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Quinta-feira - 16 Julho 2026
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Galerie Mendes: mostra ao mundo a arte portuguesa “primitiva” e contemporânea – Séculos de história que pelas artes não passaram despercebidas!

Destaques

Philippe Mendes, é natural de Paris, e tem duas pátrias: França e Portugal. É Historiador de Arte e abriu a sua “Galerie Mendes” há 16 anos, na cidade das Luzes. Na sua galeria tem arte contemporânea portuguesa e dos séculos mais remotos, bem como internacional. Anda sempre sempre com um pé entre Lisboa, e Paris. É um defensor inquestionável da cultura portuguesa, e muito bem conceituado ao nível internacional, apelidaram-no de “O galerista da pintura Antiga”. Já expôs nos mais importantes e referenciados museus internacionais. E pretende catapultar a mestria da arte lusitana…

Com formação em Direito, na Universidade de Paris 4, também fez História de Arte na escola de Louvre, onde trabalhou durante seis anos, na especialidade em História da pintura Antiga, no departamento das pinturas antigas, do museu, e lecionou pintura Italiana do século XVII, que terminou este ano.

Tendo-se também dedicado ao ensino de três séculos de pintura portuguesa na escola do Louvre, que é uma novidade em França. Pois é o primeiro curso dedicado especificamente à arte portuguesa. Debruçou-se sobre a história da pintura portuguesa do século XVI até finais do século XVIII. Também foi Conselheiro para colecionadores privados de pintura de Itália, França, e outros países.

Encorajado pelos seus pares, decidiu abrir a sua própria Galeria, há 16 anos, a afamada: “Galerie Mendes”, localizada criteriosamente na zona geográfica, no famoso “Triângulo Dourado” (Triangle d’Or), um bairro de luxo no 8º arrondissement de Paris, onde se encontram as galerias mais importantes da capital francesa. Fica a dois passos dos Campos Elísios.

Iniciou a fazer exposições temáticas na Galeria, e a interessar-se cada vez mais pela arte portuguesa, pois quando trabalhava no Louvre, muitos dos seus colegas falavam-lhe, sobre a arte portuguesa, que era um pouco desconhecida.

A arte portuguesa que chega ao público, ou o público é que chega à arte?

Philippe ficou com este pensamento na cabeça, e pensou que seria interessante levar a arte portuguesa aos principais museus do mundo e das mais importantes galerias europeias e não só. Inicialmente o seu conhecimento da arte portuguesa resumia-se às suas viagens a Portugal durante as férias, quando era mais novo.

Estas visitas não lhe passaram ao lado e começou a interessar-se cada vez mais pela cultura lusa. “Não posso estar a falar com os meus colegas de pintura italiana, francesa sem poder invocar a arte, a pintura portuguesa”, destaca Philippe, porque também ele não a conhecia muito bem.

Começou a estudar, e interessar-se a fundo na arte portuguesa, nos museus e no património português. E verificou que o trabalho de casa, por parte de quem se ocupa dessa área, estava um pouco adormecido. Havia algumas lacunas na exposição da arte portuguesa fora de portas, e Philippe revela que há que contrariar essa tendência. A arte tem de ser levada ao mundo, ou o mundo tem de saber que há muita arte em Portugal, esse fio condutor que tem de ser bem polido.

Quando Philippe abriu a sua Galeria também incluía expor arte portuguesa, quadros portugueses. Misturar pintura e escultura portuguesas com a arte italiana, francesa, espanhola, para mostrar ao mundo a componente portuguesa, os artistas portugueses e as suas pinturas, para também podermos brilhar ao alto nível, ao mesmo patamar que se posicionam outras grandes pinturas internacionais.

Começou a desbravar caminho através da arte mais recente, “porque o gosto pela arte contemporânea é muito mais marcado atualmente, pelos grandes colecionadores, e pelo grande público, em geral.” Revela. E foi esse o caminho trilhado, com a arte contemporânea portuguesa. Fez diálogos de artistas portugueses com a arte antiga Europeia portuguesa, espanhola, francesa e italiana, que é o seu campo de ação, e, a partir daí, foi conhecido como o “Galerista de pintura Antiga”, do grupo dos 10 grandes Galeristas em França.

Também começou a participar em feiras internacionais de grande peso, tais como: a Bienal de Roma, a de Bruxelas e depois entrou na Bienal de Paris e entrar no topo, que é TEFAF de Maastricht, nos Países Baixos.

Quem chega a Maastricht!?…

…quem chega a Maastricht, chega-se ao topo! “Esta-se no topo”! Foi a sua grande revelação há quatro, cinco anos. Foi desafiado pelos seus colegas para levar mais pintura portuguesa. “Foi o que eu fiz. Tentei expor metade pintura portuguesa e metade pintura internacional.” Destaca.

TEFAF Maastricht, nos primeiros dois dias, toda a gente sabe quem são os curadores, diretores dos maiores museus internacionais que para lá convergem. Assim como os maiores colecionadores do mundo. É uma janela aberta para a arte portuguesa, os entendidos, vêm e gostam da arte exposta. E começam a ponderar incluir a arte portuguesa, – que tem sido um pouco esquecida pelos museus internacionais. O Louvre já comprou a Philippe um quadro português. E também ofereceu uma pintura a este museu referenciado. E a ideia de ter um dia uma sala portuguesa, ainda é um sonho que espera em breve ser concretizado.

