José Alexandre Cunha é Natural de Coimbra, é um exemplo de como o talento, a visão estratégica e espírito empreendedor podem afirmar projetos de excelência a partir de Portugal, conquistando reconhecimento nos mais exigentes mercados internacionais. Licenciado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra, completou mais tarde um MBA na Faculdade de Economia da mesma instituição e um curso de Advance Business Strategy em Harvad, fortalecendo uma base académica sólida que viria a moldar uma carreira marcada pela inovação e ambição global.

Desde cedo demonstrou um forte sentido de iniciativa, fundando ainda nos tempos de faculdade a sua primeira empresa na área farmacêutica, que rapidamente cresceu e se destacou como uma das principais distribuidoras em Portugal. Após uma passagem enriquecedora pela multinacional francesa Servier, em Paris, onde absorveu e ganhou experiência internacional e uma visão estratégica sobre o setor da saúde e hospitalar, que o inspiraram a dar novos passos.
Foi com essa ambição que adquiriu os Laboratórios Basi e, posteriormente, lançou um dos seus projetos mais emblemáticos: a Idealmed, o primeiro hospital privado da região centro de Portugal. Este projeto, desenvolvido em parceria com médicos e académicos de renome, rapidamente se tornou uma referência nacional, atraindo a atenção de investidores internacionais, em especial do empreendedor luso-suíço Carlos Dias.
A Idealmed deu início à sua expansão internacional com projetos em mercados exigentes como a China, estabelecendo uma aliança estratégica com o grupo China Merchants. Em 2017, após a alienação da operação hospitalar em Portugal ao Grupo Luz Saúde, nasce a IGHS – Idealmed Global Healthcare Services – uma spin-off que viria a ser o verdadeiro motor da internacionalização do projeto.

A IGHS afirmou-se com projetos de elevado prestígio e complexidade. Destaca-se a fundação do Oman International Hospital em parceria com o fundo soberano OBIC (Oman Brunei Investment Company) e o grupo SBG (Suhail Bahwan Group), tornando-se o maior hospital privado do Sultanato de Oman e uma referência em todo o Golfo Pérsico. A IGHS lidera também a maior clínica de ambulatório da Região Autónoma de Macau, desenvolveu para a Fundação Qatar o projeto da clínica do exclusivo Zulal Wellness Center, e em breve lançará um novo centro de reabilitação física no Dubai.
Em paralelo com a IGHS afirmou-se com projetos de elevado prestígio e complexidade. Destaca-se a fundação do Oman International Hospital em parceria com o fundo soberano OBIC (Oman Brunei Investment Company) e o grupo SBG (Suhail Bahwan Group), tornando-se o maior hospital privado do Sultanato de Oman e uma referência em todo o Golfo Pérsico. A IGHS lidera também a maior clínica de ambulatório da Região Autónoma de Macau, desenvolveu para a Fundação Qatar o projeto da clínica do exclusivo Zulal Wellness Center, e em breve lançará um novo centro de reabilitação física no Dubai.

Em paralelo com este percurso no setor hospitalar, José Alexandre Cunha sempre manteve uma ligação forte ao setor farmacêutico. Através da holding CESAM Farmacêutica, fundou a InnovCell Therapeutics, uma empresa que alia a biotecnologia à inteligência artificial, desenvolvendo produtos disruptivos que já marcam presença em diversos mercados internacionais. A sua visão é clara: transformar a relação entre o medicamento, o profissional de saúde e o doente, através de uma integração inteligente entre produto, serviço e tecnologia.
O seu percurso é testemunho de que é possível, a partir de Portugal, criar soluções inovadoras com impacto global, sem nunca perder o vínculo às raízes e ao conhecimento produzido nas instituições nacionais – com destaque para a Universidade de Coimbra, que tem sido uma parceira constante em muitos dos seus projetos.
Falar de José Alexandre Cunha representa uma nova geração de líderes portugueses, capazes de pensar globalmente e agir com excelência, afirmando com orgulho que o sucesso internacional também se constrói com talento, inovação e visão desde Portugal.
