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Segunda-feira - 9 Março 2026

EXCLUSIVO: Tem a rádio no sangue, de Angola a Toronto sempre em sintonia!

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António César, nasceu em Angola em 1953 e viveu lá até 1980, tem duas irmãs que vivem em Portugal, são uma família de académicos da parte do pai. O avô era médico, e a avó era professora. Foi a sua avó que ensinou a outra avó da parte da mãe a instruir-se, tornando-se também uma autodidata. O pai era ferroviário, trabalhava em Benguela, e tinham uma vida do género de diplomata, sempre com as malas atrás, mudando-se constantemente, viviam 4 anos numa cidade, e logo tinham de se mudar. O seu percurso académico foi até ao fim do liceu, terminando o sétimo ano, atual 12º ano. Nunca frequentou a universidade, e o trabalho na rádio foi o seu percurso profissional, quer em Angola e em Toronto, onde se encontra a viver atualmente, e a Rádio sempre atrás de si.

Tudo começou num dia de muita chuva, António refugiou-se na entrada da Rádio Clube de Moxico. Entretanto aparece uma pessoa que lá trabalhava e convidou-o a entrar e ver as instalações da Rádio. Ficou logo fascinado, e começou a fazer uns cursos de rádio. O pai foi transferido para o Cubal, em Angola, e António juntou o útil ao agradável, estudou e começou os primeiros passos na rádio, decorriam os anos 1968/69.

De regresso a Benguela, passados 6 meses, ficou a trabalhar no rádio Rádio Clube de Moxico, uma província de Angola, capital da atual Luena.

Estava a trabalhar em Luanda, na emissora oficial, e recebe uma carta convite do Rádio Clube Português de Toronto, no Canadá. Achou um bocado estranho, tudo escrito em português, à exceção da morada que estava em inglês, a convidarem-no, e se estava interessado em ir para o Canadá.

Com a situação a deteriorar-se em Angola em 1980, começou a equacionar a deixar Angola, e foi isso que fez. Telefonou para a estação de rádio do Canadá mas ninguém atendia, pois o fuso horário era diferente e quando ligava não se encontrava lá ninguém. Finalmente conseguiu um contacto.

Quando chegou a Portugal, a sua primeira vez, foi à embaixada, e tratou de tudo e foi para o Canadá, mais concretamente para Toronto, e reestruturar o antigo Rádio Clube português daquela cidade.

Presentemente encontra-se a trabalhar com Chin Rádio, que é nada mais do que uma matrícula da emissão. Que são as autoridades de comunicação social que dão às televisões e às estações de rádio.

Quando lá chegou foi com algum receio, pensou que tudo era como nos filmes americanos, onde tudo era sofisticado, e como vinha do “terceiro mundo” vinha com alguns receios.

Quando entrou nos estúdios, deu-lhe vontade de rir. Sentiu-se “dono e Senhor” da rádio. O sítio onde ia trabalhar, era o equiparado ao lugar dos estagiários da estação em Angola, era tão simples de trabalhar que o podia fazer de olhos fechados!

Tempos mais tarde também foi convidado para escrever para uma revista, Magazine, tendo trabalhado também na televisão.

Trabalhou com grandes nomes, como por exemplo com Rui Castelar, que já faleceu. “Fizemos aqui muitos programas juntos” relembra. Também trabalhou com Lurdes Lara, que agora vive em Portugal, e tem estado envolvido na Comunidade.

Este ano foi homenageado em Montreal, numa cerimónia com a entrega do “Prémio Quinas”. Não são prémios monetários, mas reconhecimentos pelo trabalho que a pessoa vai fazendo. “E tem-me motivado, só tive uma profissão e já estou aqui há 44 ano, e é agradável ser reconhecido pelo nosso trabalho, apesar de não conhecerem a minha cara conhecem e reconhecem a minha voz, o que me deixa bastante orgulhoso. Foi o melhor prémio que eu tive em toda a minha vida, porque vim com 27 anos a fazer 28, e estou cá desde 1981, há 44 anos, e sinto-me em casa.” Refere orgulhoso o radialista.

Fez o 7º ano antigo, mas considera-se um autodidata, ainda hoje continua a ser um estudioso. De vez em quando dá aulas de computadores, informática, a trabalhadores portugueses ligados aos sindicatos, e foi o apresentador da “Semana Cultural da Casa do Alentejo”.

É um homem da rádio e traz a rádio no sangue. Em sua casa tem o seu próprio estúdio, que se mostra orgulhoso em mostrar.

Estão a reiniciar um projeto relacionado com o fado. Foi difícil a escolha do nome, mas já está definido: “A hora do Fado”.

Dedica-se de corpo e alma ao que está a fazer, e depois, quando vê e sente que há retorno, “é a maior alegria que eu tenho”. Refere.

É um português sem grandes complexos, afirma, sem grandes pudores, porque até é casado com uma Italiana, que no Canadá, como noutros países há sempre um pouco de discriminação, mas isso não o faz sentir inferior, faz o seu trabalho com empenho, dedicação e amor, e a comunidade agradece.

Toronto, é uma cidade multicultural, com mais de 180 nacionalidades diferentes. “A vida aqui é sem guetos, as pessoas têm áreas, mas estão inseridas na cidade canadiana. Bem como inseridos nas próprias raízes e tradições. É uma “aldeia” grande, portanto, não há espaço para discriminação.” Finaliza António César.

Lígia Mourão
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