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Segunda-feira - 24 Junho 2024

João Crisóstomo: Uma vida cheia de história, até Jacqueline Kennedy Onassis tem lugar marcado nesta “película” onde o tempo não para (Parte I)

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Onde há causas nobres o John, como é chamado nos Estados Unidos, não deixa passar em vão. Quem não se lembra de Foz Côa, Timor Leste e o Cônsul de Bordéus, Aristides Sousa Mendes, entre outros acontecimentos? O teor informativo aqui (re)produzido é factual, apesar do tempo ir bem distante, as causas continuam a repetir-se. Mudam-se os atores principais, mas a história, com algumas pequenas trocas de papéis tem memória lúcida. Os heróis não devem ser deixados ao esquecimento, e o “homem das causas” jamais poderá ser olvidado.

João Crisóstomo é uma pessoa de causas humanitárias entre outras. Entrámos em contacto com ele e contou-nos em primeira mão a sua história relativamente a vários acontecimentos que ocorreram no passado e que de forma direta ou indireta deixou a sua impressão digital.

Em princípios de 1996 resolveu tentar dar alguma ajuda para a causa de Timor. Mas falar de Timor na altura era tabu, pois os Estados Unidos e a maior parte do mundo “estavam todos feitos” com a Indonésia. Consciente do poder duma campanha internacional como sucedeu no caso de Foz Côa, em Portugal “eu achei que seria muito importante que a media se debruçasse sobre o assunto. Mas se eu falasse com alguém sobre Timor Leste, sabia que ninguém me ia dar ouvidos”.

Falou sobre o caso com uma advogada americana que depois do massacre de Santa Cruz, em Timor Leste, estava envolvida nesse caso.

Fotos dos documentos, Jornais e outros

Foi ela que me aconselhou: “vais perder o teu tempo se tentares falar de Timor aqui nos Estados Unidos, pois ninguém te vai querer ouvir”. Disse ela. “Mas se tens ou conseguires algum contacto nos media, tenta primeiro falar de alguma coisa que eles gostem de ouvir, e depois quando tiveres uma oportunidade, tenta falar de Timor Leste. Experimenta falar de Aristides de Sousa Mendes por exemplo”.

“Perguntei-lhe quem era esse Aristides de Sousa Mendes? Fiquei boquiaberto pelo que ela me contou.” E depois ao confirmar tudo o que ela lhe havia dito achou que, mesmo que o caso de Timor não existisse, este homem, Aristides, de quem nunca tinha ouvido falar, não devia continuar a ser um desconhecido.

“E ainda por cima era português”. Pouco tempo depois ouviu falar duma exposição que tinha sido vista na Califórnia, em que Aristides de Sousa Mendes era um dos falados nessa exposição. E que a exposição viria a Nova Iorque, para ser exibida nas Nações Unidas.

“Grande oportunidade, pensei eu”. Mas não era suficiente que Aristides fosse “um dos homenageados”. Ofereceu-se para ajudar. Uma vez que a exposição ia ter lugar nas Nações Unidas impunha-se aproveitar esta oportunidade para que, dando-lhe o maior destaque, ele recebesse “um reconhecimento de projeção mundial”.

“Como sou mesmo muito determinado e quando acredito numa coisa lancei-me a fundo nessa exposição. Passados alguns meses recebi uma carta de Eric Saul, responsável da exposição, dizendo: “You are one of our most active enthusiastic volunteers in the Visas for Life program”.

Logo passei a fazer parte da direção desta, e cedo Aristides de Sousa Mendes era o centro deste evento. Consegui que o dia da abertura da exposição, que estava agendado para abrir no dia 2 de Abril (os programas até já tinham sido imprimidos com essa data e tiveram de imprimir outros), fosse mudado para o dia seguinte para coincidir com o dia 3 de Abril, aniversário da morte de Aristides.

“Conhecia bem Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto e prémio Nobel da Paz em 1986, com quem eu estava em contacto frequente. Informado por mim do destaque que se desejava dar a Aristides de Sousa Mendes, eu pedi-lhe para ser o “Keynote Speaker”, mas “pro bono”,” pois não havia orçamento para qualquer remuneração. E ele aceitou. Não só aceitou ser o “Keynote Speaker” do evento como falou de Aristides com entusiasmo no seu discurso de abertura que teve lugar na Assembleia Geral das Nações Unidas. E à última hora quando “me apercebi” dum “ lapso que não tinha desculpa, desse por onde desse, ainda foi possível incluir Sousa Mendes no filme documentário ‘Diplomats for the Damned” – um filme do History Channel do qual o Rabbi David Baron era co-produtor – pois na primeira versão o nome e ação de Aristides de Sousa Mendes não constavam sequer nesse filme. Tudo isto está documentado num “dossier Aristides de Sousa Mendes ” a ser consultado ao público a seu tempo.