A sua passagem na cidade das luzes, Paris, esteve como responsável por uma área de uma companhia multinacional, onde adquiriu com outros jovens farmacêuticos, na altura, um dos mais antigos laboratórios da indústria farmacêutica portuguesa, os laboratórios Basi.
Esses laboratórios, com mais de 50 anos, encontravam-se numa situação precária, mas era uma marca da indústria farmacêutica portuguesa. Independentemente da sua condição fabril do seu parque instalado estar um pouco obsoleto na altura, contava ainda com 70 ou 80 funcionários.
Essa fábrica reinventou-se, modernizou-se, cresceu, e rapidamente teve necessidade de se expandir e criar novas unidades de produção, sendo nesse momento que José Alexandre toma a decisão de não abandonar a indústria farmacêutica, mas alienar a sua participação, maioritária, nesta companhia, e liderar aquele que viria ser o primeiro Hospital privado na cidade de Coimbra, que é a Idealmed, atualmente Hospital da Luz de Coimbra.
Este projeto contou também com o investimento de um conhecido empreendedor de sucesso da diáspora portuguesa, o fundador da Roger Dubois, Carlos Dias, que ao avaliar o projeto de investimento nesta unidade de saúde em Portugal, entendeu que era uma forma de também devolver ao seu país o justo retorno através de um projeto singular e altamente diferenciado.
O grupo cresce de forma significativa e em 2012, aquando da inauguração do hospital ao público, imediatamente transportou para os mercados externos as competências e o modelo do que estavam a fazer em Coimbra. Um hospital que na altura assentava na excelência das suas condições físicas, numa grande diferenciação do parque de equipamentos instalados, e num conjunto de pessoas de reconhecida diferenciação e competência.
Isso fez com que a Idealmed crescesse de forma assinalável, fosse observada no mercado externo como um projeto que poderia ser replicado no contexto Internacional com sucesso.
A Idealmed, através da sua equipa de gestão, passa a fazer serviços de consultoria em várias geografias, mas fundamentalmente para o mercado chinês, onde desenvolveram uma parceria com um dos grandes grupos económicos locais, o Grupo China Merchants, que havia tomado a decisão de entrar no setor da saúde privada, apesar de ser uma empresa chinesa estatal. “Nós fomos a alcofa em termos de competências e de conhecimento para que a China Merchants pudesse entrar no setor da saúde.” Explica José Alexandre Cunha.
Esta relação proporcionou um conhecimento profundo em diferentes geografias, nomeadamente na China, Macau e Hong Kong, o que fez com que tivessem tido diferentes convites naquela região para continuarem a prestar os serviços.
Nesta altura, e em paralelo, a Idealmed continuava a sua trajetória de crescimento em Portugal, abrindo unidades na região centro do país, como seja Pombal, Cantanhede, Figueira da Foz, uma segunda unidade em Coimbra de dimensão inferior à do seu hospital propriamente dito, enquanto que no mercado externo continuavam a trilhar um percurso assinalável de internacionalização.
Com o crescimento da unidade em Portugal, e com esse crescimento concomitante no mercado externo, a Idealmed, confronta-se com a necessidade de decidir se deveria continuar o seu crescimento orgânico em Portugal ou apostar no seu crescimento fora de portas. E é aqui que é assumida a decisão de fazer o split entre o mercado português e o mercado Internacional.
A Idealmed em Portugal, é assumida pela Luz Saúde, fazendo que o Hospital de Coimbra seja hoje designado de Hospital da Luz de Coimbra e os projetos da Internacional continuam a desenvolver-se em diferentes regiões sob a marca da IGHS.
Neste percurso de crescimento surge o convite do Médio Oriente, através de um fundo soberano que havia decidido construir em Oman, na cidade de Muscat, aquele que é hoje o maior hospital privado do país, e um dos mais conceituados de toda a região do Golfo.