Quando se vive no mundo das artes, tem de se ter sempre em conta, que se lida com um público muito esclarecido e conhecedor do mundo, tem muita mundividência e sabem apreciar o que é bom e não. Philippe levou para a sua galeria Josefa de Óbidos, que foi comprada por um colecionador do Texas para doar ao Museu Dallas.

O Detroit Museum comprou outro quadro da artista. Uma outra Galeria, também tinha a Josefa de Óbidos e agora os maiores museus internacionais são detentores destas obras de Josefa de Óbidos. E também há muito interesse por parte do Diretor do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, que pretende, cada vez mais, a pintura, e arte portuguesa.

No Museu de Arte Antiga, em Lisboa, tem um depósito, onde há um quadro “primitivo” português que se desconhecia a sua existência, – “é um quadro muito bom”. Salienta o galerista. E está exposto no Museu de Arte Antiga de Lisboa. “Vamos pedir de volta para apresentá-lo nas salas do Met em Nova Iorque.”

A hora muda!?

Tem-se assistindo a mudanças de mentalidades e de paradigmas. Os museus internacionais estão neste momento a “apostar” na arte portuguesa, tornando esta sinergia de forças para que a arte portuguesa seja divulgada ao nível Internacional e que os maiores especialistas comecem a considerá-la como uma escola, que também está ao mesmo nível que outros grandes países europeus.

Philippe levou para Maastricht pintura portuguesa e pintura Internacional. O Louvre tem bastante interesse em arte portuguesa e já comprou. O Hispanic Society de Nova Iorque também comprou obras portuguesas…”estamos no bom caminho. É uma missão para mim.” Desabafa o galerista.

Os portugueses querem que a arte portuguesa seja divulgada, conhecida e considerada ao mesmo nível que as outras

É necessário que a as grandes obras dos artistas portugueses se expandam e internacionalizem…dar a conhecer aos entendidos o valor da arte lusitana. As mentalidades já estão a mudar, mas ainda há muito chão por percorrer.

A arte portuguesa tem de ser vista. Quando se vai a Itália, já se sabe o que é que vamos ver nos museus italianos. Vamos ver o Leonardo, e outros grandes artistas. Quando os turistas vão a Portugal, não há um conhecimento prévio, porque não tem havido divulgação no exterior.

O nosso Amadeo de Souza-Cardoso é um dos pintores mais importantes da arte moderna do princípio do século XX, a nível Internacional. Era um génio da pintura, trabalhou com os artistas mais importantes, Picasso e Modigliani, Juan Gris, entre outros.

Amadeo de Souza-Cardoso está na origem do cubismo, tanto como Picasso ou Juan Gris. Todos desejam ter obras destes artistas, que valem milhões. E Amadeo de Souza-Cardoso foi um pouco votado ao esquecimento.

Não há obra do Amadeo de Souza-Cardoso no mercado, nem nos museus internacionais. E quando isso acontece, quem não vê, não avalia, não entende, não aprecia, resumindo, não compra!

Hoje as suas obras valiam milhões de euros, porque todos queriam ter o seu Amadeo de Souza-Cardoso, porque “é uma das peças do xadrez importantíssima da arte no princípio da arte moderna Internacional”, e não devemos desconsiderar esta realidade.

Houve um leilão de um quadro há algum tempo em Lisboa, de Amadeo de Souza-Cardoso foi capa de todos os jornais. “Incrível”, diziam uns, “Um quadro histórico de Amadeo de Souza-Cardoso foi vendido por 500 mil euros”, diziam outros. “Mas se houvesse divulgação do trabalho de Amadeo de Souza-Cardoso ao longo dos tempos, esse quadro não valia apenas 500 mil euros”. Menciona o galerista. Facilmente chegaria aos três, quatro milhões de euros, e todos os museus internacionais iam querer essa obra.

De salientar que o Estado português foi exercer o direito de preferência. E em vez de deixar a um colecionador privado, chamou a si, e bem, e foi para o Museu Soares dos Reis no Porto.

Mas se as entidades portuguesas divulgassem mais o quadro, que foi a leilão, os grandes museus internacionais, como o MOMA em Nova Iorque, ao Museu Pompidou em Paris, ao Museu de Berlim, entre outros, iam querê-lo, e valeria milhões.

A mensagem do historiador de Arte

“Eu sou historiador de arte, e a minha especialidade é pintura antiga, do século XV ao XIX. Sobretudo italiana, francesa, portuguesa e espanhola. Também trabalho com arte contemporânea porque “sirvo-me” dela para suscitar interesse, e está a dar os seus frutos. A mensagem que pretendo dar é muito clara: Não se fechem em paradigmas do passado de outros tempos, abram-se à internacionalização. Não tenham dúvidas ou façam reticências sobre a nossa arte, a excelência da nossa arte antiga e contemporânea. Façam tudo para que seja divulgada e defendida ao mais alto nível, dos maiores museus internacionais.” Philippe deixa este apelo, que lhe vem das profundezas de quem ama arte…A arte é do mundo e precisa de liberdade para se expressar e comunicar!

Lígia Mourão
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