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Sexta-feira - 19 Abril 2024

Nova Iorque : Celebração do Legado de Aristides de Sousa Mendes

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Após longa jornada do Cônsul de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, e o seu humanismo, jamais irá quedar-se no esquecimento. O seu legado como diplomata será celebrado no dia 07 de abril em Nova Iorque, passados 70 anos da sua morte. O evento vai reunir várias representações diplomáticas e institucionais em que será também homenageado o humanista brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas. Dois Homens, a mesma obra.

Segundo entrevista à Lusa, João Crisóstomo, que se tem debatido ao longo dos anos a dar voz àqueles que já não têm, e que marcaram a diferença no trajeto das suas vidas. Segundo João Crisóstomo, apresentou que o motivo de juntar Sousa Mendes e Souza Dantas na mesma celebração partiu das semelhanças entre ambos.

João Crisóstomo, ressalvou que “Ambos de língua portuguesa, diplomatas, encontravam-se em França no início da Segunda Guerra Mundial, também resolveram desobedecer às diretrizes dos seus Governos e deram vistos aos refugiados que desesperados os procuravam para fugir aos nazis e campos de concentração onde a maioria acabava asfixiada e logo incinerada”.

“Mais tarde ambos foram condenados em tribunais pelo que fizeram. E, nas suas defesas, em anos e locais diferentes, sem saberem um do outro, ambos declararam ter agido assim porque assim lhes mandava a sua consciência de cristãos. Os dois vieram a ser reconhecidos e honrados pelo Yad Vashem [memorial oficial de Israel às vítimas do Holocausto]. E, como que com carimbo de comum destino, vieram a morrer no mesmo mês e no mesmo ano, a escassos dias um do outro: Aristides a 03 de abril e Souza Dantas a 16 de abril de 1954. Portanto, fazia sentido falar dos dois”, reforçou João Crisóstomo.

O evento, que assinalará os 70 anos da morte dos diplomatas, decorrerá na Igreja Eslovena de São Cirilo, em Manhattan, e contará com uma missa católica presidida pelo arcebispo Gabriele Giordano Caccia, o observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas.

Vai contar com uma intervenção da embaixadora de Portugal junto das Nações Unidas, Ana Paula Zacarias, e se seguirá a exibição do filme “O Cônsul de Bordéus”.

João Crisóstomo, que com os restantes membros do Comité do “Dia da Consciência” promoveu esta homenagem, espera ainda a presença de várias representações diplomáticas e institucionais, como de Portugal e de Timor Leste, da Federação Sefardita Americana, da Fundação Sousa Mendes, da Fundação Internacional Raoul Wallenberg, o o luso-americano Paulo Pereira e autarca de Mineola, do senador luso-americano Jack Martins, de representantes das comunidades portuguesas nos EUA, entre outras figuras.

João Crisóstomo passou anos a insistir no apoio do Vaticano e das instituições portuguesas à causa do Dia da Consciência, um projeto de celebrações anuais em diversos países, que, a 17 de junho, assinala o dia em que o “cônsul português em Bordéus Aristides de Sousa Mendes deu prioridade à sua consciência em vez das regras administrativas e ajudou a salvar dezenas de milhares de pessoas do Holocausto, com autorização de vistos e passaportes.”

Segundo a Lusa “o ativista português deu especial destaque ao 17 de junho de 2020, ocasião em que o Papa Francisco evocou Aristides de Sousa Mendes num discurso.”

“Celebra-se hoje o ‘Dia da Consciência’, inspirado no testemunho do diplomata português Aristides de Sousa Mendes, que, há 80 anos, decidiu seguir a voz da consciência e salvou a vida de milhares de judeus e outros perseguidos”, referiu o Papa na ocasião, durante uma Audiência Geral.

“Devemos relembrar Aristides de Sousa Mendes para não ser esquecido. Mas a razão primeira é que, ao lembrá-lo, lembramos a sua coragem em ajudar os outros. Devemos relembrá-lo para nos lembrarmos de que, tal como ele, hoje também temos de ter coragem para fazer o que está certo e precisa de ser feito, mesmo que isso exija esforço e mesmo sacrifício da nossa parte, sobretudo para ajudar os que, sem culpa, são pobres e precisam da nossa ajuda”, defendeu o português.

Antigo mordomo de Jacqueline Onassis Kennedy, ex-primeira-dama dos Estados Unidos, em Nova Iorque, João Crisóstomo serviu-se dos contactos que fez durante a sua vida toda para lutar, entre outras causas, pela memória de Aristides de Sousa Mendes.

Por ocasião dos 70 anos da morte dos dois diplomatas, o Comité do “Dia da Consciência” pretende, com este evento em Nova Iorque, “manter vivo o legado destes dois humanistas, para que a coragem destes dois grandes seres humanos continue a ser inspiração e força motivadora de semelhante procedimento nos nossos dias”, arrematou João Crisóstomo.

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