No menu items!
13 C
Vila Nova de Gaia
Terça-feira - 13 Janeiro 2026

EXCLUSIVO: O Homem e a benemerência, ou a benemerência e o Homem?

Destaques

Luís Manuel Cunha Pinto Lopes, nasceu em Fafe, no dia 17 de outubro de 1956. Passou a juventude até aos 10 anos e tal em Portugal, na cidade onde nasceu, e o seu pai emigrou em 1965 para trabalhar na Citröen ao fim de dois anos teve a oportunidade de levar a família para França. Primeiro foi a mãe e os irmãos em Maio de 1967, e Luís Manuel foi em setembro desse ano porque teve que terminar a escola primária em Portugal.

Manuel Lopes e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa

Quando lá chegou foi para a escola primária para aprender francês, fez os 4 anos da primária em dois anos, e de seguida foi para o Colégio, depois para o liceu. Quando frequentou na escola primária em Fafe, teve como colega de escola o candidato à Presidência da República Portuguesa no próximo ano, Luís Marques Mendes. Uma daquelas coincidências da vida.

É um empresário e benemérito, tem algumas Associações que ajudam pessoas em momentos muito difíceis das suas vidas.

A parte solidária começou em 1974, cuja primeira associação foi criada por um grupo de amigos da região de Viana do Castelo. Também ajudava uma igreja na missa um padre francês e essa associação foi criada logo a seguir ao 25 de Abril, de 1974, na zona de Colombo, no Departamento 92 nos arredores de Paris.

Esteve num rancho folclórico 16 anos consecutivos, e numa associação que existia há cerca de 45 anos. Esteve envolvido em várias atividades, desde o futebol, rádio, Folclore, e outras tantas atividades.

Em 1982 começou a fazer um programa na rádio francesa, um programa em português, durante 6 anos. Depois integrou a Rádio ALFA, onde todos os sábados de manhã organizava um programa dedicado ao meio associativo. “Já lá estou há 36 anos,” esclarece.

A parte associativa tem também a ver um pouco com o espírito familiar. O seu pai foi bombeiro voluntário nos anos 50 em Portugal, até meados dos anos 60. Quando emigrou, era essa atividade extra que fazia. Em França criou, juntamente com outros amigos, a Associação Colombo. “Soube-me transmitir talvez essa lição, como dizem os bombeiros: pôr a vida ao serviço dos outros”. Salienta.

O facto de estar ligado à Associação de Colombos e ao programa de rádio na altura, houve um grupo de 100 pessoas que decidiram criar, há 32 anos atrás, a Santa Casa da Misericórdia de Paris, para a qual foi convidado a fazer parte dos cem fundadores.

A Santa Casa em Paris é à imagem das Santas Casas em Portugal com um papel um pouco diferente, “não temos lares, hospitais, mas ocupamos mais tempo na ajuda direta, a famílias carenciadas com géneros alimentícios, e também ajuda psicológica, com psicólogos a apoiar as pessoas que necessitam. A Santa Casa tem esse papel importante, na ajuda.

A seguir à Santa Casa, foi convidado por outra associação benemérita, que é a Academia do Bacalhau de Paris. É também uma associação, e está como Vice-Presidente. “Ajudamos também, famílias carenciadas, não só em França como também em Portugal.” Partilha o benemérito.

Também tem uma associação que foi criada há 30 e tal anos, cujo fundador lhe passou a pasta, é uma pessoa que vai fazer 92 anos. O Senhor Manuel Oliveira, que teve a gentileza de o convidar para chefiar essa associação que organiza uma gala uma vez por ano, e que ao longo destes anos todos já distribuiu mais de 400 mil euros, quer para Instituições em França, como em Portugal, um dos últimos pedidos que foi feito ultimamente foi ajudar os bombeiros de Pombal, com rádios para o famoso sistema SIRESP.

“Também ajudamos as vítimas das cheias em Espanha, há um ano, com o envio de utensílios para ajudar, as famílias que ficaram sem nada. Estamos sempre atentos a esses acontecimentos.”

A Santa Casa da Misericórdia de Paris, a Academia do Bacalhau, entre outras, servem para ajudar quem mais precisa, estar mais atento às necessidades das pessoas, a título individual, familiar ou mesmo coletivo.

Uma vida dedicada aos que mais precisam. O que é que espera agora que está na reforma? Quais são os seus objetivos?

Para já, continuar a dar um bocadinho mais de tempo disponível para o meio associativo, mas não posso porque estar a tempo inteiro, ainda estou a trabalhar. “Embora esteja já aposentado, ainda continuo à frente da minha empresa e continuo a administrá-la”.

Mas também há uma coisa importante, porque não se pode fazer isto sem ter também uma base familiar sólida e dedicar um bocadinho mais de tempo durante o dia para os filhos e netos, porque a família é uma boa a base de tudo, tem que se estar presente e também participar. “Eu por acaso tenho a sorte de ter uma esposa que também milita, embora não seja sempre, mas milita também no seio do movimento associativo e participa naquilo que nós fazemos nas campanhas. Desde a distribuição de géneros alimentícios, de roupa, calçado, brinquedos, campanhas de Natal, etc., avança o empresário.

Como é que os os políticos, os presidentes de Câmara veem essa vossa vertente, dos portugueses na área da Beneficência a terceiros? E se têm algum feedback em relação ao vosso trabalho?

Segundo Luís Lopes, os políticos em si, são positivos, fornecem espaços para eventos, como jantares, almoços e recolha do que é preciso. Também ajudam na divulgação de boletins municipais, divulgação de informação, que também podem ser feitas através das redes sociais, das câmaras, entre outros.

Os políticos veem com bons olhos a Comunidade portuguesa, a Comunidade francesa, no seu variado xadrez de partidos, desde a extrema esquerda à extrema direita, tem um olhar de carinho pela comunidade portuguesa, uma comunidade bem integrada, trabalhadora, com poucos problemas.

“Somos vistos com bons olhos. Não nos limitamos a receber e a distribuir unicamente às famílias portuguesas, quando entramos nessas campanhas de distribuição, não olhamos às famílias, não olhamos à cor dessas famílias, nem às nacionalidades.”

Muitas vezes indicam-nos que há famílias com dificuldades, com problemas, com fome, com falta de roupa, e muitas outras dificuldades, é certo que a maioria são portugueses ou de origem portuguesa. Mas também ajudamos famílias Brasileiras, Cabo Cabo Verdianos, Guineenses, que estão radicadas em França, e que muitas vezes, têm trabalhos cujos rendimentos são tão baixos que automaticamente encontram dificuldades ao longo do mês.

Neste momento há uma grande e grave crise em França “e nós cá estamos para ajudar. Ultimamente na Rádio Alfa, tive oportunidade de entrevistar um responsável de uma Câmara, que nos dizia que tem um orçamento bastante grande para ajudar as associações locais. Há esse conhecimento por parte das autarquias, mas os políticos preferem ver as pessoas em geral e os jovens em particular, ocupados a fazer voluntariado, que é o caminho certo, do que andarem a fazer más feitorias, e se desviarem do rumo certo.” Finaliza Manuel Lopes.

Lígia Mourão
Ver Também

EXCLUSIVO: “Empreendedoras da Lei”, na senda diplomática da Europa

Empreendedoras da Lei no Harvard Club, Estados Unidos As “Empreendedoras da Lei”, no dia 6 de dezembro de 2025, encabeçada...