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Domingo - 8 Fevereiro 2026

Exclusivo: Os portugueses a internacionalizarem-se e com cargos cada vez mais exigentes

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João Gonçalves vive e trabalhar em Madrid, Espanha. Frequentou o curso de Engenheiro Eletrotécnico no Instituto Superior Técnico na capital portuguesa. Na altura, trabalhava e estudava ao mesmo tempo. Começou na área da informática, porque a vida assim o determinou. Trabalhou inicialmente em duas empresas e em 1988 ingressou na IBM Portugal, onde permaneceu mais de 30 anos até haver uma excisão de uma área de negócio da IBM, da área de serviço onde trabalhava, e passou para outra empresa, a Kyndryl.

A Kyndryl é um spin-off, uma separação da área de serviços da IBM que foi feita em 2021. Onde João Gonçalves fez uma progressão de carreira há muito tempo.

Antes de ir para Madrid esteve noutros países, em 2018 em Portugal, como o líder da área de serviços da IBM. Decidiu que era o momento de sair do país e teve uma oportunidade de ir trabalhar para a América Latina.

Em 2018 foi viver para o Brasil, para São Paulo. Tinha uma responsabilidade ao nível geográfico da América Latina, da IBM, que englobava todos os países daquela área, tendo trabalhando em seis países, nomeadamente no Brasil, Argentinas, Chile, Peru, Colômbia, México. Esteve dois anos a viver em São Paulo e depois saiu do Brasil em março de 2020.

Depois de sair do Brasil, foi viver para a Finlândia, Helsínquia, trabalhar num projeto que englobava a Finlândia, Noruega, e Suécia. Foi uma experiência bastante diferente, “até porque estávamos na altura da pandemia” refere João Gonçalves, esteve dois anos a viver em Helsínquia. Nesse mesmo ano, em 2022, foi para Madrid desempenhar outra função na kyndryl.

Qual foi o país que lhe deu mais prazer em trabalhar e viver?

“Estive a trabalhar provavelmente em 20 países, principalmente na Europa e América Latina, ” revela João Gonçalves.

Não tem preferência de país onde esteve a viver, “por filosofia de vida e pela minha maneira de ser não sou muito de dizer que isto ou aquilo que mais gosto. Cada países onde eu vivi e trabalhei, na minha opinião, tem coisas positivas e menos positivas”, salienta o Engenheiro.

Gosta muito de viver em Madrid, é uma “cidade incrível”. Tem um mercado de trabalho com uma dimensão bastante interessante, muito maior do que o mercado em Portugal. Oferece um conjunto de oportunidades que são mais difíceis de conseguir em Portugal ou provavelmente nem conseguiria em Portugal devido à sua dimensão. “É uma cidade muito interessante para viver, com uma oferta cultural incrível, bastante segura, com pessoas muito agradáveis, é um sítio muito interessante de viver.”

Quando saiu de Portugal, não tinha muito interesse em ir diretamente para Espanha, e quando viveu na América Latina foi a sua primeira experiência a trabalha fora de Portugal, “foi bastante mais marcante, e enriquecedora” destaca o Engenheiro.

Adorou viver na América Latina, porque gosta muito de viajar de uma forma geral “e viajei muito”, viajava bastante, às vezes não se tem muita noção da distância, da dimensão da América Latina, mas uma viagem de São Paulo à cidade do México são 10 horas de viagem. Que é o mesmo que uma viagem de São Paulo a Lisboa, são distâncias muito grandes “e eu aproveitei bastante para viajar, pelo menos aos fins de semana, para ir conhecendo culturas bastante diferentes daquelas que temos em Portugal”. Revela.

No Brasil nunca teve problemas de segurança. Não é a mesma coisa que andar em Madrid, que se pode andar às duas da manhã na rua sem problemas, no Brasil tem que se ter algum cuidado, “mas nunca tive nenhum problema, não tenho nada a reclamar.” Explica.

São Paulo é uma cidade com 20 milhões de habitantes e isso cria oportunidades de negócio, revelando “que são muito diferentes daquelas que eu estava habituado.” Explica.

Em 2018 no Brasil faziam-se projetos que em Portugal provavelmente só cinco anos depois é que começamos a pensar em fazê-lo. Isso deve-se ao fator escala, com a capacidade de inovação do país, para além disso, é um país onde se fala a língua portuguesa, com as suas facilidades e dificuldades, os brasileiros não entendem bem o português de Portugal. “Tive que aprender a falar português do brasil para me fazer entender. Mas foi uma experiência muito interessante”, salienta.

