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Sábado - 2 Março 2024

John Guedes: um emigrante benemérito que não esquece as suas raízes

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No passado dia 24 de setembro, no decurso de uma estadia na sua aldeia natal, o emigrante luso-americano John Guedes (dir.), confraternizou com alguns dos jovens transmontanos que participaram na JMJ graças ao seu espírito benemérito

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

No seio da numerosacomunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano (“the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada nos EUA e ascenderam na escala social graças ao trabalho, ao mérito e ao empenho, destaca-se o exemplo inspirador de empreendedorismo e benemérito de John Guedes.

Natural de Vilas Boas, uma freguesia do concelho de Chaves, João Guedes emigrou para a América no alvorecer da década de 1960, numa época em que o fardo da pobreza, da interioridade e a estreiteza de horizontes na região trasmontana durante o Estado Novo compeliu uma forte vaga migratória para o centro da Europa e para a América.

Empresário de sucesso há meio século em Bridgeport, a cidade mais populosa do estado americano do Connecticut, onde gere uma firma de arquitetura especializada em projetos de construção de escritórios comerciais, multiresidenciais e médicos, o arquiteto luso-americano natural da freguesia flaviense de Vilas Boas, tem mantido um constate apego à região transmontana.

Ao longo dos últimos anos, o espírito generoso de John Guedes tem dado um contributo fundamental para a prossecução da missão humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago. Em 2007 doou um monitor de sinais vitais, no ano seguinte ofereceu uma Ambulância de Socorro devidamente equipada, no valor de 60.000.00 euros; em 2017 concedeu à corporação um donativo para equipar todo o Corpo de Bombeiros com farda número 2 e ainda no alvorecer deste ano possibilitou a aquisição de uma viatura de comando e duas destinadas a transporte de doentes não urgentes.

Em reconhecimento do valioso apoio emigrante benemérito luso-americano, a corporação transmontana e a Liga dos Bombeiros Portugueses distinguiram em maio, no Dia do Bombeiro e no decurso da sessão solene de apresentação do Livro “55 Anos dos Bombeiros de Vidago”, John Guedes com o Crachá de Ouro. Uma das mais importantes distinções honoríficas instituídas pela Liga dos Bombeiros Portugueses, que tem por finalidade galardoar a prática de atos e/ou serviços relevantes de inquestionável contributo para a dignificação da Causa dos Bombeiros.

Ao longo dos últimos anos, o espírito generoso de John Guedes tem-se estendido também ao Patronato de São José, em Vilar de Nantes, uma instituição flaviense de solidariedade que acolhe crianças do sexo feminino. E recentemente, em agosto, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e a visita do Papa Francisco a Portugal, um acontecimento religioso e cultural que reuniu centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana, o emigrante benemérito luso-americano custeou toda a logística inerente à participação de mais de três dezenas de jovens transmontanos.

Naturais das povoações Vidago, Boticas, Vilela do Tâmega, Loivos, Vilarinho das Paranheiras e Adães, os jovens transmontanos obtiveram assim uma experiência marcante que lhes possibilitou conhecer outros jovens de diferentes continentes, garças ao espírito generoso e solidário do ilustre compatrício.

Uma das figuras mais gradas da comunidade luso-americana, o exemplo de vida de John Guedes, emigrante benemérito que não esquece as suas raízes, rememora a máxima do ensaísta e poeta de origem libanesa Khalil Gibran: “A generosidade não está em dar aquilo que tenho a maismas em dar aquilo de que vós precisais mais do que eu”.

Daniel Bastos - Professor/Historiador
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