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A emigração é um fenómeno social, cultural, político e económico. Como é do conhecimento geral Portugal é um país de emigração e a validar esta observação apoiamo-nos num estudo aprofundado realizado pelo Observatório da Emigração que vem por a nu os movimentos dos portugueses além-fronteiras. Para que países emigram mais? O impacto deste movimento migratório e a riqueza que produzem nesses países? O investimento, através das remessas enviadas pelos emigrantes e o investimentos em habitação, negócios e outros em Portugal. São dados do Observatório da Emigração e que devem ser vistos com atenção, pois há muitos fluxos que se alteraram nos últimos anos, vejamos então os movimentos da emigração portuguesa.
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Quatro de novembro de 2025, o “Portuguese Emigration Factbook 2024”, cujas responsáveis são Inês Vidigal e Sofia Vilhena, investigadoras do Observatório da Emigração, produziram informação que vem desde 2023, onde o número de saídas de Portugal terá estabilizado em cerca de 70 mil indivíduos. “Esta estabilização é particularmente significativa, uma vez que ocorreu apesar da acentuada redução da emigração para o Reino Unido, que, até ao processo do Brexit, constituía o principal destino da emigração portuguesa. A edição de 2024 do Factbook inclui dados atualizados de 2023 (ou último ano disponível) sobre a emigração portuguesa total e para os principais países de destino, bem como sobre as remessas dos emigrantes.”

(Emigração portuguesa, remessas, datadas de setembro de 2025, Índice (conteúdo) Lista de tabelas, gráficos e mapas. Sinais, abreviaturas e acrónimos. Agradecimentos. Portuguese Emigration Factbook 2024, Lisboa Emigração total, CIES-IUL, ISCTE-IUL para os principais países de destino. Remessas: 10.15847/CIESOEMFB2024.)
Menos de mil portugueses emigraram para Angola em 2024
Foram 641 os portugueses que, em 2024, entraram em Angola, segundo os dados dos consulados da República de Angola em Lisboa e no Porto (não está disponível informação sobre os vistos emitidos pelo consulado de Angola em Faro). Este número representa um decréscimo de 37% quando comparado com o das entradas no ano anterior.

Depois de um máximo de 6,715 entradas em território angolano em 2015, o número de emigrantes portugueses para Angola diminuiu significativamente até atingir o valor mínimo em ano de pandemia, 2020 (377 entradas). Entre 2021 e 2023, as entradas de portugueses em Angola recuperaram, ultrapassando 1,000 em 2023. Contudo, em 2024 verifica-se uma queda acentuada da emigração para Angola (-37%). Esta quebra estará associada aos efeitos recessivos da crise dos preços do petróleo sobre o mercado de trabalho angolano da imigração, sentidos com maior intensidade a partir de 2016, num contexto mais amplo de deterioração da economia angolana, marcada por contração prolongada, redução do investimento e agravamento das condições de empregabilidade. Os valores utilizados neste destaque correspondem à soma dos seguintes tipos de vistos emitidos pelos consulados de Angola em Lisboa e no Porto: privilegiado, trabalho (o mais comum), trabalho por protocolo, fixação de residência e outros (estudo e permanência temporária). Como citar Inês Vidigal, (2025), “Menos de mil portugueses emigraram para Angola em 2024”.

Quatro de dezembro de 2025, emigrantes portugueses em Marrocos, 1931-1936 Céline do Livramento e Carlota Moura Veiga. Estudo sobre as características demográficas, geográficas e sociais da emigração portuguesa para Marrocos, entre 1931 e 1936. Ao longo do século XX, o Norte de África foi reconhecido como uma região de destino de emigrantes portugueses e espanhóis. Marrocos tornou-se uma terra economicamente atrativa para migrantes laborais e um refúgio para exilados que fugiram das ditaduras da Península Ibérica. No entanto, este destino da emigração portuguesa foi pouco estudado na literatura. Alguns estudos mostram a presença de emigrantes portugueses provenientes do Algarve. A escassez de informação sobre a trajetória e a possível pluralidade de origens dos emigrantes motivou a elaboração da presente factsheet. Para tal, foi constituída uma base de dados com 309 cédulas de inscrição de portugueses residentes em Marrocos, entre 1931 e 1936. Por este meio, é possível identificar as principais rotas migratórias para Marrocos e constituir uma tipologia dos perfis sociológicos destes emigrantes.
Palavras-chave, Cédulas de inscrição consular, rota migratória, Marrocos, emigração portuguesa
Índice. A emigração portuguesa para Marrocos. Características demográficas e geográficas dos fluxos de emigração para Marrocos, 1931-1936. Perfil sociológico dos emigrantes portugueses em Marrocos, 1931-1936. Nota sobre os dados. Metainformação. Referências bibliográficas.
Como citar Do Livramento, Céline e Carlota Moura Veiga (2025), Emigrantes portugueses em Marrocos, 1931-1936”, OEm Fact Sheets, 21, Observatório da Emigração, CIES, Iscte, Instituto Universitário de Lisboa. DOI: 10.15847/CIESOEMFS212025.
Gráfico 1 Registos de portugueses em Marrocos, 1931-1936

