Mapril Luís Batista, foi para França em 1962, viveu em Portugal até aos 7 anos, e atualmente vive na capital francesa. Este português, como muitos outros conseguiu atingir o topo nos negócios. Tem sido um visionário na área do transporte de doentes com as (agora) suas ambulâncias que marcam a diferença das demais que andam a circular por esse mundo fora.

Chegou a França em criança e foi para a escola, mas aos 17 anos deixou os assentos das salas de aulas, e trocou-os pelos das ambulâncias, onde iniciou a sua carreira profissional como motorista, trocando o engenho das canetas pelo volante, a transportar doentes, em Paris no departamento 77, que fica a 12 quilómetros de Cidade Luz. Trabalhou lá por um ano e meio, e em 1978 decidiu criar o seu próprio negócio na mesma área. Comprou uma ambulância, e a partir daí a história de sucesso de Mapril começa a moldar-se, e projetar-se numa linha ascendente.

Homem sem grandes rodeios, e atento ao que lhe rodeia, Mapril Batista é um homem de negócios de sucesso. Nos anos 88/89 tinha cerca de 400 ambulância a andar sobre Paris, também detinha exclusividade não só com os hospitais de Paris, mas também dos arredores, e tinha mais ou menos 580/600 empregados a trabalhar para ele.

Nos anos de 1994/1995 foi nomeado Vice-Presidente no Sindicato Patronal a nível Nacional “e apercebi-me, e trazia no pensamento há já algum tempo, que as minhas ambulâncias não estavam adaptadas ao transporte dos meus doentes.” Relembra.
Fez um estudo sobre isso e começou a fabricar ambulâncias para as suas empresas. Comprava mais ou menos 50 ambulâncias por ano, tinha um grupo de várias empresas. Foi o primeiro a constituir um grupo de ambulâncias em França. Hoje a maior parte das empresas é tudo em grupo, mas naquele tempo primeiro ninguém o fazia, “fui o primeiro, e comecei, a pôr as minhas ambulâncias, pois “inventei”, um degrau no carro, que era mais fácil não para os doentes, mas para os motoristas entrarem,” desvenda.

Os doentes iam na ambulância, e para se sentirem mais confortáveis, “pusemos um ar condicionado como deve ser, pois em França a partir do mês de maio até ao mês de agosto é muito quente, e os meus doentes sofriam muito com o calor dentro da ambulância, e o ar condicionado potente, foi uma aposta ganha.
Nesse tempo não era preciso autorizações no que dizia respeito às ambulâncias, mas em 2011, surgiu uma lei (17/89), que exigia algumas correções, no transporte de doentes, e que viria a mudar o paradigma anterior, pois antes disso, pouca gente, faziam um pouco o que queria. Não havia legislação sobre, por exemplo, as autocaravanas. Estava tudo um pouco ao sabor de cada um, e o que é curioso é que em Portugal ainda hoje não exigem uma lei.

Mas para o empresário Mapril, as suas ambulâncias tinham que ter o maior conforto possível para o transporte dos seus doentes. Apetrechou-as com um ar condicionado, e aquecimento forte, e faziam um transporte mais adaptado à doença de cada utente. Puseram na maca, um colchão mais confortável.
A pouco e pouco os seus concorrentes começarem a aperceber-se que os seus carros estavam muito mais adaptados do que o deles, e começaram a pedir, se eu podia fabricar para eles, foi nesse momento que surgiu a ideia de começar a fabricar, – e como tinha a oportunidade de conhecer o que se passava a nível nacional -, porque fazia reuniões a esse nível, no sindicato, surgiu em 1998 a ideia de criar a empresa Les Dauphins.” Revelou Mapril Batista.
É sempre difícil encontrar nomes para as empresas. “Eu tive muitas empresas, e decidi escolher um animal simpático, amigo do Homem, que consideramos no mar o Salvador do Homem. E que gera simpatia, não conheço ninguém que não goste de Gofinhos, e ao mesmo tempo lembrava-me Portugal, o Sol e o mar. Foi uma mistura de coisas, e que me levou a colocar o nome de Les Dauphins. Hoje esta empresa é conhecida ao nível sanitário no mundo inteiro.” Diz com orgulho o empresário, que iniciou em 1998, mas como começou a vender ao nível nacional, arrancaram no ano 2000, há 25 anos.
Com tantos anos de França, perguntamos a Mapril Batista, se se considera mais português ou francês, ao que nos respondeu: ao contrário de muita gente, eu sinto-me francês a 100% e sinto-me português 150%. “Não tenho problemas nenhuns, tanto em Portugal como em França. Sinto-me em casa, tanto em Portugal como em França. Não tenho nenhum problema, ao contrário do que muita gente que diz que em Portugal não respeitam muitos as pessoas de fora, eu digo que não é bem assim, eu sinto-me tão bem em Portugal quando estou em Portugal, só posso dizer bem dos portugueses e quando estou em França digo a mesma coisa sobre sobre os franceses, se bem que agora, já há pouco franceses.” Acrescenta Mapril.
Sente que há mais discriminação, em Portugal ou em França? E quais são os projetos de futuro?
Para o empresário, “em Portugal não há discriminação. Pelo menos não conheço, do meu ponto de vista também não há em França. Não quer dizer que não tenhamos os nossos problemas, mas isso é a nível nacional, uma emigração enorme que vem de todos os lados e do mundo inteiro, e uma falta de respeito das pessoas, entre uns e outros, mas eu não tenho problemas. Mas é verdade que a França já não é a França dos anos 80. A França de hoje, temos que nos adaptar. Para quem quiser continuar a viver lá, mas a França mudou em muita coisa e está alterada, está completamente diferente.” Refere Batista.
Com quase 70 anos, já começa a pensar na reforma, não que esteja cansado do trabalho, pois fá-lo com dedicação e entusiasmo. Continua a ajudar os filhos.
A fábrica é em Aveiro, e Mapril anda sempre com um pé em França e o outro em Portugal. A sua empresa dá trabalho a 145 pessoas, dinamizando mais aquela zona de Aveiro, e fazem muitos milhões de euros ano, que é uma mais valia para a autarquia local e ao nível nacional.



