Ivone Rocha, Presidente da Plataforma Crescimento Sustentável, em entrevista ao Jornal Comunidades Lusófonas, falou sobre a posição da Plataforma e o que se propõe. A Presidente tomou posse há 3 anos. A PCS foi constituída em 2011 e acreditando no valor incontornável da liberdade e na dignidade de cada pessoa, tem por objeto promover a discussão em torno da formulação de políticas públicas, com vista à construção e de um modelo que seja compatível com o crescimento sustentável.
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A PCS cumpre, este ano, 15 ano. Ao longo do seu mandato a a Presidente Ivone Rocha, propões o lançamento de um ciclo de conferências denominadas de : Encontros Sustentáveis, que, juntamente com o trabalho, de crowd thinking plataforma, tiveram por objeto a elaboração do relatório lançado na quinta-feira passada na conferência. O relatório “Alternativa Sustentável” tem por objeto, o lançamento de ideias e princípios para suscitar a discussão pública em torno da construção de um novo modelo.
Os dois primeiros encontros sustentáveis foram dedicados aos desafios que cumpre enfrentar , o primeiro dedicado à era antropocénica e às alterações climáticas, tentando explicar com a presença do cientista Jürgen Rhein, que veio a Portugal para o efeito, que as alterações climáticas não são um conceito abstrato, não é um problema da ciência, é algo que nos toca todos os dias e Portugal recentemente sentiu os seus efeitos.
O segundo encontro dedicado à Inteligência Artificial não numa perspetiva negativa, mas numa perspetiva construtiva. “Acreditamos nos potenciais da inteligência artificial, mas temos que ter e saber ter a consciência de que a mesma, se não for devidamente regulada, pode também comportar efeitos não desejados ou até nefastos, nomeadamente pela compressão dos nossos direitos de personalidade, pondo inclusive em causa o nosso sistema democrático, mas também no mercado do trabalho, pela transformação disruptiva que comporta.” Salienta a Presidente.
O terceiro encontro teve lugar na quinta-feira passada, com a apresentação do “nosso relatório”, o nosso contributo que resulta do nosso Growd thinking e os debates que promovemos anteriormente. Nele “Vamos lançar à discussão quatro princípios, o princípio do longotermismo, “ devemos no presente considerar os efeitos futuros das decisões de hoje”. Salienta a Presidente, Ivone Rocha, juntamente com o princípio da solidariedade intergeracional, que nos obriga no presente a satisfazer as nossas necessidades, mas sem comprometer as necessidades das gerações futuras. O princípio da ponderação científica. Porque é impossível fazer tudo isto com base no improviso.
“O improviso sai caro e não há espaço para improvisar,entendemos que a decisão política legitimada na democracia deve também contar com o suporte de fundamentação legitimado no conhecimento. Finalmente, o princípio da interdependência, ou seja, a nossa consciência de que o que fazemos localmente tem impacto global, mas também o facto de termos cada vez mais necessidade de ter políticas públicas integradas e com uma visão sistémica do todo e estes são os principais princípios, dando depois como exemplo a sua aplicabilidade ao longo de vários eixos que vão desde a transição energética, passando pela ciência, agricultura, habitação, mobilidade, etc.” Destaca.
Plataforma Crescimento Sustentável, entidade pública ou privada?
A Plataforma para o Crescimento Sustentável é uma associação privada. O Think tank na altura, em 2011, era o único Think Tank português e que tinha e tem como membros cidadãos independentes com o objeto de partilhar as suas posições/conhecimento com vista a contribuir para uma sociedade melhor. É uma associação cívica. “Temos um denominador comum, acreditamos e gostamos todos de Portugal,” refere.
Contam com c.d. 440 associados. A plataforma atua em Portugal, mas promove uma rede de contactos com outros Think Tanks internacionais. para realização de eventos conjuntos.
Portugal partilha, como os outros países, da dificuldade, de cumprir as metas do Acordo de Paris se continuarmos a fazer o que estamos a fazer. Este problema em Portugal é tanto mais grave, porque sendo um país periférico, somos altamente propícios a sermos objeto de eventos extremos e eles têm-se estado a notar.
Ivone Rocha ressalta que no ano passado foram os incêndios, recentemente as cheias. Tudo isto comporta danos nas infraestruturas e humanos irreparáveis. Portugal tem metas importantes e tem desenvolvido políticas públicas importantes, nomeadamente do lado da produção de energia renovável, mas também “temos índices que estão abaixo das médias europeias.”
Um exemplo, na circularidade, na promoção de uma economia circular que é absolutamente essencial, a nossa proporção de materiais secundários reintegrados na economia foi de apenas 2.6% em 2022, quando a média Europeia foi de 11.5%.
Há um trabalho muito grande a fazer e que temos que acelerar, por outro lado, e voltando à energia, efetivamente estamos com produção renovável dentro da média e dentro daquilo que é expectável. Mas falta-nos fazer o link entre a oferta e a procura de energia, temos que nos focar agora do lado da procura. “diria que não sendo maus alunos, há todo um trabalho a fazer e de aceleração que precisamos de concretizar, sob pena de continuarmos cada vez mais a sofrer os efeitos climáticos e com tudo o que comporta”. Adverte a Presidente.
Mensagem que gostaria de deixar às pessoas que têm poder para poder influenciar o crescimento sustentável?
Urge repensar o modelo que temos e repensar a forma como nos organizamos, incluindo o próprio Estado. “Nós não podemos continuar com processos de decisão e com procedimentos como há muitos anos, numa realidade que se alterou e de forma disruptiva e aquilo que eu peço e apelamos é para despartidarizar o debate em torno dos princípios e da reestruturação do Estado e da criação do novo modelo, de forma a conseguirmos gerar os consensos necessários à sua implementação. Penso e acreditamos que isto urge fazer, só ganhamos com isso. Ao adiarmos esta discussão, estamos a premiar apenas o populismo e a colocar em risco a nossa estabilidade.” Termina Ivone Rocha, Presidente da Plataforma Crescimento Sustentável.




