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Terça-feira - 18 Junho 2024

Maestro Cesário Costa: Programador de Música Erudita no Centro Cultural de Belém, também foi emigrante

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O novo Programador de Música Erudita no CCB é o Maestro Cesário Costa. Estudou em Paris e na Alemanha, foi emigrante 10 anos a estudar nas Universidades de Música em Paris, e na Alemanha onde fez o mestrado e trabalhou durante algum tempo. Começou a trabalhar muito cedo, quando ainda era estudante o que lhe permitiu arranjar ferramentas como Músico. Sempre sonhou ser Maestro e de tudo fez para que se concretizasse.

O novo Programador de Música Erudita no CCB é o Maestro Cesário Costa. Estudou em Paris e na Alemanha, foi emigrante 10 anos a estudar nas Universidades de Música em Paris, e na Alemanha onde fez o mestrado e trabalhou durante algum tempo. Começou a trabalhar muito cedo, quando ainda era estudante o que lhe permitiu arranjar ferramentas como Músico. Sempre sonhou ser Maestro e de tudo fez para que se concretizasse.

“Sou natural de Canelas, Vila Nova de Gaia”. Diz o Maestro Cesário Costa, onde viveu até aos 17 anos, e fez a sua formação normal do ensino secundário e ao “mesmo tempo comecei a estudar música na Academia Musical de Vilar do Paraíso, e depois estudei no Conservatório de Música do Porto.”

Concluiu o curso geral e o ensino secundário, e depois aos 17 anos foi para Paris, onde esteve quatro anos a estudar, piano, sendo um período muito importante na sua formação. Estudou piano e trabalhou como um pianista acompanhador na Emissora Francesa, na “Rádio France”.

Foi para Paris em 1987, e saiu em 1991, regressou a Portugal, e esteve as fazer várias coisas: trabalhou na Universidade Católica, na altura foi criado o coro da Universidade Católica Portuguesa do Porto.

Também foi pianista acompanhador na Escola Profissional de Música de Espinho, na Escola Superior de Música do Porto. Colaborou com o Coro da Sé Catedral do Porto, como pianista, e foi sobretudo um período em que esteve a fazer um tipo de trabalho, pensando na possibilidade de estudar direção de Orquestra.

Quando regressou a Portugal, “a minha intenção nunca foi dedicar-me a dar aulas de piano, mas sobretudo desenvolver uma atividade de pianista acompanhador que me permitia ter contacto com os outros instrumentos, que fazem parte da Orquestra”.

Ser Maestro foi sempre o seu sonho. Numa primeira fase foi estudar piano, porque é um instrumento que seria importante mais tarde quando quisesse estudar organização direção de Orquestra. Cesário Costa, disse que foi vantajoso ter dirigido coros, e trabalhar com outros instrumentistas.

Quanto tempo esteve na Alemanha?

Esteve na Alemanha entre 1994 e 2000 (seis anos), fez a licenciatura em direção de Orquestra e depois mestrado em Direção de Orquestra. A licenciatura foi entre 1994 até 1998, e o mestrado foi entre 1998 e 2000. Na altura teve a possibilidade de trabalhar na Alemanha. A direção de Orquestra na Alemanha está muito vocacionada para a essa vertente. Esteve ligado à Ópera, e na altura deu-se a oportunidade de ficar a trabalhar num teatro e fazer uma carreira na Alemanha, “mas entendi, que gostaria de regressar a Portugal e paralelamente ao longo do curso criei uma Orquestra de Câmara, que era a Câmara de Orquestra “Musicare”.

Na Alemanha quando se está a estudar tem-se a oportunidade de trabalhar com a Orquestra da Escola, ou com Orquestras profissionais, que podem fazer algumas semanas por ano. Mas a perspetiva da criação da Orquestra em Portugal durante esse período foi a possibilidade de ter um instrumento com o qual eu pudesse trabalhar, e sobretudo toda a experiência que se tem em trabalhar com outros músicos.

Fui emigrante em França e na Alemanha”

Mas se calhar um pouco diferente daquilo que é a emigração. Foi mais no sentido de ganhar uma formação, esteve em Würzburg, uma cidade pequena, não havia portugueses, eram apenas alemães e colegas doutros países. Nessa perspetiva, a questão de estar fora, “sentimos essa distância da família, o facto de estarmos numa nova realidade com uma nova cultura, e uma nova forma de pensar, com diferentes hábitos, com uma língua diferente, nessa perspetiva, tive essa experiência, mas com essa componente de obter conhecimento e formação.”

Como se carateriza como Homem e como Maestro?

