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Sexta-feira - 1 Março 2024

João Crisóstomo: Do caso Timor-Leste, das FARC, à construção duma escola nas montanhas em Timor

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Se pensávamos que João Crisóstomo já se tinha envolvido num grande “número” de causas humanitárias, a de Timor-Leste, em 1998, não a podíamos negligenciar. O Massacre em Díli, foi um dos horrores que entrou pelas nossas casas quando se ligava a televisão. Nunca é demais referir, o papel do ativista, sem nunca pedir nada em troca. Na seu dicionário não há referências a guerras e “guerrinhas”. Prontamente se envolve ao que a sua «consciência» lhe dita. A ver vamos – que apesar da idade já começa a pesar um pouco nos ombros – , este humanista, vai abraçar.

Timor-Leste, 1998

Através da qual apoiou pessoalmente nacionalistas timorenses que visitavam os Estados Unidos e promoveu ações de apoio à independência timorense junto de meios de comunicação social (NY Times, CNN e outros) e de órgãos do poder politico americanos, nomeadamente o Presidente Bill Clinton e o congresso americano.

Assim como contactos com outros líderes mundiais incluindo o Presidente Nelson Mandela. Simultaneamente organizou manifestações pro-independência em frente das Nações Unidas e do consulado Indonésio em Nova Iorque em 1999.

Com o apoio de associações luso- americanas e particulares, canalizou uma sucessão de donativos – a aproximar-se dos $200.000 dólares na época, – para associações que no terreno timorense respondiam aos problemas sociais do território que se iria (re)tornar independente em 20 de Maio de 2002.

Graças a diligências suas e de figuras políticas contactadas, o Senado americano aprovou a Resolução 237 de 22 de Maio de 1998 apoiando a realização de um referendo em Timor-Leste. A resolução foi apresentada pelos senadores Feingold, Reed, Moynihan, Kohl, Kennedy, Harkin, e Wellstone.

Descendo a pequenos pormenores, numa altura em que pouco existia em Timor-Leste, e dada a sua proximidade com a causa timorense, chamou a si a tarefa de comprar uns óculos de que urgentemente precisava Taur Matan Ruak, então ligado ao comando da guerrilha nacionalista timorenses e futuro presidente de Timor Leste independente (2012-1017) e primeiro-ministro (2018- 2023). Os óculos, no valor de algumas centenas de dólares, foram comprados numa loja propriedade de Peter Pantoliano, situada na convergência da Niagara St. com a Ferry St. em Newark, NJ. Onde há uma enorme comunidade de emigrantes portugueses e lusodescendete.

Uma Escola Construída nas Montanhas de Timor-Leste, co-financianda e com professor entre 2017-2018

Em Setembro de 2016, João Crisóstomo avistou-se em Nova Iorque com o primeiro-ministro de Timor-Leste Rui Maria Araújo mostrando-lhe documentalmente o que as comunidades luso-americanas tinham feito, quase anonimamente, pela independência de Timor-Leste.

O chefe do governo timorense confessou que também desconhecia esse esforço, mas encorajou o ativista a colocar em livro essa longa jornada que ele dirigira ou encorajara nos anos difíceis que precederam à independência. O livro foi impresso em 2017 (“LAMETA, o Desconhecido Contributo das Comunidades Luso- Americanas para a independência de Timor-Leste”) e o primeiro-ministro quis que João Crisóstomo o fosse lançar a Díli. 

De passagem por Lisboa a caminho de Díli teve oportunidade de conhecer em Portugal o professor Rui Chamusco, natural do Sabugal e ex-professor na Lourinhã.

Glória Sobral e o timorense Gaspar Sobral com quem havia casado sensibilizaram Rui Chamusco sobre a situação de crianças esquecidas, em Timor Leste. Foi o professor Chamusco que lhe falou dum projeto duma escola nas longínquas montanhas de Liquiçã em cuja construção estavam também dispostos a dar o seu melhor o casal timorense Gloria e Gaspar Sobral.

Conta João Crisóstomo: “Quando cheguei a Timor Leste procurei e encontrei o João Moniz (Eustáquio), irmão do Gaspar, que me levou às montanhas de Manati-Boibau, província de Liquiça, onde me aventurei para conhecer o local, onde encontrei centenas de “crianças esquecidas” e deparei nesse local com as necessidades e o muito interesse das gentes nas montanhas de Boebau pela construção duma escola.

