Catarina Ribeiro Fernandes, iniciou a sua carreira de estudante no Colégio Maristas em Carcavelos, Lisboa, de seguida foi para a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, onde se licenciou em Economia. Desde muito cedo teve o sonho de aprofundar conhecimentos e uma experiência internacional, começou a pesquisar Universidades nos Estados Unidos, em Boston, Nova Iorque, Filadélfia, etc.
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O seu namorado, hoje marido, também queria estudar fora e estava na altura a preparar-se para os exames de admissão dos MBA’s internacionais. Ambos foram aos Estados Unidos sondar várias Universidades para ver qual seria a viabilidade de estudar ou em Harvard, Columbia, Wharton e outras universidades Norte-Americanas. O sonho estava cada vez mais tangível e com a companhia do marido a aventura internacional transformava-se em realidade.
À época o seu namorado já se encontrava a trabalhar em consultoria e estava a preparar-se para fazer um exame que é obrigatório para entrada nos MBA’s internacionais. Catarina, quatro anos mais nova, ainda se encontrava a frequentar a licenciatura na Nova de Lisboa. E no seu último ano de licenciatura pensou também a aventura-se juntamente com o namorado.

Primeiramente foram aos Estados Unidos para visitar várias universidades. Foram a Harvard, em Boston. A Columbia, em Nova Iorque. E a Wharton, em Filadélfia. No final dessa viagem, voltaram para Portugal e começaram a pensar seriamente em candidatarem-se para irem fazer um MBA nos Estados Unidos, pois gostaram do que viram.
Catarina ainda estava então na faculdade e começou também a preparar-se para esse exame de entrada, pois é um processo complexo e exige muito estudo. Demora semanas, meses a preparar, mas acabou por ser muito mais simples para Catarina do que para o atual marido, pois já estava no mundo do trabalho.

Fizeram o exame e Catarina ficou logo apta e a nota era válida durante cinco anos. Ainda trabalhou em consultoria, dois anos na mesma empresa onde estava o seu marido, na Kearney, uma consultora de Gestão. Acabou a licenciatura com 21 anos, no programa atual de Bolonha, que tem duração de três anos. Na altura, a maior parte dos seus colegas ficaram a fazer o Mestrado, mais dois anos de estudo. Catarina já tinha conseguido o emprego que queria, trabalhar em consultoria. Mas a sua intenção de ir para fora fazer o MBA, era um sonho que mantinha bem atenta.

Ela e o atual marido candidataram-se em várias Universidades nos Estados Unidos, conseguiram lugar em todas, mas foi Harvard a escolhida por ambos. Casaram, no dia 5 de Junho de 2010, e de seguida rumaram para os Estados Unidos, para fazer o MBA, na Universidade de Harvard, em Boston. Normalmente aceitam, um, dois, três, quatro alunos no máximo por ano, mas curiosamente, “éramos seis portugueses” naquela instituição de prestigio nos Estados Unidos e não só.
Harvard concede bolsas de estudo ou são os alunos que têm que pagar?
Depende, refere Catarina. Os alunos podem candidatar-se a bolsas, mas conforme os rendimentos, “e como eu só tinha trabalhado dois anos, consegui uma bolsa de 50%, só tive que pagar metade das propinas, mas tive que contrair um empréstimo, – mas penso que hoje em dia as bolsas são ainda mais generosas”. Salienta, mas há outras despesas a ter em conta, como por exemplo a estadia, alimentação e todas as despesas inerentes aos estudos. Era a aluna mais nova do seu ano, tinha 23 anos quando começou o MBA, o marido tinha 27 e a idade média para começar um MBA ronda os 28, 29 anos.
O mestrado que frequentou foi o “Master of Business Administration”, é um mestrado genérico, mais conhecido de Gestão Administrativa de Empresas. A sua experiência juntamente com o seu marido em Boston foi um pouco como “numa bolha”, numa experiência educacional onde nós e todos os nossos colegas, que eram novecentos de alunos por ano, estávamos todos em pé de igualdade, como explica Catarina.
Ninguém, ou muito pouca gente é originária de Boston, praticamente toda a gente vem de outras partes dos Estados Unidos, ou de outros países, mais ou menos 40% dos alunos são internacionais, estávamos em Boston, nos Estados Unidos, mas podíamos estar em qualquer parte do mundo, porque a experiência e as pessoas com quem” interagíamos foi feita num contexto muito Internacional, foi muito fácil a adaptação”.
Além disso, Boston é uma cidade que é considerada muito Europeia, por exemplo, na restauração há muitos restaurantes. A maior parte deles não são o tradicional americano. Há muita cozinha Internacional. É uma cidade que atrai muitos estrangeiros. Mas a nossa vida social era quase exclusivamente com os nossos colegas de curso. Mas havia e há muita interação com estrangeiros, sentimo-nos muito bem recebidos, não houve qualquer sensação de estranheza, salienta a académica.
Uma Mensagem que queira dar aos estudantes ou quem queira emigrar ou quem queira ter uma de experiência de vida.
No segundo ano do Mestrado, Catarina candidatou-se a um doutoramento e foi aceite em várias universidades, mas acabou por optar continuar na Universidade de Harvard. Foram sete anos, no total esteve nove anos em Harvard, dois anos a fazer o MBA e depois sete anos a fazer o doutoramento, esses sete anos no doutoramento marcaram-na muito mais do que do que os dois anos do MBA.
A seguir ao doutoramento, conseguiu uma carreira académica, como professora universitária na Universidade de Emory, em Atlanta. Terminou o doutoramento em 2019. E está em Comportamento Organizacional, é um curso de Gestão. A sua investigação, centra-se no “Tema de trabalho em Equipa”, ou seja, estuda como é que as pessoas trabalham em equipa, como é que as dinâmicas entre as pessoas numa mesma equipa se desenvolvem. Faz estudos com pessoas para ver como é que elas funcionam e dá aulas de negociação a alunos de mestrado e licenciatura. Dá três meses de aulas por ano e o resto do tempo faz investigação.
“E a Mensagem, que pretendo dar é que eu acho que o sonho de ir estudar para o estrangeiro, a recomendação principal é não procurar seguir o caminho que outras pessoas tenham seguido. Aquilo que torna um candidato interessante, um candidato que capta a atenção das universidades ou mesmo empresas no estrangeiro, é conhecer a história única, ou seja, a forma para um português que vem de um país tão pequenino como Portugal poder chamar a atenção de recrutadores ou de universidades estrangeiras.
Passa muito por conseguir contar uma história que se sobressaia das outras todas. Portanto às vezes o meu conselho, é um bocadinho desconstruir a noção de que há um conselho ou que há um percurso para se conseguir ir para fora. O meu conselho é as pessoas voltarem-se para si próprias e pensar o que é que a torna única. Qual é a minha história? E focar-se em contar, essa história e passar a diferença. Ou tentar marcar a diferença por conhecermos muito bem as nossas próprias histórias e conseguirmos perceber aquilo que é especial nelas e não ser igual ao percurso que levou mais ninguém a chegar onde está, é um conselho anti anti noção de conselho genérico, porque eu acho que somos, de facto, todos muito únicos e aquilo que nos torna especiais é precisamente essa diferença.” Termina Catarina Ribeiro Fernandes.

Lígia Mourão
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