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Herman Alves: Duas vidas, dois países, escalas obrigatórias – Portugal e Canadá

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Nasceu em 1957 na Serra dos Candeeiros, no concelho de Porto de Mós, perto de uma das maravilhas naturais de Portugal, as famosas grutas de Mira de Aire, a 20 minutos de Fátima e 20 minutos de Nazaré, no centro de Portugal. Com orgulho nas suas raízes, viveu na Alemanha e depois mudou-se para o Canadá. Dedicando-se em vários setores empresariais e também à produção de Música Digital, e projetos de homenagem à grande fadista Amália Rodrigues.

Contratou vários “muralistas”, a fazer Street Art um pouco pelo mundo, a fim de concretizar no contexto da diáspora portuguesa, por intermédio de uma “aldeia global virtual”, o seu projeto de artísticos murais: “Amália Everywhere”.

O objetivo pretende celebrar a Diva do Fado. Na mesma esfera convidou a luso-francesa Natalie Afonso, artista plástica, para pintar o mural em Paris. Convite, que foi imediatamente aceite. Para além dos murais, o empresário adicionou ao projeto a arte musical (A ideia consta de 25 murais em união com 25 canções). Entre várias iniciativas de cariz histórico-cultural também existe um mural dedicado ao ilustre Cônsul Aristides de Sousa Mendes. Corajosa Personagem que entrou para o Panteão Nacional em Lisboa.

Herman Alves vem de famílias humildes, e nunca se deixou deslumbrar quando o sucesso nos negócios “lhe bateu à porta”. Vida de muitas causas e muitas privações, mas não se deixou ir abaixo. Homem de causas, neste momento vive entre cá e lá (Canadá). O seu pai emigrou para o Brasil, quando Herman tinha cinco anos. Ficou a viver com a mãe na Serra dos Candeeiros, uma aldeia, que se chama São Bento, em Porto de Mós.

As condições escolares à época eram muito precárias. Somente havia escola até à quarta classe, e sem meios de transporte era muito difícil avançar nos estudos. Os sonhos de se formar estavam cada vez mais distantes. Dada a ausência de recursos financeiros a questão não se punha em cima da mesa! Não teve outra solução e começou a trabalhar com 10 anos: a ajudar os homens a fazer uma estrada, e a partir pedra, até à idade de 12 anos. O seu pai regressou do Brasil, e de seguida conseguiu ir para a Alemanha.

Em 1969, o pai veio buscar a família e foram todos para Hamburgo, na Alemanha. Lá, Herman frequentou apenas um ano de escola, o suficiente para começar a aprender a falar Alemão.

Mas o seu pai ainda assim não estava satisfeito, e de seguida decidiu ir para o Canadá, através de um irmão que lá vivia. No momento de estabelecer objetivos, deparou-se com mais um obstáculo: o idioma, falava-se francês, por conseguinte, a aprendizagem do alemão e do português de muito ou nada lhe valiam.

Enfrentou muitas dificuldades e esteve dois anos sem ir à escola. Aos 15 anos, abandonou os estudos escolares e fez-se ao trabalho fazendo de tudo um pouco, atendendo que não se podia dar ao luxo de escolher.

Como a maioria dos emigrantes portugueses, quando emigravam o objetivo era trabalhar muito e conseguirem juntar o máximo de dinheiro possível e mais tarde quando regressassem a Portugal construir uma casa e apostarem num negócio que não comportasse muitos riscos. Herman Alves não foi exceção. Começou a economizar e a comprar propriedades.

Durante alguns anos esteve envolvido na área da restauração, onde era dono de vários restaurantes. Acontece que com o COVID e com 4 filhos, dois do primeiro casamente e mais dois do segundo, o vírus obrigou o governo a fechar tudo, incluindo os restaurantes.

Foi nessa altura que Herman decidiu, abandonar esse ramo. Fechou os restaurantes todos, eram 12 ao todo, mas em 2020, ainda tinha quatro, em funcionamento, mas optou por encerrar todos. Decidiu centrar-se mais na área do imobiliário.

