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Sábado - 2 Março 2024

“Nada melhor do que comer o nosso bacalhau feito por portugueses.”

Destaques

Nome: Filipe Pinheiro
Idade: 46 anos
Vive: Nova Zelandia (há 3 anos)
Profissão: “Electrical Manager”
Emigrante: 17 anos

Sai de Portugal em 2005, fui atrás de novas oportunidades profissionais e com sonhos de voltar a Portugal dentro de cinco anos, e já se passaram dezassete. Pouco depois de ter saído, a minha esposa juntou-se e depois… vieram dois lindos filhos. Durante este tempo passamos juntos por sete países diferentes, neste momento estamos na Nova Zelândia, precisamente do outro lado do planeta. Independentemente de onde estamos, a memoria e as recordações levam-nos para o nosso Portugal, onde estão a maioria da restante família e amigos. As saudades maiores do que esta não há, e o abraço a cada retorno cresce de intensidade à medida que os anos passam.

Desde que saí de Portugal as novas tecnologias permitem-nos fazer videochamadas, o que encurta em muito a distância e a saudade. Imagino às vezes os emigrantes dos nossos antepassados, escrevendo cartas e esperando, às vezes, meses por noticias. Inacreditável nos dias de hoje.

Sempre que podemos falamos e vamos ver a família, os avós estão sempre a perguntar pelos netos.

Quando estamos em países com pouca presença de portugueses, as coisas tornam-se complicadas, obviamente que procuramos sempre presença de portugueses, isso faz-nos ficar mais próximos da nossa língua e dos nossos costumes e cultura. 

Lembro-me de participar de um jantar, em Brisbane, Austrália, em 2013, “Brisbane Portuguese Club at Pinkenba”, parecia que tinha feito uma viajem no tempo e retrocedido uns 30 anos. A maioria dos portugueses já tinham deixado Portugal há uns anos. Mas nada melhor do que comer o nosso bacalhau feito por portugueses.

Na Noruega, em 2019, fomos a um concerto do David Fonseca, última atividade organizada pelo Café “Pastel de Nata” em Oslo, que entretanto fechou.

Quanto mais longe estamos de Portugal, mais procuramos relacionarmos com a nossa cultura, parece inversamente proporcional, pois sabemos que não teremos a possibilidade de nos descolar ao nosso país com facilidade. Procuramos sempre o cantinho português, mas nem sempre há.

Quando passamos o Natal longe de Portugal e da família, organizamos sempre uma jantarada na ceia de Natal com amigos. Nunca falta bacalhau com Azeite português, bolo Rei, pão de ló, aletria e o nosso vinho, assim como outras iguarias.

Toda a preparação começa meses antes, pois sempre que vamos à terra, as malas vêm carregadas ao limite permitido pela alfândega do país onde nos encontramos. Só o nosso chouriço não passa em certos países. Também não passou o Bacalhau que os meus pais mandaram durante o COVID, em 2021, ficarmos retidos durante dois anos na Nova Zelândia, sem poder ir a Portugal, e infelizmente, devido à falta da identificação na alfândega, ficou com a nossa ceia de Natal desse ano!

Mas este ano (2023), tivemos aqui na Nova Zelanda as jogadoras femininas da seleção de futebol de Portugal, e com o nosso apoio, conseguiram o apuramento para a primeira participação de um campeonato de futebol. Foi toda a família a gritar bem alto o hino Nacional, foi lindo e emotivo.

Mas o melhor de tudo, e sendo a esposa portuguesa, nunca falta comida da nossa terra lá em casa. Durante estes anos aperfeiçoou e adicionou ao nosso jantar  uma grande e variada ementa portuguesa, muitas vezes com um toque dos países por onde passamos, pois muitas vezes é difícil de encontrar os ingredientes necessários.

Nós testemunhamos nas escolas por onde passamos, cada vez mais, a inclusão, e diversificação de culturas. Quando fazem o dia internacional, lá vão os miúdos com as bandeiras dos seus países e com trajes tradicionais, e assim fazem também, os nossos. É importante  estarmos incluídos no mundo de hoje, onde o multiculturalismo é cada vez mais real.

A televisão nacional e os jornais são companhia frequente, pois acompanhamos sempre que podemos os acontecimentos em Portugal.

Na verdade, iniciamos a contar os meses, semanas e finalmente os dias para  voltarmos assim que saímos de Portugal, no final das férias.

O nosso Lar é onde o nosso coração se encontra. E como dizia a minha avó materna, quando estamos longe, os amigos são a nossa família, e felizmente temos  encontrado amigos por onde passámos, às vezes locais, outras vezes emigrantes portugueses, mas o nosso comportamento e atitude reflete o comportamento de todo um povo, o povo Português, somos a voz e a imagem de Portugal no Mundo. 

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