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Terça-feira - 9 Junho 2026
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EXCLUSIVO: Jornadas sociais da misericórdia de Paris

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A Santa Casa da Misericórdia de Paris realizou as Jornadas Sociais anuais no Consulado de Portugal, nas quais, desde a sua fundação, propõe um plano de ação complementar dedicado aos problemas específicos da comunidade portuguesa. É sempre um momento privilegiado de reflexão e de partilha do conhecimento sobre forma de colóquio.

Este ano discutiu-se o tema “As obras da Misericórdia e os Direitos Humanos “, onde se abordou a ameaça diária a esses direitos, com a participação de Manuel Dias, vice-presidente da liga dos Direitos do Homem em Bordéus, e que avançou ao Jornal Comunidades Lusófonas, “A solidariedade está em grande sofrimento e em grande dificuldade a nível institucional. A maior solidariedade que existe é interpessoal no seio das famílias, entre os idosos e os jovens. Uma atuação que permite o não agravamento das situações. A solidariedade institucional está cada vez mais frágil e burocrática, o que vai valendo aos mais desfavorecidos é a ajuda civil de particulares e associações.”

Procurámos saber se a humanidade ainda vai a tempo de inverter a referida fragilidade, “Há sempre tempo para inventar novas maneiras de estar no mundo e de ser solidário, não pode haver paz no mundo sem fraternidade nem solidariedade entre os Homens. O que pode salvar o planeta da guerra é a união, a empatia e a capacidade de generosidade para com o outro”, respondeu o dirigente. Para a Cônsul Geral de Portugal em Paris, Mónica Lisboa, “Temos de ir a tempo, mesmo que a solidariedade esteja em perigo e que a vida e a sociedade estejam cada vez num ritmo mais acelerado, não sendo fácil o quotidiano de cada um. Temos de ir a tempo de olhar para o outro, cuidar do próximo e tirar um bocadinho do nosso tempo para estar nestas jornadas sociais”. Ilda Nunes é a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris e apela a que mais voluntários se juntem a esta causa, “Se formos mais, haverá menos pobreza! Pobreza não é só de comer e de dinheiro, pobreza é também solidão, as pessoas que estão sozinhas, que não têm família ou que não se entendem bem com ela, pessoas que estão doentes em casa e que não recebem ninguém, pessoas que não têm mobilidade para sair e que precisam de ajuda para fazer compras… há tanta maneira de ajudar os nossos irmãos!”.

No balanço destas Jornadas, a Provedora não exitou em afirmar que, “A sociedade tem muito que trabalhar para caminhar no bom sentido. Em Portugal temos eleições em breve e convido todos a votar, porque quem não vota não se pode queixar! Só assim se cumpre a cidadania e se ganha o direito a reclamar. Ainda vivemos numa sociedade solidária, pena é que as pessoas solidárias sejam muito poucas. O problema principal é que cada vez há mais necessidades e mais gente a procurar apoio.” Já para Mónica Lisboa, apresenta-se “Um retrato de uma sociedade e de uma comunidade que se quer mais justa, mais humanista e sobretudo que faça valer os seus direitos, mas também os seus deveres. Foram feitos apelos para que se continue a combater a desigualdade e a desempenhar a cidadania política. Deixei um apelo muito particular ao exercício de voto, um direito adquirido muito importante que devemos continuar a proteger para salvaguarda dos nossos direitos em democracia.”

O final da sessão ficou marcado por um momento arrepiante com entoação da “Grândola Vila Morena” ao ritmo de Francisco Fanhais, com todos os participantes de pé e braço dado, ao qual se seguiu uma degustação de iguarias portuguesas e vinho do Porto.

No mesmo fim de semana decorreu o habitual jantar de Gala na Sala Vasco da Gama em Valenton, com a presença de Pedro Fonseca, adjunto da Secretaria de Estado das Comunidades, e Eurico Dias, líder parlamentar do partido Socialista, onde mais de uma

centena de participantes contemplaram a magnifica voz do jovem Gabriel Lobão, finalista do The Voice France em 2024. O final da noite foi animado por Vanessa Miranda acompanhada da banda Imprevistos.

Destaques:

Ilda Nunes: “SE FORMOS MAIS, HAVERÁ MENOS POBREZA!”

Mónica Lisboa: “RETRATO DE UMA SOCIEDADE QUE SE QUER MAIS JUSTA, MAIS HUMANISTA”

Eduardo Lino, novembro 2025

Jornal Comunidades Lusófonas
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