António Leal, é médico Fisiatra, especialista em medicina de trabalho e desportiva. Desde 2007 que é co-fundador, com outros colegas seus médicos, da Fundação Sanitus onde é também Presidente. A Fundação Sanitus surge no âmbito de um projeto chamado VitaBalance-Med, que foi iniciado no Instituto de Ciência Biomédica de Abel Salazar, em 2005 aproximadamente e que consideram um conceito novo educativo em que havia um equilíbrio entre as calorias que “ingerimos e as calorias que dispensamos no sentido de evitar a obesidade que temos agora com uma pandemia mundial.” Salienta o médico da Sanitus.
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Já lá vão mais de vinte anos e esse conceito foi evoluindo ao longo do tempo. Teve vários altos e baixos, a questão da pandemia, também não ajudou mas em 2011/2012, este projeto foi aplicado nas escolas de ensino básico e fornecendo um curso a professores, que depois ensinavam os alunos com base num poster com cinco pirâmides da alimentação, do exercício, do comportamento, do equilíbrio da prevenção cardiovascular e do ambiente, que envolve tudo isto.
Cinco pirâmides expostas num poster que são a base educativa que as pessoas utilizariam no novo conceito que seria para expandir a nível nacional e internacional. Esse projeto correu muito bem, mas foi interrompido com o COVID e pela ida a França.
Relançaram recentemente em 2024 na UNESCO, após os Jogos Paralímpicos a ideia de um novo poster onde a inclusão social, biodiversidade, interculturalidade e a questão do termo “handi-capacidades”, “criada na altura, na UNESCO, em que “dizíamos que eu posso ter um “handicap”, como por exemplo uma perna amputada e compensar com outras capacidades, sejam elas físicas, cognitivas ou culturais, até para ter um equilíbrio, dentro do “handicap” e a sociedade o ambiente que me rodeia, ser capaz de ser um momento útil à sociedade”. A Handi-capacidade, desaparece o termo de deficiência para ver o termo “handicap” mais capacidades de compensação. Este termo foi desenvolvido na UNESCO e foi aceite por vários países, incluindo a França, como um termo a desenvolver e um debate grande a desenvolver em termos de novos conceitos para valorização do “handicap”.
O “handicap” foi substituído pela incapacidade?
“Não”, salienta o médico António Leal, segundo ele, deveria ser, mas a ideia ainda não foi oficialmente, como é evidente, mas deve acrescentar-se ao termo “handicap” que foi apresentado à UNESCO e é algo que estará em debate, com certeza em França e sabe que está a ser debatido. “Já produzimos um livro sobre isso, “um jogo livro”, um colega francês, Mark Rosenblat, também se dedicou a esta matéria. Já puseram um livro em França e estão agora a tentar implementar a nível Internacional.
Houve um Congresso no ano passado em Créteil, (França) onde se apresentou, associado a mais pósteres, na área ou na faixa etária do adulto e do idoso, também com base no mesmo conceito de equilíbrio e lançamos o livro, em colaboração com outro colega francês para que seja traduzido em várias línguas e espalhado pelo mundo.
Neste momento estão a fazer este tipo de trabalho e iniciáram à pouco em Barcelos um estudo também randomizado, controlado, comparando grupos de controlo com um grupo de intervenção onde os professores recebem formação certificada versus um grupo que não recebe nada, e comparar os resultados dessa intervenção já com base neste poster que fala de “handi-capacidades”.
Essas “handi-capacidades” resumem-se a quê, a incapacidades físicas, cognitivas ou ambas?
Os “handicaps”, são deficiências que se revestem em vários níveis, a mais conhecida, é a motora. Aquilo que se faz, o “handicap visível”, mas também há o “handicap invisível” como os défices sensoriais, a surdez, cegueira, etc.
Ainda há, os défices cognitivos. Uma pessoa com aspeto perfeitamente “normal”, mas ter uma esquizofrenia, uma epilepsia, um défice mental, “são coisas que não são visíveis, mas estão lá.” Refere o médico. O “handicap” dito invisível e que é a grande maioria dos “handicaps”, se juntarmos a isto, as depressões, ansiedades, crises de pânico, “estamos a ver uma enorme panóplia de pessoas que com “handicaps”, neste caso preciso mentais ou cognitivos, “como queiram chamar”, salienta o responsável da Sanitus.