Quando se mudou para a Europa foi para a Finlândia, em particular, e os países nórdicos, viveu em Helsínquia, considera que é um sítio encantador, as pessoas provavelmente costumam ter uma imagem mais negativa do que é a sua opinião, é um sítio espetacular para se viver. É muito diferente de Madrid ou de São Paulo, porque Helsínquia tem provavelmente 500, ou 600 mil habitantes, é uma cidade muito tranquila.

As pessoas também são bastante simpáticas, são muito diferentes dos brasileiros, obviamente, porque revelam muito respeito e privacidade das outras pessoas. É um país com um nível civilizacional super avançado, onde há uma igualdade entre homens e mulheres, ou outro. “Nunca vi em lado nenhum do mundo um nível de civismo tão elevado, provavelmente algumas pessoas até podem considerar exagerado porque nenhum homem ajuda uma mulher, por exemplo. Isso seria considerado como inferiorizar as mulheres, é um nível de civilidade e educação muito diferente. “Foi uma experiência muito interessante e profissionalmente foi das experiências mais interessantes, que tive. Desempenhei um trabalho muito interessante, profissionalmente e que me marcou positivamente”. Diz o Engenheiro.

Fale-nos um pouco da sua função na Kyndryl?

Não é fácil explicar, mas a Kyndryl é uma empresa que presta serviços de informática, desenhar, construir e manter, evoluir os sistemas de informação, que suportam grandes organizações em todos os países. Ou seja, há muitas empresas com as quais lidam todos os dias que têm sistemas que são construídos e geridos pela Kyndryl .

Um grande banco ou uma companhia de distribuição são algumas das empresas que a Kyndryl trabalha. Que têm sistemas de informação por trás, e a kyndryl faz a gestão e a implementação desses sistemas.

“A minha função é de gestão, sou o Vice-Presidente para Espanha-Portugal, e tenho uma responsabilidade de ajudar a gerir a empresa, tenho um território de clientes espanhóis sobre a minha responsabilidade. E nesse território tenho equipas que trabalham comigo, não sei exatamente quantas pessoas, mas rondam umas mil pessoas a trabalhar na minha equipa e que prestam serviços de informática a esses grandes clientes de vários setores de atividade.” Explica o Vice-Presidente da Kyndryl.

“Não é uma profissão muito fácil de explicar, mas é essencialmente um trabalho de gestão, de vice-presidência e de garantir que entregamos os serviços aos nossos clientes para que eles possam funcionar na sociedade e para que nós como utilizadores finais tenhamos os serviços das companhias de aviação, da eletricidade, dos bancos, de todas essas empresas, do retalho, etc.” Explica.

Onde é que se encaixa a Inteligência Artificial?

Dentro dos vários tipos de serviços que prestam aos clientes, há serviços na área de cloud que se fala muito, e também de segurança, de Cibersegurança e serviços de dados e de Inteligência Artificial.

O que fazem são projetos em que ajudam os clientes a usar a inteligência artificial ou para serem mais eficientes, para que os seus processos internos possam ser feitos de uma forma mais eficiente, mais rápida, com melhor qualidade para os seus clientes, ou projetos de inteligência artificial que sejam novas áreas de negócio, que sem a inteligência artificial seria difícil fazer, por exemplo, “se temos num banco, e podemos utilizar processos de inteligência artificial para que as pessoas que estão no banco ajudem a melhorar os seus clientes ou a investir ou detetar fraudes, providenciar novos serviços ou para atender os clientes de uma forma mais rápida, através de chatbots bastante inteligentes, que possam atender os clientes de uma forma mais eficiente e rápida.” Explica.

Há muitos projetos de inteligência artificial em que ajudam os clientes a montar e depois internamente, também usam Inteligência Artificial de várias formas. “Se faço uma reunião por Teams e quero fazer um resumo, posso usar o copilot e faz-me um resumo dessa reunião, em vez de estar eu a tomar notas, o copilot dá esse suporte, que é importante.” Exemplifica.

A inteligência artificial, ajuda a resolver automaticamente os problemas através dessa “ferramenta”, ajuda os nossos técnicos a dar-lhes a informação para que possam resolver problemas mais rapidamente e tornar disponíveis os sistemas em menos tempo.” Conclui João Gonçalves.

Lígia Mourão
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