Este Fundo soberano OBIC (Oman Brunei Investment Company) e o grupo SBG (Suhail Bahwan Group) acabam por decidir e convidar a Idealmed a materializar o projeto no Médio Oriente, permitindo ao Grupo entrar societariamente no projeto e assumir a liderança única de toda a gestão do mesmo, num contrato que se iniciou em finais de 2017, e que visou o desenvolvimento de tudo aquilo que diz respeito ao hospital, nomeadamente os seus projetos de arquitetura, engenharia, constituição de equipas, decoração do hospital, os procedimentos internos e constituição de equipas. Tudo foi feito a partir de Portugal, num contrato que apenas terminará depois de 2034.
Em tom de brincadeira, José Alexandre diz que “este é o hospital mais português que existe fora das nossas fronteiras físicas e que foi inaugurado formalmente em janeiro de 2022, durante a pandemia. Por já se encontrar em condições de laboração, serviu de backup ao próprio Ministério da Saúde em Oman, e deu um forte contributo, nomeadamente na vacinação das pessoas aquando desse período.
“É com muito orgulho que assumimos que em apenas 2 anos este hospital cresceu de forma vertiginosa, e é hoje o maior hospital privado do país, com condições para continuar a fazer uma trajetória de progresso e de afirmação singular em termos qualitativos.” Refere José Alexandre.
À parte dos projetos que mencionou, a empresa acaba por adquirir em Macau a maior clínica que existia na Região Autónoma de Macau, que durante o período da pandemia, que foi extremamente severa naquela região, foi uma unidade que prestou serviços à Comunidade numa relação muito consistente com o próprio Ministério da Saúde da Região Autónoma.
Voltando ao Médio Oriente. “A nossa intervenção acaba por extravasar as fronteiras do Sultanato, abraçando igualmente a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.” Menciona José Alexandre da Cunha.
Tiveram convites da Arábia Saudita para prestar serviços de consultoria a um grupo empresarial local, acabam por prestar serviços à Fundação Qatar no desenvolvimento de um projeto para uma clínica que se situa a 120 km de Doha e no Dubai, a Idealmed GHS irá inaugurar até ao final do ano 2025, início de 2026, um Centro de Reabilitação com forte relação académica.
O centro de reabilitação Idealmed Dubai, que mais uma vez trabalha na área da prestação de cuidados de saúde, vai-se afirmar como um dos maiores, senão o maior, de todo o Emirado, com um nível de diferenciação muito em linha com os projetos que a empresa portuguesa tem desenvolvido ao longo do tempo.
O que IGHS fez ao longo dos anos, fê-lo também com o apoio da Universidade de Coimbra, nomeadamente da sua Faculdade de medicina, e também com o contributo de outras escolas, como a Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra.
O percurso da IGHS no contexto Internacional, nunca o desviou José Alexandre Cunha do setor do medicamento. Continuou a observar este setor, que está na sua origem, em termos de formação académica.
A indústria farmacêutica, e quando se fala de investigação e desenvolvimento, traduz-se em dimensões com níveis de complexidade extremos, onde as necessidades de investimento são enormes. Neste assentido, “quisemos procurar fazer algo que fosse disruptivo e fizemo-lo através de uma sub-holding que é a InnovCell, através da qual tentámos perceber como poderíamos trazer valor acrescentado às populações, que não se esgotasse exclusivamente no produto físico, no produto farmacêutico em si”. Descreve Alexandre.
A InnovCell, para além de já estar presente em vários países com produtos próprios que já detêm há vários anos, encontra-se neste momento a trabalhar com várias multinacionais procurando trazer ao mercado novos produtos farmacêuticos que transportam para os seus utilizadores experiências totalmente personalizadas através de ferramentas de Inteligência Artificial.
“As pessoas conhecem-nos mais pela prestação dos serviços de saúde, do que pelos hospitais que gerimos e pelas próprias participações que temos em projetos no contexto Internacional, sendo o setor do medicamento aquele que de alguma forma as pessoas porventura nem sequer identificam com o grupo e que acreditamos que se alterará.” Vinca José Alexandre.
Estão presentes em Portugal, com sede em Coimbra, Médio Oriente, e Ásia. Consideram investir no continente Americano?