No mesmo momento eu e minha esposa Vilma que tinha vindo connosco a estas montanhas, resolvemos dar um contributo para este projecto para que ele começasse imediatamente, e dei conta desta decisão ao Rui Chamusco.”

O resultado foi que passadas duas semanas o local, sob a supervisão do Eustáquio, era já um fervilhar de atividades. A construção da escola tinha começado a todo o vapor.

Em princípios de 2018 a escola era uma realidade. Foi inaugurada no dia 19 de Março com a presença do Embaixador José Pedro Machado Vieira; Mons Mário Codamo representante do Vaticano em Dili; Dr. Rui Acácio Director da escola portuguesa de Díli e outros que demonstrando vontade e inspiradora coragem enfrentaram os difíceis acessos ao local para aí estarem presentes nesse dia.

Apesar de solicitadas, as autoridades portuguesas não dedicaram interesse a este projeto concretizado e os promotores da escola são também os responsáveis financeiros pelo salário do professor, para o qual construíram também uma residência.

A escola é um edifício simples que consta de 3 salas possibilitando, quando em pleno funcionamento o atendimento a 120 crianças, em dois turnos, um de manhã e outro de tarde.

A escola mais próxima fica de duas a três horas a pé, para cada lado, e o acesso é por trilhos. A frequência atual consta de 84 crianças, mas ainda não pode receber mais do que as que já tem, por falta de condições. Estas escolas também ajudarão a dar futuro à língua portuguesa em Timor-Leste ensinando-a aos mais jovens (45% da população timorense tem menos de 50 anos de idade), muito pressionados a trocarem-na pela língua inglesa do seu poderoso vizinho Austrália.

Como acontece tantas vezes na vida das pessoas, João Crisóstomo tem lançado e lutado por estas e por outras causas por imposição da sua consciência cívica e cristã e nunca reivindicou créditos.

Como o seu herói Sousa Mendes, basta-lhe o aplauso da sua «consciência.»

Luso-americano refém das FARC na Colômbia, em 2008

Para além da causa Timorense João Crisóstomo, em 2008, também se envolve na causa do Refém pela FARC na Colômbia, o refém Luso-Americano

Em Abril de 2008, as comunidades portuguesas dos Estados Unidos viviam com alguma ansiedade, a sorte do luso-americano Marc Gonsalves, desde Fevereiro de 2003 refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Aproveitando-se da visita que o primeiro-ministro português José Sócrates iria efectuar à Venezuela, João Crisóstomo lançou uma ação de mobilização das associações portuguesas, 33 das quais escreveram uma carta ao primeiro-ministro pedindo-lhe diligências a favor do refém luso-americano junto do líder venezuelano, que mantinha bom relacionamento com as FARC. “Estas associações de 6 estados norte-americanos, representando milhares de portugueses e luso-americanos, deram o seu apoio imediato a esta diligência que surgiu nos meios associativos portugueses de Newark, NJ, e que eu me limitei a coordenar em obediência a imperativos de consciência, por dever de solidariedade humana e por não desconhecer – como antigo combatente na Guiné – o que serão para um dos nossos – Marc Gonsalves – os horrores do isolamento e as tensões de um clima de guerra”.

Escreveu João Crisóstomo na carta que endereçou ao primeiro-ministro português. Marc Gonsalves e outros reféns foram libertados em 2 de Julho de 2008 na sequência de uma operação das forças militares colombianas sem que fosse necessária a pressão do primeiro-ministro português.

Encerramento de Consulados Portugueses – 2006

Quando em 2006, o governo português decidiu encerrar o Consulado Geral de Portugal em Nova Iorque, no âmbito de um programa de reorganização consular que queria implementar em todo o mundo, a acção foi vivamente contestada pela população luso-americana que o consulado servia. João Crisóstomo assumiu a liderança do movimento de contestação que, entre outras medidas, incluiu uma manifestação em Mineola, NY, em Janeiro de 2007. O Consulado Geral, que contava 45.000 inscritos, acabou por ser transformado num escritório consular e, mais tarde restituído ao seu estatuto anterior. “Hoje é chefiado por uma diplomata do quadro a tempo inteiro.”

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