A semana passada comemorou-se mais um aniversário da morte de Mário Pinto de Andrade. Fundador do MPLA, Ministro da Informação e da cultura de Guiné Bissau, entre 1975 e 1980, foi um dos grandes intelectuais lusófonos do século XX, mantendo uma ligação forte não só com a sua pátria angolana, mas também com outros pensadores da Lusofonia.
Em 2024, o documentário “ Mário” da autoria do cineasta norte-americano Bill Woodberry, aproximou mais a sua figura do conhecimento do grande público. Neste filme, traçavam-se as linhas gerais que acompanharam a sua atividade política e cívica: com a sua abordagem sociológica, a sua área de saber, estimulou uma visão pan-africana, analisando os assuntos africanos numa perspetiva identitária.
Mário Gama, outra personalidade crucial na cultura angolana e na história do MPLA, recordou, em declarações ao Jornal das Comunidades Lusófonas, o espírito de missão da família Pinto de Andrade, à qual está ligado por relações familiares. “ Tanto ele como o irmão Joaquim Pinto de Andrade e outros familiares como Justino Pinto de Andrade, tiveram um papel essencial no desenvolvimento do conhecimento académico e científico em Angola, devotando uma dedicação incondicional à causa pública”.
Nascido a 21 de Agosto de 1928, no Golungo Alto, Mário Pinto de Andrade afirmou-se como sociólogo, filólogo, ensaísta, militar, e é considerado o patrono da sociologia angolana. Frequentou o Seminário de Luanda, onde concluiu os estudos primários, em 1948, e os estudos secundários no colégio das Beiras, chegando a trabalhar na capital angolana como professor de latim e português.
Em 1948, parte para Lisboa, e estuda Filologia Clássica na Faculdade de Letras, e aí junta-se a um grupo de notáveis estudantes e intelectuais lusófonos como Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Lúcio Lara e José Tenreiro. Desse encontro nascerá o Centro de Estudos africanos, em 1951, um espaço onde se debatem os problemas do Continente africano.
Em 1954 exila-se em Paris, cidade onde conhece Nelson Mandela ou Léopold Seigneur, e, entre 1951 e 1958, trabalha como Chefe da redação da conceituada revista Presénce Africaine. O seu ativismo político leva-o a marcar presença nos dois primeiros Congressos de artistas africanos, e a exercer cargos diretivos do MPLA entre 1959 e 1962.
A sua obra ensaística é extensa e valiosa. É autor, entre outros livros, da “Antologia de Poesia negra de Expressão portuguesa” ( 1958), “Amílcar Cabral: essai de Biographie politique” (1980) e “As origens do Nacionalismo Africano”, publicada após a sua morte – em 1997.
Mário Pinto de Andrade morreu em Londres, em 1990. O seu contributo, nas áreas mais diversas, fazem dele um dos mais importantes intelectuais africanos do século XX, e a sua obra merece um olhar atento de todos os interessados nas questões africanas e da Lusofonia.
Rui Marques





