É um jovem bem resolvido com a vida e os seus 17 anos mostram que é muito exigente consigo, mas sabe estar na zona cinzenta da vida, para ele tem de haver um equilíbrio em tudo.
Estudar numa escola Internacional, é uma boa experiência, pois são muito preocupados com o sucesso do aluno, mas preservam uma série de valores éticos e culturais. O Canadá é um país onde o multituralismo é uma das bases, em que todas as comunidades são bem-vindas e a Comunidade portuguesa é muito respeitada porque soube integrar-se bem ao longo de 70 anos e ao mesmo tempo manter as suas tradições.
Gabriel nunca se sentiu rejeitado. Pois além de ser português também é Canadiano, pois nasceu no Canadá.
Estuda na escola Internacional, há mais emigrantes do que nativos propriamente ditos. Pelo menos praticamente metade da escola são alunos chineses e há um nível de integração e abertura às culturas. Nunca teve nenhum problema e era o único português da sua escola e todos sabiam que era português. “Erguia muito bem alto a minha bandeira”, diz Gabriel, e se os outros são orgulhosos em serem chineses, iranianos, ou romenos, pouco importa qual seja a nacionalidade. “Eu também tenho orgulhoso da minha bandeira e “sinto-me ao nível dos objetivos da escola Internacional,” vinca. A escola faz parte de uma rede de escolas ao nível Internacional. O Bacharelate Internacional que em inglês é IB. É uma escola de topo por todo o mundo, desde o primário ao secundário e também ao nível para quem quer continuar a universidade. É uma rede de escolas que tem a sua origem depois da Segunda Guerra Mundial, que foi criada para os filhos de diplomatas, em que os estes profissionais que fossem de um país para o outro tinham de transferir a educação dos filhos e tornava-se muito complicado, daí a criação destas escolas internacionais.
Gabriel, pretende frequentar uma parte da universidade no Canadá e outra parte em Portugal. Faz parte dos seus planos do futuro trabalhar em Portugal e quer fazer o concurso diplomático. Mas, também, recebeu uma bolsa universitária da Universidade de Montreal, “muito boa e ainda está tudo em aberto a nível de escolha da faculdade.” Salienta Gabriel.
Ainda não sabe muito bem o que quer ser, mas gostava de ser diplomata, pois a diplomacia foi sempre algo que o fascinou e pelo qual sempre teve muito interesse. “Conheço vários Cônsules e Embaixadores portugueses que passaram por aqui,” é um cargo que sempre me fascinou”. Mas ainda tem tempo para resolver essa questão, afirmando que: “ainda nem sou diplomata, nem sequer fiz o concurso e a licenciatura, mas é algo que sempre achei especial,” confessa.
Uma Mensagem às pessoas da tua geração
Desde já há ser otimistas e manter a mente positiva e ter esperança no futuro. As coisas neste momento a nível mundial estão muito complexas e dificeis, “mas a sociedade de amanhã somos nós que a formamos e temos o poder. Temos a possibilidade nas nossas mãos de poder mudar o curso da humanidade, há que ter confiança e nós temos esse poder. E se queremos que as coisas mudem, temos que fazer por isso. Vivemos num mundo cada vez mais escolarizado, por um lado, mas mais assimetrias sociais, por outro.” A sociedade atual vê as coisas como sendo: preto ou branco, nunca é cinzento, nunca há lugar para o equilíbrio. Devemos, ter em conta os dois lados da moeda. “Acho que devíamos ser mais equilibrados e que infelizmente em alguns países a paz não existe, e a desordem permanece.” Alerta Gabriel.
Gostaria que falasses sobre quantos prémios recebeste e o que é que cada um deles representa e qual é o valor?
A sua graduação na escola secundária foi no dia 27 de novembro de 2025, mas geralmente acontecem sempre em junho, mas como estamos a falar de uma escola internacional recebem o diploma do bacharelato internacional mais tarde. Referindo Gabriel que só recebem o diploma quando fizerem a graduação.
Neste momento frequenta o 12º ano e acaba um ano antes, pois tem dois anos de preparação antes da universidade. Recebeu uma série de prémio e fala-nos sobre cada um deles:
Segundo o aluno, cada estudante sobe ao palco para receber o seu diploma de estudos secundários. O diploma de bacharelate Internacional. Há momentos em que dão os diplomas e há períodos em que dão prémios e Gabriel recebeu sete prémios na noite da graduação, o primeiro prémio foi referente às melhores médias na disciplina de matemática.
