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Sábado - 2 Março 2024

Julia Monar Embaixadora da Alemanha em Lisboa: “Hoje em dia, são sobretudo os trabalhadores altamente qualificados”

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Logo a seguir à Segunda-Guerra Mundial a Europa ficou desmembrada, milhares de edifícios destruídos e havia uma necessidade imperativa em reconstrui-la. Para além dos portugueses, os migrantes de outros países foram os “responsáveis” pela sua reconstrução. A Embaixadora da Alemanha em Lisboa, Julia Monar, considera os emigrantes portugueses deste período dos anos 60/70 e inícios de 80 de “trabalhadores convidados”. E que esta nova geração de emigrantes portugueses são altamente qualificados.

A Embaixadora da Alemanha, Julia Monar, começou por nos revelar que e segundo o Instituto Federal de Estatística, no final de 2022, residiam na Alemanha cerca de 140 000 portugueses.

E que o Land da Renânia do Norte-Vestefália concentra a maior comunidade portuguesa, seguido do Land de Bade-Vurtemberga, de Hesse e da Baviera. Contudo, atualmente, quando se fala de imigração na Alemanha, Portugal raramente é mencionado.

A razão para tal, é o facto de atualmente residir na Alemanha um número mais elevado de nacionais oriundos de países terceiros. Todavia, este fato não tem em consideração que os portugueses são, desde há muito, uma parte importante e integrante da nossa sociedade multicultural e que, desde o milagre económico, contribuíram significativamente para o progresso da Alemanha. Os imigrantes portugueses estão bem integrados e bem representados em todas as áreas da sociedade – na ciência, na economia, na cultura e na política.

Cidades em que há mais emigrantes portugueses

A nível de cidades, a maioria dos portugueses vive em Hamburgo, facto que também explica as ligações aéreas diretas entre esta cidade e Lisboa. Há também o famoso bairro português não muito longe do porto de Hamburgo.

Há muito que Portugal é um país onde a migração desempenha um papel importante. Basta pensar nas famosas expedições de descobertas por volta do século XV ou na vaga de emigração no final da ditadura Salazarista, quando muitos portugueses desertaram para países europeus vizinhos, evitando assim serem enviados para a guerra colonial ou presos como opositores ao regime. Hoje em dia, são sobretudo os jovens que optam pela Alemanha para estudar, trabalhar ou fazer investigação científica, tendo em vista o seu futuro profissional.

A geração dos chamados “trabalhadores convidados”, a emigração dos anos 60, 70 e início dos anos 80, contribuiu significativamente para o crescimento económico da então jovem República Federal da Alemanha. António Rodrigues de Sá, um dos “trabalhadores convidados”, ficou conhecido por ser o milionésimo imigrante a entrar na Alemanha.

O contributo dos portugueses para o bem-estar da sociedade continua a ser uma realidade em muitos domínios: nas escolas, onde transmitem conhecimentos a crianças e jovens, nos hospitais, onde tratam e cuidam das pessoas e na vida política, nomeadamente como deputados que reforçam a democracia.

Profissões mais procuradas pelos portugueses

Durante a chamada geração dos “trabalhadores convidados”, chegaram à Alemanha muitas pessoas de origem humilde e com poucas qualificações profissionais. Hoje em dia, são sobretudo os trabalhadores altamente qualificados que vêm para a Alemanha por um determinado período de tempo para se aperfeiçoarem profissionalmente e na busca de novas oportunidades. A maior parte desses trabalhadores vem com a sua família e fixa-se na Alemanha. Graças à liberdade de circulação na UE, tornou-se muito mais fácil viver e trabalhar temporariamente noutro país da UE.

Balanço sobre a emigração portuguesa na Alemanha

O balanço é positivo, é uma história de sucesso! Permitiu aprofundar as relações de amizade entre os nossos dois países e alargar o conhecimento mútuo relativamente à sociedade e à cultura. Os descendentes dos chamados “trabalhadores convidados” têm, entretanto, a cidadania alemã e sentem-se ligados a ambos os países. Muitos dos funcionários portugueses da Embaixada da Alemanha em Lisboa viveram na Alemanha durante muitos anos, pelo que dominam perfeitamente os dois idiomas – até os provérbios!

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