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Quarta-feira - 13 Maio 2026

Fórum Portugal Nação Global: A história da “Mala de Cartão” (Parte I)

Destaques

Realiza-se no dia 29 e 30 de abril de 2026, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o Fórum Portugal Nação Global, que tem o objetivo conectar a nível nacional e internacional os empresários da diáspora com o setor empresarial nacional, a fim de promover projetos na esfera da globalização e internacionalização. A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas mais a Fundação da Associação Empresarial de Portugal, assinam como autores a criação do mencionado Fórum. Empreendedorismo, Conhecimento e Conexão, apresentam-se como Palavras-Chave da mencionada iniciativa. Mote que deu origem em recuar no tempo e reviver o início da “longa Viagem da “Mala de Cartão”, até chegar o empreendedorismo da Diáspora em tempos de Globalização.

Comboio da Esperança

O Comboio abrandou e aproximava-se da fronteira francesa. Uma família com 3 crianças, uma era um bebé, procurava descer do comboio ainda em andamento. Os restantes passageiros ajudaram com as crianças e os sacos, mais malas. Era uma situação perigosa, mas conhecida. Não somente a família desceu nas descritas condições. Mais passageiros tentaram saltar do comboio. Nem sempre com sucesso, mas depressa se levantavam e fugiam para a guarda fronteiriça não os encontrar. Porque se acontecesse, sabiam que eram deportados para Portugal. Por conseguinte, “saltar” a fronteira de forma secreta, era a única maneira de chegar às prometidas “Terras do Paraíso”. Porém em França o Paraíso depressa se transformava em tristeza, desespero e miséria nos conhecidos Bidonvilles. Mas na altura ainda pouco conhecido. A atmosfera no comboio era séria e ao mesmo tempo repleta de esperança. Os que continuavam sua viagem ficaram perante a situação da família com as crianças pensativos e com muita pena. Uma ou outra lágrima não se conseguiu segurar, porque somente pensar, como é que os pais com as crianças e um bebé conseguiam caminhar, “dar o salto” e chegar à pretendida meta, deixou os que viveram a situação a refletir sobre o destino e as razões, porque se encontravam no “Comboio da Esperança”.

Ex-Soldados, que regressaram do Ultramar e não conseguiram emprego na pátria, civis que fugiam a repressão política, cidadãos que deixavam a pobreza para trás, casados, solteiros, noivos, analfabetos, formados, nacionais com e sem contrato … enfim, o espelho da sociedade, em que na altura se vivia a Ditadura de Salazar. O Estado Novo assinou contratos bilaterais, principalmente com França e Alemanha, para aliviar as tensões sociais, que o país vivia, e por intermédio das remessas equilibrar a economia pública. Porém – quem não conseguia um contrato, procurava sua sorte de forma clandestina, principalmente para França.

Enquanto o comboio seguia a sua viagem, ficou no ar a pergunta: “Será que a família conseguia saltar para o sucesso? Ou será que morriam no caminho?” – Possivelmente ainda hoje, passado quase 60 anos, os sobreviventes talvez perguntem, onde está a designada família? Sobreviveram? Os filhos estudaram e representam a França como Presidentes de Câmaras ou pertencem ao Governo local como Vereadores? Quem sabe. Perguntas que possivelmente jamais se conseguem responder.

E os que viajaram para a Alemanha? Diferente apresentava-se a situação em Terras Germânicas, que precisava de muita mão de obra para levantar um país, que a II Guerra Mundial tinha destruído de forma cruel e que estava a caminho de uma Guerra Fria. Os rapazes novos, que saíram da tropa, procuravam na emigração novas vidas, dado que em Portugal não encontravam emprego ou razoáveis condições de trabalho. Deixavam a sua Pátria na expetativa de mais tarde mandar chamar a noiva ou esposa, quando casavam ainda antes da viagem. Jovens que levavam na famosa “Mala de Cartão” contratos para trabalharem nas empresas alemãs. Para além do trabalho também se encontravam na posição de olhar para o Futuro com maior tranquilidade, dado que os Patrões do país de acolhimento ofereciam quartos em residências das empresas. Com o tempo começaram a deixar as residências, a alugar apartamentos, a casarem e por fim nasciam os filhos em terras estrangeiras. Construíam não somente novas vidas como também famílias. Amanhã a história continua…

Isalita Pereira

Historiadora

Isalita Pereira
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