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Terça-feira - 19 Maio 2026

EXCLUSIVO: WingDriver está a desenvolver software para diminuir os acidentes rodoviários

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As startups em Portugal estão a deixar o seu “footprint” das novas tecnologias, quer se trate de Hardware e Software, exemplo disso temos a WingDriver, uma Startup que monitoriza a avalia o comportamento do condutor em movimento. Muitas vidas se perdem por distração e adormecimento ao volante e tudo pode acontecer numa fração de segundo, basta fechar os olhos para que este tipo de acidente aconteça e que tem sido “desvalorizado pelas entidades competentes” refere André Azevedo. O método da WingDriver veio e vai permitir que esses casos diminuam ou até terminem. O Jornal Comunidades Lusófonas esteve em entrevista com o CEO desta empresa que nos traçou quais são as suas valências e como funciona este sistema de alerta e outros.

Engenheiro Eletrónico desde 2008, André Azevedo quando terminou a sua licenciatura não se encontrava muito inclinado para trabalhar na área da construção e manutenção industrial, nem desenvolver trabalho na área de projetos. Por sorte entrou numa empresa que se chamava INOVA+, que fazia projetos de inovação.

Estes projetos de financiamento para a inovação das empresas, na qual André começou a trabalhar, a ajudá-los a conseguirem ter financiamento para os seus projetos de inovação. Trabalhou durante algum tempo, quatro anos e a certa altura, “eu e o meu sócio acabamos por na mesma semana adormecer ao volante do carro na autoestrada – “felizmente não me aconteceu nada de grave” – mas o seu colega adormeceu e embateu contra dois carros.

Foi nessa altura que se deu uma reviravolta e um despertar de consciência com estes dois condutores. Começaram a pensar no assunto e chegaram à conclusão que poderiam ser úteis para os demais condutores e decidiram desenvolver um software, decidiram tentar com visão computacional resolver este problema. Dando início a uma startup que se chamava HealthyRoad.

Nessa Startup, começaram a fazer Hardware e Software específico para monitorizar a face dos condutores e ajudar em caso de adormecimento, distração, fadiga e outras.

Essa empresa tinha o objetivo de vender essa tecnologia para fabricantes de automóveis, “e conseguimos vender serviços à Bosch, porque estavam a desenvolver um projeto similar e necessitaram do nosso apoio para conseguirem chegar a objetivos específicos.”

Em 2019 venderam a HealthyRaoad a uma outra empresa portuguesa que procurava os algoritmos para detetar o nível de stress que eles já tinham conseguido medir, o batimento cardíaco em operações bancárias, aberturas de conta, transferências, para garantir que as pessoas que estavam a fazer essas operações e não estavam a ser forçadas a fazê-lo, um conjuto de situações ao nível comportamental.

“Vendemos a empresa e ficamos a trabalhar no grupo. Em 2020 entra o COVID e tudo se altera no mercado e em 2021 decidimos embarcar, perceber que com esta solução hardware e software. Tivemos de desenvolver uma tecnologia que não tivesse problema, não fosse baseado em hardware. Porque se nós tivermos hardware, somos confrontados com a problemática do material em si. No envio desse Hardware para o Cazaquistão, que é um dos mercados onde estamos a atuar presentemente”. Explica André Azevedo.

“Começamos a mudar a forma como queríamos atingir o mercado e fizemo-lo novamente com um algoritmo totalmente novo, que consegue utilizar a Inteligência Artificial e visão computacional em smartphones. Nós conseguimos, através do nosso CTO, o Rui, “cracar” a forma de correr algoritmos muito complexos em máquinas pouco potentes, no que toca à inteligência artificial e à visão computacional, que são os nossos smartphones,” salienta.

A  partir do momento em que o CTO conseguiu, num mês, mais ou menos, processar estes algoritmos num smartphone, André já estava a trabalhar noutra empresa, mas saiu e começou a WingDriver e nasceu com dois investidores nos Estados Unidos nos inícios de 2021 a WingDriver tinha um objetivo específico: desenvolver uma tecnologia de assistência ao condutor que funciona, é leve o suficiente para funcionar nos smartphones e que será distribuída no mercado através de um Software Development Kit. Um software que permite qualquer aplicação móvel existente introduzir a tecnologia da Wing Driver.

Pretendem chegar a todos os condutores?