Selo homenageia João Crisóstomo

Em 20 novembro de 2017, sob proposta da International Raoul Wallenberg Foundation (IRWF), a Autoridade Postal israelita emitiu em 20 de Novembro de 2017 um selo que consagra o papel do ativista luso- americano João Crisóstomo na divulgação da ação humanitária do cônsul português em Bordéus Sousa Mendes e outros diplomatas na defesa da vida de refugiados judeus durante a segunda guerra mundial. A IRWF quis também salientar o contributo do ativista para o diálogo inter-religioso na área metropolitana de Nova Iorque.

A emissão é feita em folhas de 12 selos, tendo cada um o valor facial de 2.40 NIS (New Israeli Sheqel), o custo de uma carta normal dentro do território israelita. O valor facial de 2.40 NIS corresponde a $0.70 em moeda americana, mas estes selos comemorativos de pequena circulação têm um valor superior no mercado filatélico.

A International Raoul Wallenberg Foundation é uma organização não governamental que advoga o reconhecimento de todos os que contribuiram para a proteção dos judeus durante a segunda guerra mundial. Foi criada por Baruch Tenembaum e tem escritórios em Nova Iorque, Buenos Aires, Berlim, Roma, Londres, Rio de Janeiro e Jerusalém. O nome de João Crisóstomo juntou- se assim ao de outras figuras que o estado de Israel já homenageou com a emissão de selo comemorativo das suas acções de apoio ao povo judeu, sobretudo, durante a segunda guerra mundial.

Estão entre essas figuras o Papa João XXIII (quando delegado apostólico em Istambul); Mischa e Knar Aznavour, pais do cantor Charles Asnavour (recolheram judeus vítimas de perseguição nazi); e os diplomatas Raoul Wallenberg (embaixador sueco em Budapeste); Aristides Sousa Mendes (cônsul de Portugal em Bordéus); e Luiz Martins de Sousa Dantas (embaixador brasileiro em França), entre outros.

João Crisóstomo, Biografia e causas

Quando em 28 de Abril de 2013, o New York Times dedicou uma das suas páginas ao casamento do ativista luso-americano João Crisóstomo com Vilma Kracun, não o fez por causa de uma proeminência social de exceção dos noivos, mas pela força do importante contributo dado por João Crisóstomo a tantas causas que viu concluídas com grande sucesso.

Também não passou sem causa o facto de a cerimónia ter sido presidida pelo Rabino Elie Abadie.

No último quarto de século, João Crisóstomo não esteve ausente de nenhuma das grandes causas que atraíram o interesse geral das comunidades luso-americanas da costa leste dos Estados Unidos e que, de um modo ou de outro, também se situavam dentro do círculo alargado dos direitos humanos ou dos interesses – declarados ou não – do país onde nasceu, Portugal.

Em resultado da elevada dedicação a causas justas recebeu as seguintes distinções:

1998 – International Rock Art Congress Award (USA)

2001 – Angelo Roncalli Medal, International Raoul Wallenberg Foundation
2001 – Outstanding Service to Society Award, Edison State College
2002 – Visas for Life Award

2004 – “Aristides Sousa Mendes Medal” da International Raoul Wallenberg Foundation (IRWF)
2005 – Luis Martins de Sousa Dantas Medal, IRWF
2005 – Recognition Certificate, Government of Canada

Gravuras de Foz Côa – 1995

Mercê dos contactos que soube construir no âmbito da sua atividade profissional de serviços à alta sociedade nova-iorquina (foi despenseiro de milionários da sociedade americana, incluindo Jacqueline Kennedy Onassis), João Crisóstomo foi determinante, através do Times de Londres, na internacionalização da questão das gravuras pré-históricas de Foz Côa e na suspensão, em 1995, da construção da barragem que as iria submergir.

Os seus contactos com Rupert Murdoch, para quem trabalhava ocasionalmente como mordomo, levaram-no a contactá-lo pedindo a sua ajuda, e este encaminhou-o para os editores do seu Times londrino, começando aí a pressão internacional para salvar as gravuras de Foz Côa.

Hoje, o espaço ocupado pelas gravuras e declarado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade e, como sempre acontece, esquecido o papel inicial de João Crisóstomo, que recordamos agora e aqui.

Ainda no âmbito deste movimento criou em 1995 o “SAVE THE COA SITE MOVEMENT, USA” e promoveu demonstrações em Nova Iorque e sensibilizou diversos meios de informação internacionais e figuras da política e cultura da Europa, nomeadamente a UNESCO, e dos Estados Unidos, obtendo apoio para a salvaguarda das gravuras de Foz Côa através de artigos publicados na imprensa internacional, sendo os seus esforços creditados pelo Times, de Londres, o Le Monde e outros como o coordenador internacional deste movimento.

Os movimentos das ações e causas de João Crisóstomo, como a de Aristides Sousa Mendes, Timor Leste, entre outras, continuam na próxima semana.

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