No menu items!
16 C
Vila Nova de Gaia
Terça-feira - 19 Maio 2026

Exclusivo: Ser Presidente da IBM Portugal, é ter conhecimento de tudo um pouco, os portugueses são camaleónicos “está no nosso ADN”

Destaques

Ricardo Martinho é natural de Coimbra e fez o seu percurso académico na cidade dos estudantes em Matemática, com especialização em Ciências da Computação. Nunca pensou ir trabalhar para a IBM e já se encontra lá há 26 anos. Não era uma das suas grandes paixões. Inclinava-se mais para computação gráfica. Mas a vida tem as suas peripécias.

Viviam-se tempos que em pouco ou nada se compara ao que se faz hoje ao nível tecnológico e científico. A tecnologia estava completamente arcaica, mas era uma área que interessava muito a Ricardo, a parte do grafismo computacional e por esse motivo foi para a IBM Portugal.

Foi por acaso, entregou o currículo a um amigo que trabalhava com um produto de computação gráfica, o CATIA, da IBM, e o pai desse amigo era um dos diretores da IBM em Portugal. Viu o currículo de Ricardo, e perguntou ao filho, se o seu amigo não estaria interessado em ir trabalhar para a IBM?

O amigo respondeu-lhe: “acho que não, ele está mais interessado em trabalhar onde eu estou, numa empresa de Carros de Alta Gama”. Mas o pai ficou com o currículo, e mais tarde ligaram a Ricardo e aceitou ir às entrevistas. “E aqui estou há 26 anos.” Afirma.

Qual foi o seu o seu percurso profissional desde o início até chegar a Presidente?

“Tenho 26 anos de casa, a caminhar para os 27 em setembro”, Revela. Só trabalhou na IBM, o seu percurso foi muito extenso. Fez tudo dentro na empresa, que reflete um pouco a postura da IBM, e pensa que a maioria das multinacionais, e que escolhem para Presidente alguém que tenha tido um percurso que toca em todas as áreas para se ter um conhecimento geral da empresa.

Começou como consultor, especializado em Linguagens de Programação que eram da nova geração, o Java, uma programação para a Internet que estava a começar na altura, e a sua especialização dentro da IBM era consultoria, para ligar os fundos antigos, os Legacy Systems dos Mainframes a este novo mundo, que era o World Wide Web, da Internet.

Entrou em vários projetos de grande referência e que tiveram grande impacto. Foi convidado para ir para os laboratórios de Montpellier, os mais conceituado da Europa na altura. Era a pessoa mais nova naquele laboratório, “trabalhava com pessoas mais velhas que os meus pais”. Relembra.

Desenvolveu grande parte da sua carreira na área de software. E foi convidado em 2007 para integrar os Headquarters da Europa. Na altura chamava-se South West Europe, que estavam a ser transitados de Paris para Madrid, e foi convidado para ser o Executive Assistant do Presidente, do Software da Europa, em Espanha, na altura das mudanças de França para Madrid, onde continuou desde 2007.

E essa foi provavelmente a maior experiência que teve na IBM até à altura. Porque ser Executive Assistant, o chamado EA, é um convite pessoal, e que abre horizontes completamente diferentes face à realidade de uma empresa multinacional como a IBM.

Teve que fazer 12 entrevistas para ser selecionado. Falou com todos os diretores, de negócio, de operações, finanças, recursos humanos, etc. E com a pessoa que ia substituir.

Foi escolhido. “Ele dizia-me: sabes que eu estou 6 níveis acima do teu chefe. Tu vais gerir 2.6 biliões de euros e mais de 1800 pessoas. Por isso, não sei se estás preparado.” Relembra Ricardo Martinho.

Para um jovem como ele naquela altura, tremeu um pouco, mas foi a melhor experiência de sempre e correu muitíssimo bem. É uma posição de alto desgaste.

Segundo a filosofia da multinacional têm três metas: se conseguem permanecer seis meses, é porque não correu bem, se permanecer nove meses, é porque correu bem, se completar os doze meses, é porque foi extraordinário, “eu tive a felicidade de estar lá 12 meses nessa posição. E como tinha sido extraordinária a minha colaboração, convidaram-me para ficar com uma área de negócio a nível europeu. Que era a área de automação, onde permaneci lá mais 3 anos, à frente dessa área em Espanha, mais concretamente em Madrid.” Explica.

A transferência para Portugal foi feita através de convite para ser Diretor da área de software, que era a área onde estava. “Tinha que fazer uma opção de vida. Ou ficava para sempre em lugares internacionais, e seguia a minha carreira como uma carreira Internacional ou voltava para Portugal. Eu sempre tive o sonho desde que entrei, de um dia ser o Presidente da IBM em Portugal.” Relembra.

Veio para Portugal para chefiar a parte de software. Depois passou para direção de Enterprise Sales, que basicamente tinha tudo, dos grandes clientes em Portugal. “E depois só me faltava uma etapa que era ser diretor de uma área de serviços, na altura eram os serviços de suporte à infraestrutura, e voltei outra vez para Espanha como diretor dessa área em Espanha, durante dois anos, e depois voltei para este lugar como Presidente em 2020.” Lembra Ricardo Martinho.

