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Sábado - 2 Março 2024

Maria Pinto Secretária Gerale da Federação de Folclore Português: O “veículo cultural” nas Comunidades Portuguesas

Destaques

Maria Pinto, falou ao Jornal Comunidades, sobre a importância do Folclore Português cá dentro e lá fora. Na qualidade de Secretária Gerale da DFFP, (Delegação da Federação de Folclore Português), defendeu a importância do Folclore, com o intuito de espalhar a cultura de Portugal além fronteiras, nomeadamente em França onde se encontra a trabalhar, e vive há 56 anos.

A FFP (Federação do Folclore Português), foi fundada em 8 de maio de 1977 pelo Sr. Augusto Santos, esteve representada em França, desde os primórdios da sua existência. Primeiramente pelo Sr. Augusto Santos, e a sua equipa de Conselheiros de Portugal, acompanhando os grupos que lhe pediam ajuda.

“Sou Secretária Gerale da DFFP desde da sua criação em 2012”

Maria Pinto, Secretária Geral da DFFP, (Delegação da Federação de Folclore Português).

A DFFP (Delegação da Federação do Folclore Português) foi fundada em 2012 por Maria Pinto, e pela equipa de Conselheiros desse momento. A sua criação deu um quadro legal ao trabalho dos Conselheiros Técnicos em França, perante as autoridades francesas e portuguesas e frente aos ranchos folclóricos.

Os estatutos mencionam a organização de eleições de três em três anos, como os da FFP em Portugal.

Os Membros de certos grupos como «Bourg La Reine, Plaisir, Bourges…» aceitaram ser Conselheiros Técnicos da FFP, em França. Pouco a pouco estabeleceu-se uma colaboração que permanece.

“O nosso propósito é de acompanhar os grupos que procuram representatividade etnográfica e que desejam ser aconselhados pelos nossos Conselheiros Técnicos, mas também pelos grupos da DFFP/FFP”, defende Maria Pinto.

Grupos que existem atualmente:

Rancho Folclórico Flor do Lima de Villiers-le-Bel
Rancho Folclórico Meu País de Maisons – Alfort
Rancho Folclórico Lembranças de Portugal de Montataire
Rancho A Roda do Alto Paiva de Orsay
Rancho Terras do Minho de Kremlin-Bicêtre
Rancho Alegria dos Emigrantes de Montfermeil.

Estes são grupos que estão a funcionar e continuam a ser membros. Outros manifestaram o desejo de por em suspenso a sua adesão. Depois da Covid, alguns grupos estão a restaurar as suas bases. “Esta pandemia fez parar alguns grupos”, outros perderam as forças «dirigentes e componentes». “Fazemos votos para que consigamos superar a dificuldade”, diz Maria Pinto.

Sede da Delegação da Federação do Folclore Português

A sede da DFFP é no Consulado Geral de Portugal em Paris. Desde a nossa criação, já organizamos várias formações na nossa sede, mas também na sedes das associações ou nos locais de ensaio do rancho.

Deslocamo-nos, segundo os pedidos que recebemos. Basta os grupos manifestarem o desejo de estarem de acordo com a etnografia dos fins do século XIX, princípio do século XX. Encontramos também os componentes e dirigentes dos grupos nos seus festivais ou quando se deslocam para atuações.

O Folclore dinamizador da cultura portuguesa no estrangeiro

A Federação do Folclore Português sediada em Arcozelo, Vila Nova de Gaia, ajudou o povo português a tomar consciência que tem entre as mãos um tesouro de cultura e de história para preservar com urgência, sabemos que e é “em Portugal há uma das maiores conservações de etnografia popular da Europa”.

“em Portugal há uma das maiores conservações de etnografia popular da Europa”.

A Delegação de França tem um papel importante na divulgação do que recolhemos e preservamos em Portugal onde vivemos, sem o alterar. O nosso trabalho vai a par com o de Portugal, com a adesão dos ranchos e dos seus componentes.

O modo de vida dos portugueses em qualquer país do mundo evolui com novos tópicos devido à mundialização.

Então sim, “a Federação é indispensável para proteger a Cultura Portuguesa fora de Portugal, com os grupos que aderem a esta preservação”.

Nos dias de hoje os franceses já olham os portugueses doutra forma. São emigrantes com Universidade feita, e com boas qualificações, salienta Maria Pinto. Ocupam lugares de destaque, e gostam muito do Folclore e do mundo rural. Uma vez que as casas em Paris e arredores o preço é muito elevado. A fuga da cidade para zonas mais distantes do centro, são uma realidade, ou por necessidade ou por gostarem da vida mais pacata.

“Mas isto também coloca os portugueses a viver nos arredores de Paris, quando têm que vir aos ensaios, demoram cerca de 30 ou mais minutos, e às vezes desmotiva as pessoas ir ensaiar. Apesar da sede ser no Consulado de Portugal, os ensaios são feitos em espaços alugados no centro de Paris”, refere a Secretária Gerale.

Os Portugueses também podem votar e isso é-lhes favorável, pois não são vistos apenas como emigrantes, também cumprem o dever cívico. Podem votar para as Municipais (Autárquicas), para as Europeias. Há portugueses eleitos nas Câmaras Municipais, mas alguns sem pelouro.

A França também está em processo de transformação, é um país onde há um enorme volume de imigrantes, e isso coloca desafios a nível social e até mesmo políticas empreendidas, onde começa a surgir ondas de radicais que são contra a imigração. Os portugueses têm sabido alhear-se desse estigma, e levou a emigração sempre muito a sério e com responsabilidade.

Até onde foi o Folclore Português?

Em França até hoje “a nossa ação é conhecida pelos grupos. Não vamos a todo o lado mas como referido, depende dos pedidos”.

Nós organizamos momentos de sensibilização e informamos o mais longe possível, tendo em conta os meios que temos ao dispor atualmente. Para que o maior número de ranchos possa ser inserido. Vamos a emissões de rádios portuguesas e estamos presentes na internet.

Tendo em conta que a França é seis vezes maior que Portugal (92 000 m²), e os lusodescendentes são cerca de 1 milhão, trabalhamos com alguma simplicidade porque os nossos meios ainda não nos permitem chegar ao patamar português.

Antes da covid “existiam aqui cerca de 350 associações criadas por luso descendentes. Mais de 250, teriam pelo menos uma atividade de folclore”.

Em Portugal a FFP tem mais ao menos 420 grupos aderentes. “Aqui em França não chegamos a 10”. Conclui Maria Pinto, Secretária Gerale da DFFP, e também é Coordenadora do Conselho Técnico de França da FFP/Arcozelo.

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