“Sim, queremos atingir todos os tipos de condutores. Como costumo dizer os profissionais que tipicamente conduzem camiões e autocarros, os semi-profissionais que são os condutores do Ride Hailing e transportar pessoas dentro das cidades e entre cidades, abrangindo a Bolt e o Uber.

As seguradoras são fundamentais, pois o objetivo é chegar ao consumidor final. Porque toda a gente que tem um carro tem um seguro. E esses condutores são os condutores mais difíceis de chegar, mas também são a maioria e são a que mais está a sofrer com os acidentes causados por distração. Hoje vivemos num paradigma interessante: temos carros muito mais evoluídos que há dois, três ou dez anos atrás, mas as perdas das seguradoras são cada vez mais altas e está a subir drasticamente. Os acidentes por distração estão a aumentar. A sinestralidade por causa da distração, excesso de velocidade, de álcool, e adormecimento, os carros novos com toda esta tecnologia não estão a resolver o problema.

Um dos elementos fundamentaisa para evitar acidentes tem a ver com o envio de mensagens de forma que altere o comportamento e que está em perigo. O grande desafio é alertar no tempo correto, para educar naquele específico momento que o condutor tenha de mudar aquele comportamento. No que toca à fadiga, é ainda mais complexo, porque se pedirmos a um condutor para parar, porque está fatigado, apresenta-nos um big ask, ou seja uma grande alteração ao seu percurso.

“Nós temos de conseguir que o condutor perceba que efetivamente a vida é mais importante do que chegar dez minutos mais cedo ao destino. Ou chegar a horas ao destino,” salienta.

Mas ainda há muitas lacunas e pouca comunicação sobre a fadiga. As entidades responsáveis a nível nacional, falam sobre o álcool, o excesso de velocidade. Mas não ouvimos falar da fadiga, do adormecimento, ainda é esquecido. Os condutores acham que conseguem controlar a fadiga. Mas as estatísticas demosntram o contrário. E em dois segundos tudo pode acontecer.

Segundo o CEO da WingDriver, refere que com a tecnologia deles, decidimos se o condutor está a dormir ou não em menos de um segundo. Se o condutor estiver distraído em menos de um segundo e meio, dois segundos, o alerta tem de ser feito o mais rapidamente possível, para alterar o seu comportamento.

A emissão de sons

Emitem vários tipos de sons, buzinas, consoante a gravidade, a frequência, a velocidade, “emitimos mensagens de voz, “falamos com o condutor” e estão a trabalhar para criar uma relação mais próxima com o condutor e uma multiplexidade de formas de alertar o mesmo para que se consiga personalizar a mensagem a cada um dos utilizadores. Mas há mais formas de interação com o condutor, tudo depende da sua vontade, como por exemplo: “estás fatigado, posso fazer o reroute para a próxima estação de serviço?” estas são algumas das questões.

Neste  momento encontram-se em quantos países?

“O nosso software está a ser utilizado um pouco por todo o mundo”, como adianta André Azevedo. Neste momento temos clientes em Portugal, Cazaquistão, Estados Unidos, na Austrália, no Chile, vamos começar agora em Janeiro estar no Brasil e África do Sul. E estão em reuniões com uma empresa no Sri Lanka.

Enviam a mensagem através do software, onde fazem o download. A  aplicação está traduzida em português, inglês, espanhol, francês, cazaquistanês, e russo, neste momento.”

Os projetos do futuro continuam a ser: aumentar a capacidade de venda e de produção. Temos de crescer, porque estamos a começamos a ter dificuldades em apoiar todos os clientes que temos. É esse o grande objetivo, manter e começar a atingir as seguradoras este ano. Já estamos em conversações com os Estados Unidos, que vão começar a lançar projetos pilotos com eles e posterior implementação. A seguir é chegar aos fabricantes de automóveis e começar a ter “a nossa tecnologia disponível, quer no smartphone na App do veículo X, quer no interior do veículo daquela marca específica”, exemplifica o CEO. “Estamos a trabalhar com uma empresa para fazer isso no presente e esse será o nosso objetivo na área da mobilidade. Sabemos que os dados que recolhemos são extremamente importantes para muitas indústrias e esse será, também a segunda forma de gerar receita, com a informação que recolhemos, com a informação em concordância dos condutores. Estamos em fase a ter os primeiros clientes e pretendemos multiplicar o que aprendemos a fazer e precisamos de capital para isso. A nossa última avaliação do ano passado são 14 milhões.” Finaliza André Azevedo.

Lígia Mourão
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