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Sexta-feira - 1 Março 2024

“Fazer cerimónia” – A expressão que desapareceu

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Nos meus tempos de criança era costume ensinar aos filhos o significado de “fazer cerimónia”. Isto acontecia não só para os pais não passarem vergonhas nas festinhas em que os seus filhos viravam a casa do “avesso” aos pais dos amiguinhos da escola, mas também para servir como um ensinamento de respeito para o resto da vida por aquilo que era pertença do nosso próximo e de forma a não “abusar das confianças alheias”, fosse na hora da refeição em que acompanhávamos um amigo ou quando usufruíssemos da “privacidade” de um familiar no seu próprio espaço.

No entanto, este valor de “fazer cerimónia” que nos era transmitido foi-se perdendo ao longo dos anos e as gerações que foram passando não o transmitiram às seguintes. Atualmente são muito poucas as crianças e os jovens que sabem o que significa esta expressão de “fazer cerimónia”…Cada vez mais no meu dia a dia verifico que perante a apatia dos pais da minha geração, assistimos à postura de uma nova geração de filhos únicos que acha que o que é correto é mostrarem-se como donos das situações e dos espaços, independentemente com quem estão e onde estão, fazendo jus a uma espécie de solipsismo com que foram criados. Precisamente o inverso do que nos foi ensinado…

A foto não autorizada na casa do familiar e que passa a circular nas redes, a provocação subtil do amigo da filha consentida pelos pais que acham que “criar” e “educar” são sinónimos, o gozo preconceituoso com o colega da escola à mesa na hora da refeição, etc…são alguns exemplos entre muitos outros que irão levar-nos a uma sociedade cada vez mais selvagem, fria e insensível no futuro. Oxalá os nossos filhos encontrem outros filhos ao longo da sua vida que saibam o valor de “fazer cerimónia” …

Acho que se isso acontecer poderá haver mais probabilidade dos nossos filhos respeitarem-se entre si.

Paulo Freitas do Amaral/
Professor de História

Os artigos de Opinião são da inteira responsabilidade do autor que os produz. O Jornal Comunidades Lusófonas não interfere. A Diretora.

Paulo Freitas do Amaral
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