Macau é um território que estabelece pontes entre o Ocidente e o Oriente, entre Portugal e a China, entre a Lusofonia e a cultura chinesa. A região administrativa especial da República popular da China, outrora administrada por Portugal, reforça os laços do passado, caminhando para o futuro com uma economia diversificada e uma cultura rica. Presentemente estabeleceu uma parceria com Portugal, para que este último, possa ajudar na promoção e divulgação daquele território, onde não se respira apenas o jogo, com casinos espalhados um pouco por todo o lado, Macau pretende dar-se a conhecer ao Mundo, com a sua vasta oferta turística.
Macau é um pequeno milagre geográfico. A sua localização, na costa meridional, a Oeste do Rio das Pérolas, distando apenas 60 km de Hong Kong, e o facto de possuir 41 quilómetros de linha costeira, explicam o motivo desta Península ser um entreposto comercial cobiçado ao longo da história.
A administração portuguesa que se estabeleceu, no século XVI, em 1557, resultou de um entendimento entre o Governo chinês e os comerciantes portugueses, que ficaram a gerir o território. Esta parceria económica e cultural durou 400 anos, e teve o grande mérito de aproximar não só dois países como dois Continentes e duas línguas e culturas num mesmo espaço.
Essa simbiose, teve as suas consequências: não só Macau se tornou no primeiro entreposto comercial europeu em território chinês, ligando a China, à Europa e ao Japão, como impulsionou as trocas culturais que mudaram a feição da chamada “Pérola do Oriente”, em referência à sua proximidade ao Rio das Pérolas.
Neste capítulo é particularmente importante o papel que desempenhou a Igreja Católica, nomeadamente os jesuítas, cuja ação contribuiu para a promoção do intercâmbio ético, cultural e científico entre o Ocidente e o Oriente. Momentos significativos dessa presença religiosa e cultural foram, por exemplo, a criação da Diocese de Macau pelo Papa Gregório XIII ou a edificação do Colégio de São Paulo, também conhecido como Colégio da Madre de Deus, no século XVI.
Esta Instituição do Ensino universitário, fundada em 1594, teve uma particular importância, já que foi a primeira Entidade do Ensino Superior de tipo ocidental, possuindo um currículo equiparável ao de qualquer universidade. Apesar de um incêndio ter destruído o Colégio e a Igreja anexa, em 1835, sobreviveram as ruínas de S. Paulo que, em 2005, foram incluídas no núcleo histórico de Macau, que consta da lista do Património Mundial da Humidade da UNESCO.
Além da influência da Igreja, na organização social e cultural de Macau, a região também foi um viveiro para intelectuais que assimilavam a cultura local, e faziam dela uma inspiração para a sua criação. Entre outras figuras, podemos destacar dois escritores portugueses, Camilo Pessanha e Wenceslau Moraes, amigos e cúmplices nessa fusão intercultural.
Camilo Pessanha foi um dos mais importantes poetas portugueses entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX. A sua obra, “ Clepsiadra”, é considerada uma das obras-primas da literatura portuguesa, influenciando autores como Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner ou Mário de Sá-Carneiro.
Venceslau de Moraes escreveu vários livros ligados ao Oriente e sobretudo ao Japão. Neste país recolheu informações sobre os hábitos sociais e culturais, partilhando essas impressões com os leitores portugueses.
Já no século XX, com a mudança das circunstâncias históricas e uma certa instabilidade social, Portugal e a China aproximaram-se com vista a assegurar uma transição de poder para o governo chinês. Esta ocorreu em 1999, com a criação da região especial administrativa sob o lema “ Um país, dois sistemas”.
Com uma população de mais de 685,900 habitantes em 2025, Macau e um índice de Desenvolvimento humano muito elevado (0, 914), Macau afirma-se, na atualidade, como no passado, como um ponto de confluência económica. Entre as principais atividades destaca-se o Turismo e, nesta área, o Jogo que se tornou um ex-libris do desenvolvimento da Região.
Os números são impressionantes: em 2005, as somas envolvidas no Jogo, em Macau, equivaleram às de Las Vegas (cerca de 5, 6 mil milhões de dólares americanos, em 2010, as receitas brutas desta área atingiram os 2,375 mil milhões de dólares.
Paralelamente ao crescimento do Turismo e da economia local, expandiram-se as infraestruturas de Macau. O desenvolvimento da rede viária de transportes, a criação do Metro Ligeiro de Macau e a complementaridade de equipamentos já existentes como o Aeroporto Internacional de Macau, asseguram que se continua o esforço de crescimento da sua economia e cultura.
Esse parece ser o destino de Macau. Ser uma ponte para o futuro, o lugar privilegiado onde dois Continentes, duas línguas, dois países se encontram e se enriquecem mutuamente.
Rui Marques