O que é que um Presidente faz concretamente, numa multinacional como a IBM? Quais são as diferenças entre trabalhar em Espanha e trabalhar em Portugal?

“Nunca fui Presidente da IBM em Espanha, fui responsável de áreas de negócio lá”. Explica.

Um Presidente em Portugal “faz um pouco de tudo, porque tem a responsabilidade total do negócio de todas as áreas, e para além disso, tem a responsabilidade da representação institucional da empresa, a relação com os clientes, com as instituições, com a administração central, com o Governo, com tudo que era completamente novo para mim,” explica.

Antes de ser Presidente não tinha nenhuma responsabilidade institucional, tinha apenas responsabilidades de negócio. O Presidente tem que ter uma visão global dos seus recursos. “Porque uma das coisas mais importante que temos dentro da empresa são os nossos colaboradores.” Enfatiza.

“Uma empresa pode ter bons resultados, se não tiver os melhores colaboradores, motivados, satisfeitos, e alinhados com a nossa estratégia. E orientar as nossas linhas de negócio e criar as portas e abrir os caminhos para que as nossas equipas consigam chegar ao mais alto nível dentro dos clientes com quem trabalhamos, usando a nossa tecnologia, o nosso conhecimento, resumidamente é esse o meu trabalho diário”, refere Ricardo Martinho.

E depois, vem a parte institucional, como dar entrevistas, falar com os meios de comunicação social, com as instituições, com os organismos públicos, com as altas figuras do Estado e das Empresas” Vinca o Presidente.

Em Portugal sentem necessidade de contratar mão de obra estrangeira mais especializada para os cargos mais complexos, que exijam maior formação académica, sentem necessidade de contratar estrangeiros ou contratam portugueses?

Contratam mais portugueses, ou seja, “nós não temos nenhum dogma relativamente a isso. Gostamos de contratar os melhores. Obviamente que a língua é importante, estando a trabalhar particularmente em Portugal e com clientes portugueses. É importante que falem a língua. Mas não é uma obrigação. Mas Tipicamente são portugueses e temos vários estrangeiros a trabalhar connosco. Mas nos lugares de destaque e de topo. 90% são portugueses e temos 10%. espanhóis.” Refere o Presidente.

Como é que os Americanos veem atualmente a mão de obra portuguesa?

“De uma forma geral veem a mão de obra portuguesa super especializada, os portugueses, para além do conhecimento que têm, adaptam-se muito bem em todas as circunstâncias, já no tempo dos Descobrimentos éramos assim. Acho que está um bocadinho no nosso DNA, vamos para onde formos, conseguimos adaptar-nos e integrar-nos facilmente.” Afirma.

Os Portugueses são de uma maneira geral uma força de trabalho com um grande foco, que tipicamente quando vão para fora, é outra das grandes vantagens de trabalhar numa multinacional, – que surgem oportunidades de trabalho não só no país de origem, mas noutras geografias, e os portugueses sempre se destacam.

Conseguem evoluir bastante na sua carreira, atingir os seus objetivos e ganharem destaque nessas oportunidades que lhes são dadas, e são vistos “com muito bons recursos, com grande talento e com boa formação.” Refere o Presidente

Por falar em em emigrantes, algum dia pensou ficar a trabalhar mais tempo lá fora? Como é que foi a sua experiência como emigrante?

Segundo o Presidente, disse-nos que foi ótima, adorei a minha experiência como emigrante, cheguei a um ponto da minha vida em que tinha que optar ou ia ser emigrante para sempre. Porque Portugal tem a sua dimensão, e algumas limitações, se escolhesse Portugal, mas nessa altura, preferi escolher Portugal para chegar a este ponto. “Se calhar vou ser emigrante um dia destes outra vez.” Avança o Presidente.

É normal que as coisas aconteçam nesse sentido quando “nós temos uma carreira e uma progressão dentro de uma multinacional. Sempre me senti bem no papel de emigrante. Já vivi em Espanha, em França, em Espanha várias vezes, nove anos, não seguidos, mas vivi nove anos lá. Adoro viver em Madrid. Em França era mais jovem, trabalhava com pessoas mais velhas que os meus pais.” Revela.

A adaptação foi um pouco diferente. Um jovem de 20 e poucos anos, ao fim de semana, gosta de ir dar uma volta, sair com os amigos e beber um copo. “E eu tinha os meus amigos que gostavam mais de fazer jardinagem e dar almoços de ratatouille e coisas desse género. Era um bocadinho diferente daquilo que eram os meus objetivos na altura. Foi uma adaptação um bocadinho diferente, mas fez parte da minha experiência e da minha evolução também.” Conclui o Presidente da IBM Portugal.

Lígia Mourão
Ver Também

“Royal Pop”: maratona em busca dos novos relógios da Swatch provoca filas em Portugal

No NorteShopping, e em Lisboa, no Colombo, no sábado, dezenas de pessoas passaram a noite em filas para conseguir...