“Não lhe sei dizer”. A direção de Orquestra, ao contrário do piano, na sua maioria o trabalho como pianista, é um trabalho mais solitário. Vamos imaginar que há um recital de piano a solo, e que o pianista faz todo esse trabalho sozinho, com o instrumento, e se apresenta num concerto sozinho. Não significa com isto que o pianista não possa fazer trabalho de câmara, acompanhado com outros músicos.

O que “me fascina na Direção de Orquestra, por um lado, é este contacto que se tem com as pessoas, o Maestro trabalha com outros músicos, e aquilo que é apresentado num concerto, “é o resultado daquilo que nós desenvolvemos durante os ensaios em conjunto, e essa perspetiva agrada-me. E é sempre muito estimulante quando chegamos a uma Orquestra diferente, ou chegamos a um país diferente”. E uma Orquestra reflete o conjunto de músicos é o reflexo daquilo que é a mentalidade de um país, de um povo, e é importante, e só funciona “se nós conseguirmos estabelecer essa ligação com as pessoas com quem estamos a trabalhar. Com os músicos com quem estamos a trabalhar, e percebemos essas diferenças que existem sempre, cada povo é um povo, cada cultura é uma cultura distinta, nós estabelecermos pontes para fazermos um concerto em conjunto que é sempre o objetivo final do trabalho que o Maestro faz com uma Orquestra.”

Programador de Música Erudita no CCB

Fez no dia 11 de outubro de 2023 um ano no Centro Cultural de Belém. Está a gostar muito do desafio, já conhecia o CCB, e trabalhou muitos anos com o CCB, como artista, como alguém que se apresentou nos diferentes espaços espaços do CCB, neste momento está a trabalhar com um grupo de pessoas do CCB das diferentes áreas, e esse contacto está a ser extremamente enriquecedor, pela forma como o CCB trabalha. Pela cultura de excelência que existe naquilo que se pretende fazer. Por outro lado, o CCB pela forma como a música erudita é organizada, tem um contacto muito direto com muitas outras instituições. Lisboa tem também uma dimensão internacional, e esse aspeto é muito interessante quando se faz programação, é nós pensarmos que é aquilo que público vai querer ouvir. Por outro lado, propostas que se calhar o público não conhece, mas é uma forma “de nós darmos a conhecer”, são todas essas vertentes que me levam a gostar do trabalho que está a desenvolver.

Era o seu objetivo de vida trabalhar no Centro Cultural de Belém?

Já trabalhou muito ao longo da sua vida por todo o país, em diferentes instituições, desde a Orquestra Metropolitana de Lisboa, onde foi Presidente e Diretor Artístico de Orquestra, também na Orquestra do Algarve, um trabalho que está a desenvolver como Diretor Artístico dos concertos Promenade do Coliseu do Porto.

“Estou também neste momento à frente da Orquestra Municipal de Sintra, D. Fernando II, sou o Maestro titular, e Diretor Artístico.”

Sempre se interessou por esta diversidade no trabalho que desenvolve, e pensando sempre aquilo que possa ser uma proposta aliciante para os públicos para os quais está a programar, ou o que possa estar a dirigir como Maestro. São sempre realidades diferentes e esse é que é o grande desafio, e tem imenso prazer em poder abraçar projetos tão distintos. “Para além do trabalho que eu faço como Maestro convidado, é esta diversidade, trabalhar com pessoas das diferentes áreas “e dá-me muito prazer.”

Planos para o futuro, a curto e médio prazo

“Os meus desafios neste momento são as atividades que eu desenvolvo neste momento, a programação de música erudita no CCB. O projeto da Orquestra Municipal de Sintra D. Fernando II. Os concertos Promenade do Coliseu do Porto, “é outra vertente que estou a trabalhar. Será lançado em livro, tanto em Portugal como em França, é “tese de Doutoramento que concluí em 2020”. Neste momento “os meus os meus objetivos são desenvolver todas estas atividades que eu estou neste momento estou concentrado, desenvolvê-las da melhor forma.”

Há algum Centro Cultural lá fora que gostaria de trabalhar?

Não sente as coisas dessa forma, as coisas acontecem naturalmente. “Estou feliz com a minha atividade. Estive em Paris, com a Orquestra Municipal de Sintra, estivemos apresentar um concerto para assinalar o dia de Portugal no dia 10 de junho”. Foi um concerto a convite da Embaixada de Portugal em França. “Apresentamos como solista o clarinetista Carlos Ferreira, que é o primeiro clarinete da Orquestra Nacional de França. São diferentes projetos que vou desenvolvendo e são muito importantes concretizar. E também fico muito feliz quando as pessoas assistem, participam, e também desfrutam dum momento no concerto. Sinto-me muito feliz.”

Uma palavra aos emigrantes

Acreditarem nos seus ideais, e acharem aquilo que é importante para ele eles. Que deve estar sempre presente.

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