Ao longo do percurso pela diáspora temos encontrado portuguesas e lusodescendentes que se têm destacado a nível profissional, quer seja a trabalhar por conta de outrem ou no empreendedorismo. A sua resistência e resiliência são traços comuns aos seus congéneres, cujas qualidades se identificam no plano laboral. Estes atributos, são alvo de vários adjetivos que os colocam em patamares diferenciados e facilitam chegar às elaboradas metas. Temos contado histórias de superação e a concretização de sonhos, quer seja Americano ou doutro continente qualquer. Abriram-nos a porta e fizemos o favor de entrar…
Liliana Tavares Ribeiro, é mais um dos casos paradigmáticos, sente-se preparada para um trabalho internacional na sua área, a sua formação, que inclui uma dupla licenciatura em Administração e Negócios Internacionais – percurso América latina (em França) e em Ciências empresariais (em Portugal), bem como o mestrado atual em Mercado Internacional da arte Contemporânea, proporciona-lhe uma visão ampla e multicultural do mundo profissional e artístico.
As suas origens são de terras transmontanas de onde saíram de Portugal os seus pais em busca de uma vida mais confortável e por terras Francesas nasceu Liliana. O seu percurso de vida tem sido bem recheado, entre Portugal e o país Gaulês. O rodopio do entra e sai do avião, ora está lá, ora está cá, a sua vida tem sido feita nas alturas, onde as nuvens são rasgadas pelas viagens constantes.
A saudade dita as suas regras, ora fica lá e morre de saudades de cá, ora fica cá com a vontade de ir. Sente-se divida, algumas permanências, por cá, para aprofundar conhecimentos na terra natal dos seus país onde as raízes estão bem vincadas.
Tendo nascido e crescido em França, a lusodescendente diz que no seu caso surgiu a oportunidade de vir estudar para Portugal e ter um percurso académico francês e português.
Sempre sentiu uma ligação muito forte com as suas origens. Apesar de frequentar a escola em França, quando chegava a casa era como se regressasse a Portugal: os pais falavam português (“ainda que a minha irmã e eu respondêssemos em francês”), e viam televisão portuguesa ou brasileira e sintonizavam a rádio de Portugal, à hora das refeições, acompanhadas com comida portuguesa para manterem as tradições.
Durante muitos anos, a sua relação com Portugal limitava-se às visitas anuais à pequena aldeia transmontana de onde os pais vinham. Estudar em Portugal não era, inicialmente, uma evidência para ela, pois não se imaginava a viver ou trabalhar lá.
Contudo, com o tempo, cresceu dentro dela uma necessidade de conhecer verdadeiramente o país da família e a cultura portuguesa de forma mais profunda. Decidir estudar em Portugal foi uma oportunidade de redescoberta pessoal e de enriquecimento académico e profissional.
Durante o estágio numa galeria de arte no Porto, teve contacto com um público diversificado, incluindo muitos visitantes e colecionadores Francófonos: “Uma experiência que me permitiu valorizar as minhas duas culturas de forma muito concreta.”
Viveu em Lisboa e no Porto, cuja experiência transformou profundamente, tanto a nível pessoal como profissional. Hoje, sente-se tanto portuguesa como francesa, “e estou muito satisfeita com essa decisão, que ampliou a minha visão do mundo e reforçou o meu compromisso com o diálogo cultural entre os dois países,” reforça.
Pretende ficar fora de Portugal, ou vai aventurar-se internacionalmente?
Liliana começa por dizer que o seu percurso e projetos têm uma dimensão naturalmente internacional. Atualmente vive em França e pretende continuar a desenvolver projetos culturais que valorizem o diálogo entre França, Portugal, países lusófonos e latino-americanos. Não descarta novas experiências internacionais, sobretudo em contextos ligados à arte contemporânea, à curadoria e ao mercado da arte.
Considera a sua formação e percurso multicultural uma mais valia. Tem experiência em contextos académicos e profissionais tanto franceses como portugueses provendo-a de uma grande capacidade de adaptação, uma visão crítica e comparativa, e uma sensibilidade cultural ampla que a distingue.
Escolheu ir para Portugal não apenas por ser o país das suas origens, mas também por querer compreender a sua realidade contemporânea, além dos estereótipos. Quis mergulhar na sua cultura artística e descobrir o modo como o país dialoga com o mundo através da arte. Essa decisão foi também uma forma de unir as duas partes da sua identidade.
As lições que tirou de Portugal, e fora dele, aprendeu o valor da diversidade cultural e da importância de criar pontes entre diferentes contextos. Viveu de perto a riqueza das trocas internacionais e percebeu como a arte pode ser uma linguagem comum.
Também aprendeu a ter mais autonomia, disciplina e a ver a identidade como algo em constante construção. A essas bases académicas, somam-se às experiências práticas que adquiriu em galerias e instituições culturais tanto em Portugal como em França, que reforçam a sua capacidade de adaptação, sensibilidade intercultural e o domínio das dinâmicas do mercado da arte a nível internacional.
Sente falta de Portugal, ou as novas tecnologias conseguem colmatar, e com que frequência vem ao país?
Liliana sente saudades de Portugal, não apenas do país em si, mas também do lugar que lhe permitiu compreender melhor “quem sou e de onde venho. Tenho um grande carinho pelas pessoas, pela cultura e sobretudo, pelas minhas raízes familiares em Trás-os-Montes, onde se encontram muitas das minhas memórias de infância.” Relembra.
As novas tecnologias ajudam a manter o contacto com os amigos e colegas que deixou em Portugal, o que torna a distância mais suportável. No entanto, há laços e afetos que só se alimentam com tempo e momentos de qualidade partilhados, talvez seja por isso que gosta de continuar a escrever cartas à mão para a família: um gesto simples, mas cheio de significado, que a liga às tradições e à ternura das relações familiares.
“Costumo visitar Portugal pelo menos uma vez por ano, seja por motivos pessoais ou profissionais. Cada visita é uma oportunidade de reencontrar as minhas origens, de me inspirar e de reforçar a ligação entre as duas culturas que fazem parte de mim, termina desta forma Liliana Tavares Ribeiro.



