15 de fevereiro de 2026
Desde a eleição de Mário Soares para Presidente da República, quando eu ainda era criança, que a matéria das presidenciais não fazia estremecer o país desta forma. Recordo-me de acompanhar, pelos canais de televisão, o anúncio do novo Presidente. Era um momento solene, institucional, previsível dentro da normalidade democrática.
Artigo Exclusivo para subscritores
Mas desta vez, ao ouvir o discurso do derrotado, não senti alívio. Sim, não foi eleito. Mas a retórica revelou algo inquietante: o tom de quem fala como se tivesse saído vitorioso, como se o poder fosse apenas uma questão de tempo, como se governar fosse um destino inevitável reservado a si próprio. Falou como falam todos os candidatos com tiques autoritários.
Só eles podem governar.
Mais ninguém é competente.
Todos os outros são corruptos.
Eles são impolutos.
Uma cartilha antiga, hoje quase patética quando vista com os olhos bem abertos de uma geração que tem ao seu dispor, passo a passo, o manual completo desta narrativa. Não podemos ficar descascados. Não podemos relaxar. Temos de ser mais exigentes com toda a classe política. Temos de colocar a integridade como valor máximo. Temos de ser cidadãos ativos e participativos, todos os dias, e não apenas no momento do voto. A democracia não é um evento. É um exercício contínuo.
Do outro lado do Atlântico, sinais mostram que a pressão cidadã continua a ser uma ferramenta real. Em várias cidades norte-americanas, a mobilização nas ruas levou à suspensão temporária de operações de fiscalização migratória mais agressivas por parte das autoridades federais. A mensagem é clara: a participação cívica pode influenciar decisões políticas. É assim que a luta democrática se faz, com presença, persistência e voz.
Esta semana, em Munique, a Conferência de Segurança de Munique reuniu líderes mundiais, diplomatas e especialistas para discutir segurança internacional, guerra na Europa, estabilidade global e o futuro da cooperação estratégica. Entre as mensagens centrais vindas da Alemanha destacou-se a necessidade urgente de reparar e fortalecer as relações transatlânticas, sublinhando que a estabilidade global depende de alianças sólidas entre Europa e Estados Unidos.
Num mundo cada vez mais instável, a segurança deixou de ser apenas militar. É energética, tecnológica, económica e social. E exige confiança entre parceiros.
De Portugal fica também a certeza de que é tempo de reconstrução. Reconstrução física, sim, para apoiar as vítimas das tempestades que devastaram comunidades e interromperam vidas. Mas também reconstrução coletiva da nossa capacidade de resposta. Teremos de aprender a viver com estas novas e duras realidades climáticas. Teremos de estar à altura das respostas. Teremos de cuidar uns dos outros. O rescaldo não é apenas político. É humano.
Continuaremos atentos.
Continuaremos exigentes.
Continuaremos presentes.
Porque a democracia não se herda. Constrói-se todos os dias.
Que este texto vos inspire ou vos provoque. Não procuro concordância, mas romper as correntes da apatia.
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Por Marisa Monteiro Borsboom