As regiões mencionadas são aquelas onde “estamos presentes” por força de contratos com entidades locais. “Já tivemos um convites para desenvolver projetos no Brasil, mas por força de circunstâncias negociais e de enquadramento, acabamos por não evoluir. Mas é uma Geografia onde vamos e queremos estar presentes, nomeadamente nos Estados Unidos, já em 2025/26 com o registo de um dispositivo médico próprio”, diz Alexandre.
Como avalia uma possível privatização do SNS em Portugal?
“Os projetos em que nos envolvemos são sempre estruturados para garantir a sua total autonomia e sustentabilidade sem qualquer dependência da dimensão pública. Os projetos hospitalares privados internacionais vivem fundamentalmente de financiadores que não o Estado. Estamos a falar de subsistemas, das seguradoras privadas e dos próprios Cash payers, que são no fundo, os doentes que custeiam a sua saúde.” Explica Alexandre.
Quando o SNS surgiu, em 1979, como uma cópia fiel do NHS, já nessa altura contratava ao setor privado a realização dos meios complementares de diagnóstico, como sejam os serviços de Imagiologia e as análises clínicas, bem como a própria dispensa dos medicamentos através das farmácias, tendo sempre evoluído numa lógica de complementaridade.
À medida que as coisas foram evoluindo, muito por força de questões ideológicas que não são mais do que amarras políticas, houve sempre um discurso um pouco mais extremado, mais polarizado, onde se quis fazer vender à Comunidade, à população, a ideia de que o setor privado e o setor Público são antagónicos, não podendo ser complementares. “Isso é evidentemente um erro, porque aquilo que efetivamente interessa a cada cidadão é a forma como acede aos serviços de saúde, ao menor custo possível e em condições de equidade. Na verdade, nos dias de hoje não existira SNS sem o setor privado, pois a oferta existente jamais comportaria o fluxo e as necessidades de toda a população, bem como colapsaria, ainda mais, financeiramente.” Observa Alexandre.
Como vê o Turismo médico em Portugal?
Com um custo muitíssimo mais baixo do que a maioria dos países europeus e que o existente no mercado norte americano, as pessoas não refletem muito sobre isto mas, um voo de Nova Iorque para Lisboa, ou de Nova Iorque para Los Angeles demora basicamente o mesmo tempo. Ou seja, “é evidente que a nossa Geografia, parecendo periférica no contexto europeu, não o é no contexto global, e isso pode constituir uma oportunidade. Portugal, para além de condições de acolhimento, do clima, e de tudo o que tem para oferecer enquanto país, tem uma oferta de serviços de saúde que é competente, qualificada, e que tem todas as condições para se afirmar no contexto Internacional, Portugal pode efetivamente ser um país com bastante significado no turismo médico.” Observa Alexandre.
Já se faz para algumas geografias, nomeadamente para os Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), mas não exclusivamente para estes países. Portugal pode assumir essa bandeira de competência e de oferta no contexto global.
Os emigrantes vão aos vossos hospitais?
A questão linguística é importante. A Comunidade emigrante quando vem a Portugal, muitas vezes recorre aos hospitais privados, ou para fazer os seus tratamentos ou mesmo para realizar os seus Check-up.
Portugal tem hoje grupos estruturados no setor da saúde privada, como seja a Luz Saúde a CUF, o Grupo Trofa, o Grupo Lusíadas, que são grupos cuja caracterização é Internacional, e em que o nível de competências e de qualidade dos serviços que oferecem estão ao nível do melhor que se oferece no estrangeiro.
Portugal tem uma relação custo benefício nesta oferta que é muito mais atrativa do que a generalidade dos países europeus, pelo que para que possamos ser uma referência neste setor é uma questão de aposta e é uma questão de visão.
Uma Mensagem aos nossos emigrantes portugueses
“Portugal é hoje um país que tem efetivamente fortes competências no setor da saúde. É um país que consegue desenvolver projetos ao nível do melhor que se faz no contexto Internacional. É fundamental que eles tenham a noção que a partir de Portugal é possível transportar para o contexto Internacional diferenciação, competência, profissionalismo. Que saibam que temos um orgulho imenso na nossa diáspora e que muito desejamos ser merecedores do respeito que todos os que foram antes de nós souberam granjear.” Termina Alexandre.