Em todas as escolas internacionais, há o que se chama de “La communote d’aprentissage”, são os valores da Comunidade e aprendizagem onde se enquadram os valores da comunicação, integridade, abertura de espírito, vários valores para serem melhores cidadãos na sociedade, para quando saírem da escola estejam prontos para enfrentar a vida na sociedade
A escola decidiu distinguir cada aluno em função de um valor da comunidade e aprendizagem para cada um. “Eu recebi o prémio da comunicação, tendo em conta que na escola sabia expressar-me bem. Esse foi o segundo prémio que recebi. O terceiro foi pela ação que teve na escola, tendo em conta que foi Presidente do Conselho dos alunos, que esteve presente e que organizava vários eventos e presente em vários clubes. Fez parte do Jornal dos Estudantes e parte “Do clube da Ética”, que é o equivalente do clube de debates, por estar presente em vários níveis extracurriculares da escola.
O quarto prémio foi a equipa do Clube de Ética, a Winnipeg, uma cidade que fica no Oeste do Canadá, na província do Manitoda que tem 10 províncias e 3 territórios. Foram à província de Manitoba, à cidade do Winnipeg, para a competição nacional da Copa Ética na qual havia o torneio, a competição em francês e em inglês.
A competição em inglês é mais expressiva e mais antiga e a de francês é mais pequena. O francês é uma língua minoritária fora de Quebeque e resto do Canadá, havia equipas de 6 províncias diferentes. “Nós estávamos a representar o Quebeque e acabamos por ganhar a competição, foi um orgulho para a nossa escola.”
O quinto prémio, foi o de personalidade do ano da escola, “por tudo o que eu fiz, tanto a nível do meu envolvimento, por ter boas notas, ter uma excelente relação com os professores, com os alunos, com a direção e de querer fazer com que houvesse um melhor ambiente no seio da escola,” revela.
O sexto prémio foi a medalha do Force Avenir, que já tinha ido à gala, às graduações em junho, recebeu oficialmente a medalha com a bolsa de estudos da universidade, no valor de 10 mil dólares e o sétimo prémio foi a medalha de distinção do centro de serviços escolares.
Não estava à espera de receber tantos prémios, foi uma grande honra, estava presente a Presidente da Câmara, com quem já tinha trabalhado o ano passado no Conselho de Administração da escola e os representantes do deputado provincial, de quem recebeu quer da Presidente da Câmara como do deputado, uma bolsa.
Aproveitou a ocasião para oferecer uma placa comemorativa à escola, em nome de todos os alunos. “É importante agradecer à escola e mostrar a nossa gratidão. Se eu sou quem eu sou hoje, é graças aos professores, aos alunos, aos meus pais e por ter passado por aquela escola, porque uma escola internacional muda completamente a nossa visão do mundo”, diz Gabriel.
E no fim, em tónica de surpresa para todos, cantou com a diretora uma música de despedida, que é já uma tradição na graduação. “Estava presente um rapaz um ano mais novo que eu, que é um pianista fantástico, que foi à Dinamarca ganhar um prémio num concurso.
Foi uma noite muito especial mas mais importante do que os prémios e toda a distinção foi voltar a ver os amigos e pessoas com quem cresceu e passou cinco anos da sua vida, “que nos definem enquanto pessoas, porque a adolescência não é fácil.” Termina desta forma Gabriel Ferreira.
Nomes exatos dos prémios que o aluno Gabriel recebeu:
Escola = Collège Saint-Louis; Cidade da Copa Ética = Winnipeg; – Mention Spéciale en Communication = Menção Especial em Comunicação; – Prix de Meilleure Moyenne en Mathématique CST = Prémio de Melhor Média em Matemática; – Prix d’Implication Remarquable au sein du Collège = Prémio de Implicação Notável no Seio do Colégio; – Prix de Rayonnement à l’Extérieur du Collège (Coupe Éthique) = Prémio de Influência fora do Colégio (Copa Ética); – Prix de la Personnalité de l’Année = Prémio de Personalidade do Ano; – Médaille Forces Avenir = Medalha Forces Avenir; – Médaille Reconnaissance CSSMB = Medalha de Reconhecimento CSSMB (Comissão Escolar).