A viragem

A comemoração a Amália, foi uma espécie de rampa de lançamento da sua empresa de produção digital: começou a fazer vídeos e música. Produziu cinco álbuns em três anos, com artistas do mundo inteiro, o que “foi um grande projeto”. Também está ligado ao prémio IPME, (International Portuguese Music Awards). Evento de elevado prestígio a nível mundial. Herman trabalhou com artistas da Austrália, Cabo Verde, Goa, Califórnia e da Ucrânia,

Aos 68 anos resolveu tomar meditativa atitude e decidiu começar a tirar proveito do lado bom da vida. Trabalha na produção digital e apoia artistas, fazendo também parte do Festival Internacional de Montreal: “Vêm cá artistas todos os anos participar no festival”. Revela Herman.

E agora chegou àquela idade de se ocupar dos seus mais queridos: o pai está com 93 anos, vive em Portugal, o que o leva a passar seis meses por ano em terras lusas.

Também tem um projeto pedagógico, em Portugal: uma propriedade com 16 hectares de terreno e duas casas – uma espécie de um parque pedagógico. Chama-se “Aldeia da Paz”. O objetivo é trazer pessoas, sobretudo crianças e jovens das cidades, de sítios urbanizados, para passarem um dia nas montanhas, para verem e observarem a natureza, apreciarem-na e brincarem com os animais, passar um dia a aprender o que é a geologia do país.

Herman tem lá o seu projeto que fica mesmo em cima da Praia Jurássica, onde havia dinossauros, noutros tempos. Revela o muito, que existe por fazer, porque um parque com essas atrações turísticas, onde à posteriori tem por objetivo convidarem as comissões escolares, a fim das crianças, durante um dia, apreciarem todo ao seu redor.

Está geograficamente bem localizado: fica a uma hora e quinze minutos de Lisboa, chega-se lá rápido, e fica no centro de Portugal. Pode-se atrair clientes do mundo inteiro. É pedagógico e caritativo. Desde muito jovem, Herman Alves sempre trabalhou em obras de caridade, como revela a sua função de presidente do Clube da Rotary em Montreal ou participação na organização “Share the Warmth”.

“Apoiámos muitos projetos e pessoalmente, houve uma altura que comprei uma igreja enorme e transformei-a num centro comunitário, onde as pessoas faziam almoços e pequenos almoços para crianças desfavorecidas nas escolas. Fazíamos 4600 refeições por semana. Também estive lá uns 25 anos, agora transferi o meu posto, para outra pessoa, e estou a dedicar mais tempo a Portugal.”

Uma Mensagem aos emigrantes portugueses

Se pudesse deixar um legado, seria de repetir aos emigrantes, primeiro: serem “caprichosos” das suas raízes. O povo português é um povo resiliente, de coragem, conquistaram o mundo, noutros tempos, e continuam. Hoje, as comunidades portuguesas estão pelo mundo a fazerem grandes sucessos. Eu só peço à comunidade portuguesa de continuarem a exercer essa boa vontade, assegurarem a humildade entre humanos e os valores portugueses, mas nunca se esqueçam do nosso país, do nosso Portugal, regressarem para espalhar este valor e investirem no país – não só em termos financeiros, mas também o seu tempo em projetos interessantes.

Às pessoas que pretendam emigrar

Emigrar não é fácil, porque na maior parte das vezes o emigrante tem de começar praticamente de novo, e é um processo muito moroso. Enfrentam-se sempre muitos desafios, e por vezes “a relva não está mais verde no quintal do vizinho, não quer dizer que a relva aqui está mais verde do que aí.” As oportunidades no estrangeiro facilitam a vantagem de aprenderem novas culturas, falar outros idiomas, ou até mesmo talvez de seguirem a carreira academicamente. “Mas eu acho que qualquer pessoa inteligente que tenha a capacidade de ir para a escola, formar-se, pode conseguir uma vida tão boa em Portugal, como no estrangeiro. Mas se for por uma questão de aventura, ou de oportunidade de negócio, ou trabalho, eu penso que devem olhar para essas oportunidades, mas sem nunca se esquecerem de quem são, de serem portugueses e de um dia mais tarde regressarem ao “ninho”.”

Lígia Mourão
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