Carlos Martins estudou em Coimbra, no Instituto Superior de Engenharia, obtendo o curso de Engenharia Eletromecânica. Iniciou a sua atividade profissional em Portugal, numa pequena empresa na Marinha Grande, depois regressou a Coimbra para trabalhar numa empresa um pouco maior, iniciando as suas funções numa empresa Internacional, que abriu na Mealhada. Era uma empresa Holandesa, ligada ao setor de automóvel. A partir daí continuou a sua carreira mais internacional, viajando pela Europa, que lhe proporcionou conhecimentos acrescidos e mais bagagem para futuras funções e responsabilidades.
Na empresa Holanda onde trabalhou, (em Portugal), proporcionou-lhe viajar um pouco por toda a Europa, juntamente com os colegas portugueses. Mais de 10 anos volvidos foi para a China trabalhar na empresa atual, na Sodecia.
É uma empresa familiar portuguesa. Encontra-se no setor automóvel há mais de 40 anos, e está espalhada um bocadinho por todo o mundo, com fábricas desde o Oriente, ao Ocidente. Estão na China, pela Europa, América do Norte e do Sul, um pouco por todo o lado.
Esteve na empresa na China, na parte da manutenção, como Gestor de Manutenção, durante 10 anos.
Há mais ou menos um ano e meio mudou-se para a Europa, mais concretamente para Alemanha, onde desempenha a função de Diretor Industrial. Faz a gestão de várias fábricas na parte ligada à manutenção de equipamentos, instalação, investimento e a parte mais operacional do negócio.
Como é vista a Comunidade portuguesa na área onde vive?
Mora em Bona, perto de Colónia, no eixo do Rio Reno. Existe uma comunidade portuguesa considerável. Toda aquele zona de Bona, Colónia, Düsseldorf, há bastantes empresas e escritórios e serviços.
Os portugueses que vai conhecendo, estão por essa zona, trabalham em diversas áreas, desde os serviços, telecomunicações, parte industrial, e média.
De uma forma geral, “somos um povo que se adapta com alguma facilidade a viver e trabalhar no estrangeiro”, nota Carlos Martins, e a perceção que tem é que começam a ser apreciados por isso.
Às vezes o “nosso desenrascanço” leva-nos a criar soluções. E alguns povos mais rígidos, como é o caso do povo alemão, não fogem às regras, e depois bloqueiam com alguma facilidade, quando é preciso dar a volta ao assunto, os portugueses têm essa mais-valia.
Para este Engenheiro, por algum motivo herdámos isto dos nossos antepassados, esta forma de dar a volta ao assunto com poucos recursos, que infelizmente, pois nunca “tivemos foi muitos recursos, no país e então acabamos por dar a volta, com os parcos recursos que temos, e às vezes de forma criativa”, que noutros países com mais recursos, estão habituados a ter com mais facilidade, por esse motivo até acaba por ser uma mais-valia para nós,” refere o Engenheiro.
Há muitos portugueses onde se encontra a viver?
“Conheço alguns, mas acho que a Comunidade é muito maior, não tenho um número preciso, na escola dos meus dos meus filhos, a comunidade portuguesa, vem de Colónia, porque a escola tem de aulas de português, e atrai mais portugueses. Serão uns 100 ou 500 alunos de segunda geração, que vieram para aqui. Os filhos continuam a falar português e a escolher o português na escola. As segundas e terceiras gerações também acabam por se interessar, mas quantos portugueses serão, não sei dizer,” refere Carlos Martins..
Como é que é que os Alemães vêm esta segunda vaga de imigrantes portugueses, no país deles?
A Alemanha tem um problema de mão-de-obra, e não é de agora. Desde o pós-guerra, o país foi construído, não por alemães, foi construído para todos os imigrantes que vieram.
Neste momento há um novo fenómeno a acontecer. A vaga de imigrantes, alguns com níveis técnicos mais altos, estudantes universitários, pessoas com formação académica, mas por outro lado, também vêm ao os refugiados e não só, de países mais pobres. E que vem à procura de melhores de melhores condições de vida.
“O que sucede é que começa a haver um desequilíbrio no país, e começam a criar problemas sociais, na qual a Alemanha não estava habituada e preparada, essa mão de obra, não dá aos alemães o que mais necessitam, e isso está a criar uma clivagem no país. A forma como o povo alemão olha para esta imigração, é com alguma preocupação, pois os alemães não conseguem ter acesso a uma série de coisas que são dadas de bandeja para esta vaga de imigrantes, e começa a ser visto como um problema, mas o facto é que se tirássemos toda a imigração da Alemanha, o país não tinha mão-de-obra.” Reflete Carlos Martins.
Profissões mais solicitadas
Na Alemanha neste momento há uma falta de pessoal técnico em diversas áreas. Desde a engenharia, saúde, entre outros.
Os alemães não têm profissionais suficientes, o nível de população que têm, leva muito tempo a formar-se, o sistema educacional é mais complexo. Dividem muito, académicos, e cada vez mais técnicos.
O facto é que não há muita gente a seguir a via técnica, e começa a haver um “gap” de disponibilidade no mercado.
Por um lado, toda esta mão de obra que vem de Portugal, acaba por ser uma mão de obra qualificada. “Mais interessante, o nível técnico que nós temos nas nossas universidades é uma mais-valia.” Diz Carlos Martins
Na altura em que esteve a trabalhar na empresa holandesa em Portugal, a Tridec, “lembro-me de falar com o dono da empresa e perguntar porque razão tinha escolhido Portugal para instalar a fábrica e não tinha ido para a Roménia? – e estamos a falar em 2007, 2010, mais ou menos.
E a resposta foi muito interessante, porque disse: “sim, realmente tem razão, a Roménia ou a Arménia, a mão-de-obra é muito mais barata do que aqui em Portugal. Mas aqui tenho gente técnica qualificada, com muito melhor nível. Os salários são mais altos do que nesses países, – essas economias emergentes na altura -, em Portugal eu consigo ter engenheiros e não só, técnicos de gestão de fábrica com qualificações muito melhores do que em qualquer um desses países.” finaliza o Engenheiro Carlos Martins.




