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Terça-feira - 13 Janeiro 2026

EXCLUSIVO: Nuno Quental “ainda falta muito por fazer ao nível tecnológico e acelerador empresarial em Portugal” e as agências junto da Comissão Europeia podem ser a resposta – “Há que estar atento!”

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Temos testemunhado o percurso profissional de alguns portugueses ao nível internacional e a União Europeia não é exceção. Temos constatado que na maioria dos casos esses profissionais encontram-se em cargos de relevância. A inovação e tecnologia são o desafio dos novos tempos. Segundo nos avançou Nuno Quental, a União Europeia apresenta números tímidos envolvidos em tecnologia e aceleradores em Portugal. Nuno Quental referiu que esta realidade vem um pouco ao reboque da falta de informação por parte das empresas portuguesas. Já tentou fazer essa ponte entrando em contacto com algumas mas apenas uma empresa portuguesa respondeu.

Nuno Quental é um Engenheiro que se preocupa com a evolução da sua terra Natal e gostava que estivesse ao nível de outros países europeus e se deixa-se de refugiar na sua periferia. Neste momento, Nuno está a trabalhar numa agência que pertence à Comissão Europeia.

Entrou para substituir uma colega grávida no Comité Económico-Social e iniciou as suas funções na União Europeia. Foi “ quase por sorte”, porque assim que soube desse facto, concorreu e foi aceite no ano de 2013. Foi para Bruxelas em 2011 e em 2013 começou as suas funções no Comité Económico-Social. Referindo também que “uma pessoa estando dentro do sistema depois é mais fácil de encontrar trabalho noutros departamentos”.

Com um conjunto de rigorosas regras, os lugares requererem todos um conjunto de formalidades e Nuno Quental neste momento ocupa o cargo Project Advisor.

Faz a gestão de projetos europeus, com pequenas e médias empresas, na monitorização desses projetos e e neste momento, tem à volta das 20 empresas que acompanha, através de financiamentos. Trabalha na sua maioria com empresas estrangeiras, mas já teve uma empresa portuguesa e há outros colegas seus que também têm.

“Portugal não está muito bem representado no nosso programa”, salienta, é  um programa que apoia empresas altamente Inovadoras e infelizmente Portugal tem sempre uma ou duas que são aceites a cada “call”, o que é pouco expressivo, em comparação com outros países.

Quais são as áreas específicas de cada contrato?

Basicamente é um bocado bottom up, explica Nuno. Apoiam todo o tipo de empresas, desde que sejam altamente inovadoras, sobretudo nas áreas que eles chamam Deep Tech e também na área da saúde. Mas a grande componente de inovação é uma referência primordial. Têm que ser empresas altamente inovadoras ou capazes de revolucionar e perspectivar a alteração ou criação de novos mercados. “É a parte primordial” refere.

Será que há falta de informação por parte das empresas portuguesas quando abrem os seus negócios, nomeadamente startups na área da inovação?

“Talvez haja alguma falta de informação” diz o profissional, mas “custa-me acreditar que seja o fator principal, porque quem está nestas áreas normalmente acaba por saber as possibilidades que existem. E o nosso programa, neste momento, também já é bastante conhecido. Eu penso que o que falta sinceramente daquilo que eu vejo é, de facto, o que eles chamam de ecossistema, existe alguma coisa em Lisboa, por exemplo com o Web Summit e outros, mas, ao fim ao cabo, o país continua a ser pouco atrativo para as empresas altamente inovadoras, em particular ainda mais difícil porque não tem dimensão, não há grandes incentivos, porque quando é para França, que tem grandes programas de apoio às empresas, ao que designam de aceleradores, os programas que procuram apoiar as empresas no seu crescimento e desenvolvimento, é feito seja através de medidas fiscais, ou apoios de especialistas, com capacidade e conhecimentos para apoiar essas empresas no seu processo de desenvolvimento.” Revela Nuno Quental.

E Portugal tem um ecossistema que ainda um pouco incipiente, há muitas coisas que ainda “falta fazer para que as startups em Portugal, cresçam e sejam mais eficazes.  Ao nível académico também não existe uma conexão muito próxima entre estas e as empresas, que podem permitir que nasçam projetos de alunos de doutoramento, e outros.

As universidades também ainda não estão muito orientadas para a ciência pura e dura, na exploração da ciência e transformação desta em mercados, em produtos, em serviços. Há muita coisa ainda por fazer no nosso país,” adianta Nuno Quental.

Considera que as instituições europeias e as empresas, nacionais e estrangeiras possam ser uma peça fundamental como uma espécie de “incubadora”, ao nível de estágios e ajudá-los a serem empreendedores, após a formação académica.

Segundo Nuno, considera que é importante que os alunos tenham alguma informação e aprenderem como é que se podem tornar empresários. Acho que isso era muito importante. Eu próprio sou engenheiro do ambiente e não tive nada que se assemelhar. Tive uma cadeira, mas foi mais numa perspetiva académica e  não na perspetiva de criação de empresa.

Pensa que as universidades têm que dar esse salto. Talvez haja alguns exemplos já no país. Na Universidade Nova e no Instituto Técnico de Lisboa, mas em geral pensa que não está a ser feito muita coisa.

Ao nível do Governo pensa que era muito importante haver legislação nacional para incentivos ao nível fiscal com um tratamento muito específico para as Startups, com bons programas de incubação e de aceleração. Com escritório a custos mais baixos, apesar de já começar a haver em Lisboia e no Porto, mas deve ser extensivo a todo o território nacional.

Os famosos modos  de aceleração, porque a aceleração das empresas inclui uma componente técnica, com uma bolsa, por exemplo, de peritos que ajudam as empresas, porque muitas vezes nascem de uma componente científica muito forte, mas depois falta o know-how de estruturação da própria empresa e da parte do mercado, do Business, de como é que se cria um negócio e os programas de aceleração. Esses programas são fundamentais e a falta de capital em Portugal é muito escasso.

Tendo em conta que Portugal e Espanha são mais periféricos, como podemos fazer “frente” às grandes Alemãs, Finlandesas.

“Nós estamos sempre em competição com os outros, a questão é que não há muito dinheiro que seja só dirigido para Portugal ou para a Espanha ou para a Grécia, para esse tipo de países, ou para a Roménia, a Bulgária, não há muito dinheiro, há algum, mas há pouco.

A esmagadora maioria do dinheiro é atribuído com base na excelência o que significa que Portugal está a competir com as Franças, as Alemanhas, as Finlândias e Suécias, está a competir com essa gente toda e as nossas empresas, muitas vezes não conseguem passar à fase seguinte porque não pontuam tão bem. E isto porquê? Porque faltam os aceleradores, porque há falta de apoio nas universidades, falta o tal ecossistema. Era preciso que o ecossistema português melhorasse para que as nossas empresas estivessem também nas competições internacionais.

É um trabalho ainda muito longo a percorrer, há que esperar e ver o que vai ser feito daqui para a frente. Não podemos ser vistos constantemente como um país que está na cauda da Europa, de frente ao Atlântico, com a nossa irmã, Espanha.

Lígia Mourão
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