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Sexta-feira - 19 Abril 2024

EXCLUSIVO: Quando o esforço recompensa – A Mestre Márcia Guerreiro delegada de Portugal junto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau

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Do cantinho mais a sul do país, no Algarve, nasceu há 39 anos Márcia Guerreiro. Estudou em Lisboa na FCSH, onde frequentou o mestrado e licenciou-se no ISCSP, na mesma cidade. Teve muitos trabalhos diferentes, em part-time, enquanto estudava e trabalhava. A sua experiência a nível internacional começou há 12 anos, em 2008, onde participou no Programa Leonardo da Vinci, e colaborou com organizações não governamentais checas, em Praga, no domínio das migrações e do apoio a refugiados. E em 2023 foi nomeada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para exercer a função de delegada de Portugal junto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau.

Márcia Guerreiro, é da cidade de Lagoa no Algarve. Em 2002 foi para Lisboa, para estudar Relações Internacionais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), tendo concluído a licenciatura em 2006. Três anos depois foi tirar o mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, (FCSH) que frequentou em regime pós-laboral, por estar a trabalhar a tempo inteiro nessa altura. Concluiu o mestrado em 2012, quando já estava em Macau.

Foi trabalhadora-estudante, portanto começou o percurso profissional durante os estudos académicos, com vários trabalhos temporários no sector do turismo. Quando estava no ensino secundário trabalhava sobretudo no período de férias escolares e aos fins de semana, e depois na faculdade a tempo parcial, por turnos, para conciliar com as aulas. Após concluir a licenciatura, trabalhou um ano para uma editora alemã, com escritórios em Lisboa, a Verlag Dashofer, primeiro em telemarketing, tendo depois transitado para o serviço de informação e apoio ao cliente.

Fez diversos estágios, em Portugal e no estrangeiro. Em Portugal, ainda durante a frequência da licenciatura, fez um estágio curricular de seis meses na Amnistia Internacional. Posteriormente, em 2008 participou no Programa Leonardo da Vinci, financiado pela Comissão Europeia. Foi a sua primeira experiência laboral internacional, onde colaborou com organizações não governamentais checas, em Praga, no domínio das migrações e do apoio a refugiados.

Em 2009, esteve alguns meses a trabalhar numa startup de renting informático em Lisboa de origem alemã, a Grenke, da qual saíu para ir estagiar como assistente de investigação na Assembleia Parlamentar da NATO, em Bruxelas. No âmbito do programa de estágios de verão desta organização.

Em 2009, em setembro, começou a frequentar as aulas de mestrado, em regime pós-laboral, para conciliar com o trabalho. Nesse período, desempenhou funções de assistente administrativa na Comissão Executiva do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto (IOGP) entre 2009 e 2010, e de 2010 a 2011 trabalhou numa das empresas do Grupo Bertrand Círculo, a Distribuidora de Livros Bertrand, na área de registo de dados.

Entretanto, no seguimento da sua candidatura ao Programa de estágios internacionais INOV Contacto da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), foi selecionada e foi para Macau em maio de 2012, “onde estagiei seis meses na delegação local da AICEP. O estágio correu bem, recebi proposta de contratação, e não hesitei em aceitar. Achei que seria uma excelente oportunidade para continuar a aprender mais sobre o mercado chinês e para conhecer melhor a China e também outros países do continente asiático.” diz Márcia.

Em 2017, após cinco anos na AICEP, decidiu dedicar-se a um novo desafio e foi trabalhar para o Grupo Super Bock, no âmbito da sua atividade na China, no campo do marketing comercial da empresa.

No ano seguinte, entro para o Banco Nacional Ultramarino (BNU), do Grupo Caixa Geral de Depósitos, como responsável pela área internacional do Banco.

O ano passado surgiu a oportunidade de representar Portugal no Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) e em fevereiro de 2023 foi nomeada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para exercer a função de delegada de Portugal junto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau.

O Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), é uma organização multilateral de cooperação intergovernamental de cariz económico e comercial, sediado em Macau. O principal objetivo do Fórum de Macau é promover e consolidar o intercâmbio económico e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e dinamizar o papel de Macau enquanto plataforma de cooperação entre os países participantes da organização. Atualmente todos os países de expressão portuguesa fazem parte do Fórum de Macau.

“Trabalhar em Macau tem sido um desafio muito interessante”. Refere Márcia. “Exige capacidade de adaptação, constante aprendizagem e atenção aos aspetos culturais”. É importante existir uma predisposição e abertura para aprender e compreender a cultura local. Isso facilita, sem dúvida, a convivência não só no trabalho mas também nas relações de amizade com os colegas chineses. Como sabemos a China tem as suas próprias idiossincrasias e um contexto histórico, sócio-cultural e político singular, que tornam a sua cultura muito diferente da cultura portuguesa. Dito isto, ainda assim considero que trabalhar e viver em Macau é relativamente mais fácil que noutras cidades da China, pois a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) continua a preservar uma raiz cultural, linguística, jurídica e administrativa de matriz portuguesa. “É a ponte, por excelência, entre os mundos Chinês e Lusófono.”

Pensa que os chineses, de uma forma geral, “nos veem como uma comunidade pacífica, bem integrada e uma mais-valia para o desenvolvimento de Macau.” O bom relacionamento dos portugueses com os chineses em Macau tem sido uma referência nas relações “luso-chinesas, que se tem pautado sobretudo pela cordialidade, cooperação e respeito mútuo ao longo destes cinco séculos de contactos.” Explica Márcia Guerreiro.

Vive em Macau há quase 12 anos. Ainda não está no meu horizonte regressar a Portugal, “mas o regresso permanece sempre uma possibilidade”. Finaliza.

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