Em entrevista ao Jornal Comunidades Lusófonas, a Embaixadora e Presidente Florbela Paraíba, do Instituto Camões, falou-nos sobre o balanço do trabalho que tem sido feito por este Instituto ao longo do tempo, com um saldo muito positivo. Contudo ambicionam mais, nomeadamente na cobertura, no impacto e visibilidade, que pressupõe um trabalho de renovação constante e capacidade de resposta a novos desafios, pedagógicos, tecnológicos, culturais, demográficos e também estratégicos, porquanto o Instituto Camões, implementa uma vertente indispensável da ação externa portuguesa.
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Segundo a Embaixadora, as mais-valias são imprescindíveis, quer na sua diversidade, com a CPLP e os PALOP que refletem uma matriz cultural comum e potenciam a universalidade da língua portuguesa, que é hoje, a nossa língua comum e a mais falada no hemisfério sul que se situa a maioria dos Estados da CPLP.
Lembra, a outra vertente do Camões, I.P., a cooperação para o desenvolvimento, na qual prosseguiram uma atividade intensa com os PALOP, consubstanciada em programas bilaterais de cooperação, mas também na concretização de projetos multilaterais, muito em particular com a UE, na forma de cooperação delegada, e, ainda, na modalidade trilateral, incluindo o Brasil.
“O Camões, I.P. está fortemente implantado em cada um dos parceiros da CPLP”, evidencia a Presidente, onde dispõe de centros culturais, centros de língua portuguesa, presença nas universidades, oferta de bolsas para estudo em instituições locais ou em Portugal, etc. Todavia, não esgotam o trabalho feito por Portugal no espaço CPLP. A rede do ensino português no estrangeiro (EPE) integra 325 horários espalhados por todo o mundo e as Escolas Portuguesas, da maior importância estratégica – “que acompanhamos, embora sejam da tutela do Ministério da Educação – existem numa geografia tão longínqua e relevante como Macau, na RP China (além de também existirem nos PALOP).” Revela a Presidente do Instituto Camões.
O trabalho feito tem dado frutos?
Convém ter presente os números da nossa rede externa: 11 coordenações de ensino, 57 postos de leitor, 329 Protocolos de Apoio com instituições de ensino superior, 63 cátedras, 22 centros de língua portuguesa nos países UE e 49 em países não UE, 19 centros culturais. São números muito significativos.
Na educação, o objetivo é a promoção de uma oferta educativa consistente e alinhada com padrões internacionais de qualidade, de que a certificação é um excelente garante. Atualmente, o português é língua curricular em 35 países. Se se somar as centenas de bolsas disponibilizadas, o investimento nas novas ferramentas tecnológicas na comunicação e na educação, de que são exemplos a consolidação de conteúdos digitais, como a Plataforma em REDE e o sistema de análise SABER, ou os programas de formação em rede.
Move-nos uma abordagem proativa, o que se reflete nos ajustamentos que” fazemos regularmente na nossa oferta. Veja-se o caso do Reino Unido, onde aumentou. Há, da nossa parte, uma análise cuidada da resposta aos novos destinos da emigração, mapeado nos nossos planos anuais de atividades.” Adianta a Embaixadora.
Os planos do Instituto Camões para os próximos anos e onde se pretende investir mais é na vertente cultural, pretende-se levar a cabo em 2026 mais de 1300 ações culturais externas.
Será um ano marcado por grandes eventos: o Dia Mundial da Língua portuguesa, em si um polo aglutinador de muitas outras atividades, a continuação das celebrações do quinto centenário do nascimento de Luís de Camões; o centenário da morte de Camilo Pessanha, que também andou por Macau, e é um nome maior da poesia portuguesa; e o centenário do nascimento de Júlio Pomar, nome cimeiro da nossa pintura do século XX.
Na vertente educativa, há novos protocolos em negociação, seja para reforçar a nossa presença, seja para abertura de novas oportunidades de cooperação onde o Camões, I.P. Ainda não está presente.
Parcerias com Universidades no ensino de português
“As parcerias universitárias são estruturantes do nosso trabalho”, revela Florbela Paraíba. Têm uma rede articulada em leitorados, apoios à docência de língua e cultura portuguesa e cátedras. E presentes nas quatro partidas do mundo. Os destinatários são as comunidades portuguesas, mas também aqueles que querem aprender o português, uma língua expansão e uma mais valia profissional.
A Venezuela é um exemplo paradigmático dos avanços que tem sido feito, tanto a nível pré-universitário como universitário. Em 2022, contavam com cerca de 7.500 alunos a estudar português, nos três níveis de ensino, básico, secundário e superior. Chegados a 2026, registou-se em março 15.350 alunos. Aumentou não apenas o número de alunos como o número de escolas que ensinam português. Passaram de 32 a 67. Houve também um aumento no número de professores, que passou de 63 docentes a 160. Mais precisamente no ensino superior, o número de universidades que oferecem cursos de língua portuguesa também aumentou de 7 em 2022 para 10 em 2026. Quatro instituições universitárias venezuelanas têm protocolos de cooperação com o Camões. A mais recente, a Universidade de los Andes, entrou em funcionamento em 2024 e prevê-se abrir a breve trecho um centro de língua. São números significativos.
Conselheiros da Diáspora e das Comunidades Portuguesas
“A nossa rede externa é ampla, multifacetada e plenamente articulada com a rede externa do MNE”, explica a Presidente do Instituto Camões. Está pensada em função da realidade local em que se insere, que é muito diferente de país para país, em África, na Europa ou nas Américas. Conforme o seu documento fundador, o Camões, I.P. prossegue atribuições do MNE sob a superintendência e tutela ministerial.
Trabalham em ligação estreita com a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação e a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Há uma ligação umbilical à nossa Diáspora e às temáticas do seu interesse.
Há pouco menos de um ano, uma das Comissões do Conselho das Comunidades publicou um parecer cujo teor reflete “muitas das nossas preocupações”, ou seja: recrutamento de professores, celebração de acordos bilaterais, desenvolvimento de projetos e planos educativos e culturais direcionados aos jovens lusodescendentes, a promoção da nossa cultura, o estabelecimento de parcerias, o desenvolvimento de programas de divulgação. São temas de interesse comum, em que se encontram a trabalhar.
A Presidente Florbela Paraíba do Instituto Camões, deixou uma mensagem de “espírito de serviço”. Revelando também que é este o ânimo que nos guia: Chegar às nossas comunidades, manter uma relação de proximidade, promover a nossa língua como ferramenta de trabalho, de economia, de cultura, ciência e conhecimento, projetar a nossa universalidade. O Camões, I.P. é uma instituição de portas abertas, que dialoga, ouve e responde, que tem na ambição de ir mais além o seu ADN. Finaliza a Presidente, Florbela Paraíba.