Nota Nenhuma cédula de inscrição foi recolhida no ano de 1935.
Fonte Gráfico elaborado pelo Observatório da Emigração, valores de inscrições consulares do consulado de Tânger, Livro 6 (1931/1932), Livro 9 (1933/1934), Livro 13 (1936/1937). Consulta presencial dos livros disponibilizados pela Divisão de Arquivo e Biblioteca, Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Pequena desaceleração da emigração portuguesa para Espanha em 2024, 12 de dezembro de 2025: Foram 11,332 os portugueses que, em 2024, entraram em Espanha, segundo os dados do Instituto Nacional de Estadística. Este organismo espanhol contabilizou um total de 1,288,562 entradas de estrangeiros em Espanha, tendo os portugueses representado 0.9% desse total. +
Após o aumento registado em 2023, a emigração portuguesa para Espanha apresenta em 2024 um ligeiro recuo (-1,9%). Ainda assim, os fluxos mantêm-se elevados: desde 2021, o número de entradas de portugueses em território espanhol permanece acima das 11 mil por ano, apesar das oscilações anuais. Ao longo da série temporal em análise, a emigração portuguesa para Espanha teve um valor mínimo em 2000 (2,955 entradas) e um valor máximo em 2007 (27,178 entradas).
Emigraram 65 mil portugueses em 2024, de 18 dezembro de 2025. O Observatório da Emigração estima que, em 2024, terão emigrado cerca de 65 mil portugueses, menos cinco mil do que em 2023, confirmando-se, apesar de uma ligeira desaceleração, uma trajetória de estabilização dos fluxos emigratórios em torno de valores próximos dos registados na primeira década deste século. (+)
A ligeira diminuição observada em 2024 deve-se sobretudo aos efeitos do Brexit sobre a emigração portuguesa para o Reino Unido, que diminuiu 37% só entre 2023 e 2024. Este fluxo, hoje muito reduzido, passou de mais de 32 mil saídas, em 2015, para menos de três mil, em 2024. Dificilmente continuará, pois, a ter grande impacto na evolução da emigração portuguesa, pelo que esta deverá estabilizar em valores entre 60 e 65 mil saídas anuais. Em 2024, a Suíça (com 12,388 entradas) e a Espanha (com 11,332) mantiveram-se como os principais destinos da emigração portuguesa. A França deverá ter sido o terceiro país de destino, embora não haja ainda dados para 2024 (em 2023, entraram 7,426 portugueses neste país), e o quarto terá sido a Alemanha (7,410 entradas). Um terceiro grupo de destinos inclui os países do Benelux: Bélgica (5,471 saídas), Países Baixos (4,795) e Luxemburgo (3,469).
Austrália, 30 dezembro de 2025
A emigração portuguesa para a Austrália é, sobretudo, um fenómeno da segunda metade do século XX. Atualmente com 18 mil indivíduos, encontra-se em processo de declínio e envelhecimento, cujo volume de entradas é insuficiente para combater os processos em curso. Embora haja uma maior presença de homens face às mulheres, verifica-se uma tendência para o equilíbrio entre sexos. A grande maioria da população encontra-se a residir nos estados de New South Wales, Victoria e Western Austrália. Trata-se de uma população com médias a baixas qualificações, cuja maioria se encontra no mercado de trabalho. As suas principais ocupações são: técnicos e outros comerciantes, operários, profissionais, gestores, trabalhadores clericais e administrativos, trabalhadores comunitários e de serviços pessoais, operadores de maquinaria e condutores e, por fim, vendedores. Trata-se de uma população maioritariamente católica e na sua maioria composta por agregados de casais com filhos.