Também há outro “handicap” que descrevemos no nosso livro “O Jogo handi-capacidades”, que está editado e está no site www.sanitus.pt
Nesse livro, além destes “handicaps”, que são os três maiores, temos um “handicap” que tem cada vez mais preponderância: o “handicap cultural”. É por isso que falam neste poster da interculturalidade das coisas e no poster, embora na primeira versão não existisse isso, “nós focamos várias “raças”, vestimentas, hábitos e mostrar às pessoas que há várias culturas, por exemplo, se eu não falar um determinado idioma e vou mudar para um país, no caso dos emigrantes, por exemplo, eu tenho um “handicap cultural” e não me consigo inserir, nem consigo trabalhar, ou ser autónomo porque não tenho a questão de comunicação verbal.”
Há que aprender, novos hábitos e tudo isso é que chama-se de “handicap cultural”, que é um novo conceito ou relativamente novo, mas pouco se fala ou nada e que claramente é cada vez mais evidente na atualidade.
Tratando-se de um assunto de saúde a OMS deveria dar especial atenção a este “fenómeno”, mas segundo o Presidente da Sanitus, já tentaram essa abordagem, mas sem êxito. “Nós estamos a falar de educação para a saúde, portanto estamos a criar, por exemplo, a ISS, que é um Instituto de Intervenção Integrada, que vai dar formação a vários professores online nos vários países, se quiserem recebê-la, estamos a preparar lançar em breve.
A UNESCO ao ser representante da ONU, na área da educação, ciências e cultura, está de certeza implicada. Quando falamos de educação para a saúde, a OMS também devia estar implicada. Nós já tentamos no passado falar com eles. Não é fácil chegar a certas situações, mas está prevista este ano irmos a Genebra ou a Lyon falar com alguém da OMS nesse sentido e apresentar o projeto quando tiver mais dados científicos, validados e que possam comprovar a sua eficácia e o seu interesse.
Esta ideia surgiu em Portugal e há parceiros envolvidos. Conforme nos adiantou o médico, revelando que saiu na altura em que eram ainda estudantes, a sair da faculdade de medicina, “surgiu nessa altura na Liga Portuguesa de Profilaxia Social e foi-se envolvendo o que justificou o lançamento desta fundação.” Foi sendo acrescido aos poucos de vários dados, várias sugestões de professor de ensino básico, de colegas médicos. Opiniões de um lado e outro, enriquecendo aos poucos o poster que vai sendo cada vez mais rico e transportando cada vez mais informação de uma forma simbólica e visual para que seja intercultural, facilmente apreendido, não exija ler, apenas memorizar uma imagem com toda a simbologia que ela transporta, “ Explica o Presidente da Sanitus.
Os apoios financeiros são muito escassos, mas há parcerias com a PIDFRA, o colega de França que tem uma associação chamada “Parental International”. Há também com a “Art Friends Around the World”, uma associação na Índia, onde já precisamos com esse conceito há uns anos atrás. Recentemente temos o Equador, através de uma entidade chamada SIPRERECA, estamos de alguma forma em sintonia com eles para expandir este conceito ao nível latino-americano. Temos também o francês, o inglês, ou a língua inglesa, através da Índia, e a espanhola através da SIPRERECA e português através de Portugal.”
Qual é o objetivo final disto?
“É ter um conceito novo que as pessoas vão poder utilizar facilmente através de um poster, uma coisa atraente, com várias cores, com pirâmides de cores atraentes, agradáveis à vista que se colocam na sala de aula e que o professor pode remeter sempre que quiser uma grande parte do seu ensino normal, do meio social, da Geografia, da Saúde, dos Animais, etc, reportar para que ele possa integrar numa visão global e inclusiva. Isso chama-se “Saúde Global Inclusiva” as varias ações que apresentamos.” Finaliza o médico da Sanitus.





