Dois nevões consecutivos e fora do comum no início do ano, trouxeram o caos às estradas da capital francesa. Apenas 5 cm de neve a cair durante duas horas ao fim da tarde causaram mais de mil quilómetros de filas no transito, e as pessoas a demorarem cerca de 3 horas para regressarem a casa.

Foram registados mais de 900 acidentes de viação, um deles com duas vítimas mortais por encarceramento. Dificuldades aumentadas com a imobilização dos autocarros e falhas constantes na rede do metro. Cenário que se repetiu com menos de 30 horas de diferença, mas que desta vez, após os apelos das autoridades, motivou a consciência da população, que ficou em casa e evitou deslocações, apesar de coincidir com o primeiro dia de saldos de inverno, que por norma traz milhões de consumidores às lojas e às zonas comerciais.

Durante este período de constrangimentos, os abastecimentos de eletricidade, água, gás, e aquecimento não sofreram interrupções.
É caso para dizer que a “Montanha veio à Cidade”, criando cenários de rara beleza efémera em parques e jardins, bem aproveitados para as famílias se divertirem a brincar e a fazer pequenas “construções” na neve, proporcionando interações quase desconhecidas nos mais novos. Houve até quem tirasse os skis do armário para os usar de forma hábil ao deslizar nos passeios, pistas (não)cicláveis e até mesmo nas várias colinas da cidade e da periferia.
Os desportos de inverno contam com milhares de praticantes parisienses, que durante as duas semanas de férias escolares de fevereiro em França, esgotam as estâncias de ski, tornando-a na segunda época mais importante do lazer em terras gaulesas.
Eduardo Lino, janeiro 2026 (Correspondente em Paris)



