No menu items!
13 C
Vila Nova de Gaia
Terça-feira - 13 Janeiro 2026

EXCLUSIVO – O Homem e a viola: “Nunca tive o privilégio de tocar para a Comunidade Portuguesa Emigrante” – “Era uma parte importante para mim”

Destaques

Silvestre Fonseca é um homem das artes e a viola arrebatou-lhe o coração desde os tempos das fisgas e do esconde-esconde. Às fisgas mal lhe pegou e o esconde-esconde, só quando alguém não estava a tocar pegava na viola e começava a pronunciar uns sons desatinados, mas a seu tempo o Dó e o Ré, já moravam nas suas mãos com os dedos calejados de tanto pressionar as cordas. Viveu no bairro da Madre de Deus em Lisboa pelos menos até aos seus 14,15 anos e frequentava a Escola Artística António Arroio.

Sempre foi virado para a música e à noite juntava-se com os seus amigos no jardim, em frente da casa. Cantavam e tocavam de tudo um pouco; Bossa Nova, as canções do Zeca Afonso, e muita música variada que lhe enchia os pulmões de solfejo.

“Não tinha viola”, começa desta forma Silvestre Fonseca. Só os amigos é que eram os verdadeiros afortunados em poderem ter um instrumento “que tanto me dizia”. Eram momentos maravilhosos estar a ouvi-los, aos bocadinhos emprestavam-me para a sentir, como nunca tinha aprendido tocar a tarefa era difícil e a guitarra “embirrava” e os sons não saiam bem pronunciados. Só com o tempo, “que há quem diga que é o melhor conselheiro”. E os seus dedos se foram apegando e dando a conhecer à viola e começou a falar-lhe.

Para terminar esta história e começar outra, um belo dia, um jornalista alemão foi a casa de um amigo seu fazer uma reportagem sobre o 25 de Abril e levava sempre no carro a guitarra e o seu amigo pediu-lhe que o ouvisse. O Jornalista não hesitou e foi ao carro buscar a guitarra, “toquei para ele prontamente!”, dizendo-me que “estava melhor nas minhas mãos” do que na mala do carro, respondeu o jornalista. “Foi a noite mais feliz da minha vida, foi incrível.” A partir daí começou como autodidata, depois frequentou a escola Duarte Costa e de seguida fez o Conservatório Nacional, aprender a tocar guitarra clássica.

O menino que já não era menino começou a partir de 1980 a tocar durante muitos anos à noite, num bar chamado HIT e de seu proprietário Milo, onde tocou durante 10 anos.

A experiência do bar foi muito importante para a sua carreira, tocava à noite, duas vezes por semana, para todo o tipo de gente, depois foi ao mesmo tempo começando a fazer concertos e a vida sucedeu de forma natural e espontânea.

Gravou 35 discos até ao momento e tem editados em Inglaterra livros de música com as sua obras editadas no Reino Unido, Alemanha, Brasil, Espanha, França e tem feito muitos concertos. Já organizou a grande gala da Morna da música de Cabo Verde, no Casino Estoril, quatro temporadas, e fez 4 galas. “Tenho uma grande ligação com Cabo Verde, e tenho viajado um pouco pelo mundo todo, muitos concertos e o gosto de estar com pessoas. É uma coisa que eu prezo muito,” salienta o músico.

Influências musicais: Jazz, música clássica, onde é que vai buscar as suas bases?

“Eu confesso-lhe que é um pouco de tudo.” Desde o jazz à música clássica, à música popular, tudo entrelaçado. Às vezes, para mim é difícil saber se há, não há só uma influência, há tudo, é curioso porque eu sinto na minha música essas influências todas, daquilo que eu pude escutar até hoje, até do fado, todas as formas.” Revela.

Não tem classificação para catalogar o seu trabalho, porque tem uma vida tão misturada de estilos, “eu sou um músico clássico, para outros pertenço ao World Music, a música universal, mas talvez seja mais simples. Se Eu tivesse mesmo que me classificar, seria um concertista guitarra clássica,” diz.

É solicitado pelas comunidades portuguesas que se encontram lá fora na diáspora?

O artista conta que infelizmente nunca aconteceu, “nunca tive essa Felicidade de estar e conviver com a nossa diáspora com os nossos emigrantes, o que me daria – porque eu acho que sou um artista que à partida estou à vontade com todo o tipo de músicas – , as pessoas podem pensar que não têm interesse nenhum ou que não é tão popular como outros artistas, – eu acho muito bem”. Explica.

Ouvir uma guitarra a cantar temas que todos nós conhecemos, “era um gosto fazer um concerto, ou mais, para os nossos emigrantes, que merecem a maior das considerações.” Toca a nossa música, arranjos seus de fado, com histórias no meio. Acabava por ser um convívio tão interessante como o de outro artista de música mais popular, não deixando de ser o que sou. É muitas vezes convidado pelo Instituto de Camões (sempre institucionalmente), nunca teve a Felicidade, de tocar para os nossos embaixadores lá fora, tenho pena!

Era uma parte importante para mim”

Tem neste momento 35 trabalhos editados, e adora todos, não tem preferência, é como perguntar a uma mãe que filho gosta mais. Mas de qualquer modo, o mais marcante foi o primeiro em 1980.

Neste momento toca em Portugal. Recentemente deu um concerto em Mafra, no teatro em Mafra. E também fez há pouco tempo um concerto na Igreja do Beato, em Lisboa. “Tenho vários concertos, em vários sítios, várias salas e tanto dou um concerto numa sociedade filarmónica, como numa igreja, ou num salão, ou sala.”

A guitarra “é um instrumento muito bonito” e que as pessoas gostam. “Não incomoda, é um som tranquilo e podemos ouvir todas as melodias que conhecemos, quase todas, afirma Silvestre Fonseca. Na verdade, tudo me dá gosto. Também adoro a composição, faço e escrevo música. E se for preciso de ver uma grande orquestra ou ver um grande intérprete a tocá-la, faço-a sem grandes “alvoroço”.

Uma Mensagem aos emigrantes

“Eu tenho uma forte e muita admiração pelos emigrantes”, começa desta forma Silvestre, obviamente, porque não só representam o nosso país com grande dignidade, boa fama e capacidade de trabalho e muito sucesso. Aliás, a minha filha é emigrante. Vive em Espanha, portanto mal fora se eu não tivesse admiração e em termos de valor, não só das pessoas dos primeiros emigrantes que foram para trabalhar no trabalho duro e que trabalhavam como ninguém, mas também agora uma emigração muito sofisticada que está a atingir maravilhosos resultados lá fora.

Pelo menos até agora gostaria mais de ter conhecido por dentro as Comunidades emigrantes e contactado enquanto músico, essas pessoas e ter essa oportunidade seria um momento muito feliz. Tenho sempre o coração aberto. Desejo aos emigrantes que continuem a alimentar a Esperança com coragem, sem nunca perder de vista o nosso Portugal.” Finaliza Silvestre Fonseca.

Lígia Mourão
Ver Também

EXCLUSIVO: “Empreendedoras da Lei”, na senda diplomática da Europa

Empreendedoras da Lei no Harvard Club, Estados Unidos As “Empreendedoras da Lei”, no dia 6 de dezembro de 2025, encabeçada...